terça-feira, 31 de julho de 2012


Cap. XIX
Olhos, encontros, desencontros e notícias.
Parte II.
                Guilia se enfureceu. Revoltou-se na verdade e não se conteve após a pergunta.
- O que você está fazendo aqui, seu louco? Sabe que não é bem vindo!
- Tem certeza? Luiza me recebeu bem.
- Amiga! Que história é essa? Tem como me contar?
-  Ué, amiga. Ele apareceu aqui e perguntou se poderia sentar, relutei, mas lembra que eu não posso me levantar, ainda mais expulsá-lo.
                A menina de olhos oblíquos estava realmente enfurecida.
- Tá. E o que você veio fazer aqui? Já não nos fez o bastante?
- Se fiz já não importa, eu quero me redimir. Redimir-me com você e com Luiza que sofreu junto com você.
                Guilia se sentou na cadeira que era posta à esquerda da sala. Não continha a indignação e por um ligeiro momento deixou sua doçura e deu espaço a uma mulher forte, magoada, amarga e rancorosa. Luiza lhe sorriu e ela simplesmente ignorou.  Saiu da sala aturdida e sem olhar para frente esbarrou em Luiz e no esbarrão tudo que levara para a amiga foi ao chão. Flores, chocolates e mais livros. Imediatamente os dois se abaixaram e neste involuntário ato as mãos novamente se encontraram e os olhos, consequentemente, também.
- O que houve, moça?
- Não é nada.
- Você está com os olhos tempestuosos.
- Eles são assim, doutor.
- Pode deixar que eu pego suas coisas, mas me chame de Luiz.
- Tá, ok.
                Ela se ergueu e o esperou levantar para lhe mostrar a direção deveria seguir. Voltaram ao primeiro encontro, à recepção. Sentou-se e ele ao lado dela.
- Será que você pode me explicar o que aconteceu?
- Não é nada.
- Menina, claro que é. Olhe como você está.
- Já disse que estou bem.
- Como você é teimosa. Foi o homem que estava no quarto não é? Deu para ouvir do corredor que você não gostou de encontra-lo.
                Guilia deixou o coração amolecer e desabafou.
- Eu não entendo esse coração perdoador da Luiza. Ela sabe o que me aconteceu e agora ela está lá com ele, fora isso, ele não fez só a mim, mas a nós duas.
                Luiz Carlos deixou que o ímpeto de suas mãos tomasse conta da situação.
- Não vale a pena guardar ressentimentos, menina!
                Guilia penetrou a alma de Luiz Carlos com os olhos.
- Por que você se importa tanto comigo? Não sou sua paciente, e, que me lembre, nunca fui.
-Por que acho que você é alguém especial e isso dá pra ver nos seus olhos, mesmo que você tente ser ríspida e insensível. Consigo observar em você características nobres e dignas de serem apreciadas.
- Você nem me conhece!
- Não preciso conhecer mais que isto para saber que você é diferente. Agora vá ao quarto e tome uma postura adequada, postura de mulher que você tem dentro de você.
- Você acha mesmo que devo fazer isto?
- Bem, eu não sei quem ele é ou que ele te fez, mas não acho que você seja mulher de deixar um desafio te dominar. Domine-o, pois você é capaz de dominar até quem você não conhece, imagine aqueles que te cercam? Vá, garota (sorriu)!
                Guilia lhe deu o primeiro sorriso sincero. Seguiu os conselhos do jovem médico que ficou sentado na recepção olhando-a atravessar o corredor com um sorriso nos olhos e nos lábios que se podia ficar a admirar por horas.  Guilia ergueu os ombros, levantou o nariz o máximo que pôde e cruzou a porta do quarto, onde estava o acompanhante de Luiza e austeramente lhe disse:
- Posso falar com você em particular?
                Luiza perguntou:
- comigo?
- Não! Com ele!
                Imediatamente se levantou e saiu da sala.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Cap. XIX
Olhos, encontros, desencontros e notícias.
Parte I.
                Luiza permaneceu ainda no hospital por alguns dias após a operação. Guilia fielmente estava lá todos os dias. Levava chocolate, flores e livros. Luiz, o médico que fizera a cirurgia e acompanhava a paciente admirava e observava a amizade das duas. Um dia, perguntou à Guilia sobre a relação delas e a causa da fratura da amiga, pois como notara num certo momento choros contidos e solitários na recepção.
- Oi, Guilia!
-Olá, doutor.
- Pode me chamar de Luiz ou Carlos. (sorriu)
- Ok.  Vou chama-lo de Carlos (desconsertada) .
                O médico lhe sorriu.
- Então, sua amiga terá alta em dois dias, mas ela ainda não sabe. Nunca vi uma recuperação tão rápida. Ela é incrível!
                Guilia pôs as mãos sobre o rosto e pulava de felicidade. O médico não sabia a alegria de saber que ela se recuperara de uma dor que involuntariamente Guilia havia causado. Luiz Carlos sorria e observava.
                - Por que você chora, moça? Ela está bem! Muito bem!
                - Eu sei. Estou feliz!
                -Mas me parece chorar de alívio.
                - E você também se formou em psicologia? (gargalhou)
                               Luiz riu sem graça.
                -  Não, mas uma vez quando passei no corredor e fui à recepção você estava encolhida num canto despejando lágrimas. Não é normal.
                - Você é curioso e insistente, sabia? (sorriu)
                - Você ainda não viu nada. (riu)
                - Um rapaz amigo meu a derrubou por minha causa.
                - Meu Deus! Que agressividade!
                - É, mas prefiro não falar mais nada sobre o assunto. O que importa é que ela está bem agora. Posso ir dar a notícia? Os pais dela sabem?
                - Sim, menina. Os pais dela sabem, mas pediram para te contar. Acharam que se ela ouvisse de você cuja companhia não lhe faltou, seria mais emocionante. Eles foram tomar café.
                - Então vou correr para o quarto.
                - Quer que eu a acompanhe?
                - Acho que não precisa. Muito obrigada.
                               Luiz Carlos lhe estendeu a mão. Guila lhe sorriu e estendeu sua delicada e suave mão que Luiz jamais esqueceria. O médico falou:
                - Foi um prazer conhece-la fora do quarto da Luiza.
                - Igualmente.
                               Continuou segurando a delicada mão. Ela sorriu.
                - Você pode soltar quando quiser ok?
                                Envergonhou-se e por um momento os olhos azuis foram apagados pela vermelhidão em suas bochechas. Ela riu e saiu enquanto ele se recompunha olhando a ir.
                               Atravessou o corredor e seguindo em direção ao quarto de Luiza pensara:  “- o que será que este médico está pensando? Será que ele gostou de...Não! Impossível! Ele sabe que o Rafael é meu namorado. Mas  se fosse realmente isto teria dado outros indícios... Claro que deu! Viu-me chorar! Que louco! Não.. Não pode ser.” E entre pensamentos interrogativos chegara ao quarto de Luiza, mas ao abrir a porta teve uma surpresa. Alguém estava sentado na cama dela, ao lado de sua melhor amiga. Os dois olharam para Guilia que imediatamente perguntou:

- O que você está fazendo aqui?

sábado, 28 de julho de 2012


Cap. XVIII
Corações, desilusão, tentativas
V
Entraram no quarto onde Luiza se encontrava. Correndo, Guilia impensadamente abraçou a amiga que sorriu, mas com os olhos bastante tristes. 
- E aí, amiga, está tudo bem?
                O médico interrompeu:
- Houve mais que uma torção. Ela teve uma fratura e terá de operar.
- Nossa! Isso é muito grave, doutor?
- Pelo jeito, a queda afetou bruscamente o ligamento do joelho, então, após a operação ela terá de fazer fisioterapia e demorará uns três meses para total recuperação.
                Guilia sabia e sentia a tristeza da amiga. Isso era um adeus à competição de vôlei no exterior que Luiza tanto esperava. Mas, o pior era saber que a amiga tentou defende-la e consequentemente se feriu. Voltou-se dos olhos azuis aos esverdeados de Luiza.
- Amiga, lamento ter feito você passar por isto. Desculpe-me!
- Deixa disso, Guilia! A culpa não é sua! Você também não esperava aquele surto do Eduardo.
- Mesmo assim, se você não fosse me defender...
                Luiza interrompeu.
- E que amiga eu seria se apenas observasse um cara louco te ferir? Não fiz nada que você não fizesse por mim.
                Guilia sorriu e abraçou Luiza. As duas choraram juntas e disseram uma a outra:
-Estamos juntas.
                Rafael olhava a cena e sorria, mas seus pensamentos continuavam distantes há , precisamente, duas horas atrás, momento da fala de Eduardo. Enquanto isto, os olhos da cor de mar observavam.  Rafael e Guilia deixaram que os pais da menina a visitassem também. Saíram do quarto e voltaram à sala de recepção. Cortez não aguentou  a espera e disse:
- Estamos sozinhos agora, meu amor. Diga-me, por favor, quem é este Arthur.
                Guilia suspirou.
- Não quero falar dele, Rafa.
- Como assim, Guilia? Por que não quer falar?
- Porque me machuca.
                Rafael lembrou-se do vazio que enxergara nos olhos de sua menina quando a conheceu. Só poderia ser isto. Só poderia ser a ausência de alguém ou algo que a machucasse muito.
- Foi este tal de Arthur?
                Os olhos delas se encheram de lágrimas cortantes. E sem abrir os lábios, acenou com a cabeça positivamente. Rafael sentiu pena de sua amada. Puxou-a para si e a abraçou protetoramente. Amava-a demais para vê-la sofrer. Sentou-a e se ajoelhou.
- Você ainda gosta dele? Ele mora aqui perto? O que ele te fez.
                Transbordaram os olhos dela. E ele a fitando daquela forma reclinou a cabeça no seu colo. As lágrimas molhavam seu cerrado cabelo. Guilia reuniu forças e palavras e disse:
- Ele foi quem mais eu amei e odiei ao mesmo tempo. Nós namorávamos à distância por conta do trabalho dele. Como num passe de mágica, todo aquele amor que me jurava virou silêncio, ausência, virou...nada (gaguejou).
                Rafael levantou os olhos enfurecidos e disse:
- Isso quer dizer que ele estava longe e não terminou? Não te deu uma satisfação? Nada?
- Não. O máximo que ele me deu foi uma mensagem dizendo que éramos e vivíamos em mundos diferentes. Só.
- Esse canalha ainda te mandou uma mensagem no teu aniversário? Ele não é um homem.
                Guilia chorava.
- Meu amor, diga-me a verdade por mais dura que ela possa ser para o meu coração. Você ainda pensa nele? Você ainda liga ou coisa parecida?
                A menina inspirou.
- Não ligo mais, não mando e-mails, mas toda vez que olho para o céu e a lua brilha, imagino-o sorrindo.
                Rafael desmoronou. Sentou-se no chão. Pôs as mãos sobre a própria cabeça.
- Agora entendo (murmurava) o porquê de você ter olhos tão profundos.
                Guilia recostou na cadeira. Ficaram em silêncio por alguns minutos. Cada um chorando o seu próprio choro. Rafael levantou os olhos e encontrou sua amada. Com os olhos molhados, falou:
- Não me importo se ele foi alguém na sua vida. Hoje estamos juntos e é o que importa. Como disse a você, eu só queria uma oportunidade de fazê-la feliz, e, você, apesar de toda dor que vivia, conseguiu me dar esta chance. Eu não vou decepcioná-la, minha menina. Eu prometo.
                Guilia se inclinou e o beijou, assim choraram o mesmo choro.  A menina segurou o rosto de Rafael e disse:
- Quando eu te conheci minha vida mudou para melhor, você me devolveu a vontade de sorrir.
- Então me prometa que eu vou ser sempre aquele que te devolveu o sorriso.
- Só se você me prometer esquecer toda esta história que me machuca.
- Eu te prometo que vou fazer até esta dor parar e cicatrizar!
                Sorriram e se abraçaram num tipo de abraço que é dado de olhos fechados, expressando um grande sentimento. Enquanto isto, olhos azuis espreitavam a cena.

segunda-feira, 23 de julho de 2012


Cap. XVIII
Corações, desilusão, tentativas

Cap. IV
Emergencialmente Luiza foi atendida, enquanto Guilia também passava por atendimento. Como suas escoriações não eram graves, logo foi liberada. Na sala de espera, encontrava-se Rafael altamente pensativo. Um nome não lhe saía da cabeça: Arthur. “Quem seria este”- pensava. As palavras ditas por Eduardo não lhe saíam da memória. Como assim sendo usado por Guilia? Os pensamentos o aturdiam e seu rosto refletia suas lembranças e pensamentos até quando sua namorada chegou.
- Rafa, já estou liberada. Vou tomar apenas um medicamento para dor, mas não fraturei nada. Tem notícias da Luiza?
                Rafael ainda muito pensativo demorou a responder notoriamente por estar em outro lugar, ou melhor, em outras palavras e momentos. Guilia refez a pergunta:
- Rafa, o que houve? Perguntei da Luiza e você não respondeu. Está tudo bem?
                Voltando a si, o rapaz respondeu:
- Claro, minha linda! Quer dizer... Ainda não tenho notícias.
                Guilia o encarou por um momento, o rapaz desviou olhar, visto que sabia que a menina tinha o pode de desconcertá-lo e entrar em seus pensamentos. Sem pestanejar a adorável namorada de Cortez, indagou:
- Amor, o que houve com você? Veio calado e está com um rosto bastante apreensivo. É essa situação? Sei que foi constrangedora e sabe-se lá o que poderia nos acontecer se você não tivesse chegado. Muito obrigada.
                Rafael sorriu num sorriso distante. Havia algo diferente.
- Rafael, será que você pode me dizer, por favor, o que está havendo?
                Ele finalmente, sem desvios oculares, puxou-a para si e a levou para os assentos. Assentaram-se. Ainda com a mão dela entre as suas, disse:
- Você sabe que o importante para mim são as suas palavras, certo? E que não há nada neste mundo que mude o que eu sinto por você.
- A confiança é a base do nosso relacionamento. Falamos isto sempre.
-Exatamente. Jamais vou confiar em terceiros ou coisa parecida, mas hoje, em meio aos nervos alterados e a minha vontade de matar aquele maluco que você chama de amigo, ele disse algo que me intrigou.
                Arregalaram-se os olhos oblíquos. Sim, ele falaria naquele instante sobre alguém que ela tinha prometido não falar nem para mesmo para ela. Interrompeu.
- Não fale assim do Dudu. Infelizmente ele está cego. Há tantas meninas ao redor. Tantas meninas inteligente, bonitas e bem humoradas, mas ele não consegue enxergar. O que ele sente não é amor, é doença. Ele confundiu as coisas.
- Mas você me disse, minha linda, que ele sempre foi assim. Por que você não cortou? Olha no que deu. Eu juro que faria uma loucura se você não tivesse entrado na frente.
- Eu sei que faria e não teria valido a pena. Sempre coloquei para ele nossa condição. Um dia ele há de aceitar.
- ou raptar você! (riu) Aí a guerra dele será só comigo, porque ninguém pode roubar o meu tesouro.
                Guilia sorriu e imediatamente foi tomada pelos fortes braços do delegado cuja força deu lugar a suavidade de um carinho. Entretanto, a pergunta sem resposta ainda lhe povoava a mente. Soltou a menina. Voltou ao assunto.
- Então, meu amor, o que o Eduardo falou não me saiu da mente. Preciso saber.
                Não haviam saídas, era necessário responder. Era preciso abrir a ferida novamente, e, mais ainda, tocá-la.
- O que ele falou que te aflige?
                Rafael imediatamente perguntou:
- Quem é Arthur?
                Guilia suspirou, inspirou, faltou-lhe o ar. Na verdade o ar ficou seco de mais para ser inalado. Olhou para o rapaz que nem piscava observando cada milimétrica ação da jovem. Sorriu e seus olhos se encheram de lágrimas. Esboçou a fala, parou. Finalmente quando mentalmente composta a frase para responder a pergunta mais funérea de sua vida...
- Senhores, vocês são os amigos de Luiza?
                O médico Luiz Carlos interrompeu. Desespero de Rafael, alívio de Guilia que se virou para o viril médico e disse:
- Somos sim! Tem notícias dela? Ela está bem?
                O médico respondeu sem mostrar reação através daqueles azuis olhos cor de mar:
- Sim! Tenho notícias de Luiza.
                E assim, a pergunta de Rafael foi postergada durante mais um tempo. Descanso do coração de Guilia, aflição do músculo de Rafael.

domingo, 22 de julho de 2012


Cap. XVIII
                                                    Corações, desilusão, tentativas
Cap. III
                Rafael estava muito alterado. Desprendeu-se das pessoas e insistiu em tentar contra a vida de Eduardo que estava com o rosto bastante ferido. O sangue lhe escorria por toda a face, porém o rapaz não se importava para aquela dor ou a destruição de seu belo rosto. Sua revolta e ódio o dominavam tanto que seus olhos e palavras só se direcionavam à Guilia a qual estava sentada ao lado de sua amiga, Luiza, no meio fio. Luiza com o empurrão se machucou bastante: deslocou o joelho. A menina chorava bastante, enquanto a amiga tinha escoriações pelos braços. No entanto, ainda que houvesse marcas físicas, nada superava a dor da vergonha, do constrangimento. A  insanidade de Eduardo estava tão embebecida que ele começou a gritar, novamente:
- Você sabia, o novato, que ela namorou um rapaz que a largou? Sabia disto? Era um babaca como você!
- Você é uma criança mesmo! Se liga, seu mané! Conforme-se se ela não te quis.
- Ela só está te usando, idiota. Se ele estivesse aqui agora, ela correria para os braços dele. Ela já te falou sobre o Arthur, o homem da vida dela? Você é apenas mais um. Não adianta o quanto você tente, ela um dia vai te deixar.
                Rafael pulou com um gato por cima das pessoas e esmurrou a face sangrenta de Eduardo que desta vez não tentou reagir, apesar das pessoas ao redor que gritavam muito terem o segurado. Sentou-se no meio fio. Eduardo, por um momento, parou de falar. Rafael parou de tentar chegar até o rapaz. Os dois voltaram os olhos para Guilia. Os olhos de Eduardo transbordaram. Ele correu até a menina. Ajoelhou-se bem devagar ao lado dela. Chorou. Ela o encarou e sem pensar passou a mão pelo rosto dele que se desmantelou na mão suave de Guilia. Rafael ficou apenas espreitando qualquer que fosse a reação do louco. Ele não se mexia, apenas olhava para a menina. Passaram-se minutos. Ele interrompeu o silêncio.
- O que há em mim de errado? Por que sofrer à procura de alguém? Eu sempre estive aqui te amando. Conheço todas as tuas manias, teus sonhos, teu humor, tuas paixões, teus medos. Por que não me dá uma chance? Eu sempre soube amá-la do jeito que você é.  (engasgava no próprio choro)
                O rosto de Guilia agora era bastante suave. Sorriu.
- Meu querido, eu amo você. E amo independente do que você pudesse sentir por mim. Amo desde o dia que te conheci. Mas o meu amor por você é aquele eterno, sabe?
- Não entendo, Guilia. Se me ama, por que não me dá uma oportunidade?
- Duda, você não sabe mesmo o que é um amor eterno. O amor eterno é uma amizade, é o amor que nunca morre. Quantas vezes estivemos juntos? Inúmeras. Quantas vezes rimos? Incontáveis. Sabe quando terei isso com outra pessoa? Nunca. Você é especial pra mim, mas não quero perder este sentimento tão nobre com bobagens.
- Guilia, você não sabe o que passa na minha cabeça quando vejo outro te beijando, tocando o seu corpo. A minha vontade é matar. Tirá-la deles a força, te fazer minha. Ser só amigo não adianta. Eu quero você.
- Mas não é assim, Dudu! Olha o que você fez! Machucou a mim, machucou a Luiza e se eu não entro na frente, quem sabe se você estaria vivo agora? Valeria a pena?
- Por você tudo vale a pena.
- Valeria não me ver mais?
- Você não quer me dar uma chance, Guilia. Tudo é melhor que não te ter.
- Não fale assim, Eduardo! Você me tem mais que ninguém. A minha amizade por você é infinita!
- Guilia –suspirou-, coloca uma coisa na sua cabeça: não quero sua amizade. Quero você toda. Quero tocar em você, quero leva-la em meus braços todos os dias para o seu quarto, quero beijá-la, quero estes lábios avermelhados e doces para mim. Quero o seu amor. Não me importa esta tua amizade. Quero você. Se não tenho, nada faz sentido. Nunca fez, mas sempre pensei que um dia você olharia para mim, mas não. Estou totalmente desesperançado.
                Rafael quis intervir na conversa. Guilia interferiu em sua fala.
- Por favor, meu bem. Pode deixar.
                O outro jovem apaixonado silenciou.  Guilia prosseguiu.
- Mas eu só posso te oferecer minha amizade, Dudu. E o que você sente por mim não é amor. É só você olhar ao seu redor que verá pessoas lindas que só precisam de uma oportunidade sua.
                Eduardo levantou.
- É você que eu quero e sempre vou querer. Não quero mais ninguém. E se não posso ter o seu amor, não quero essa sua maldita amizade.
                Pôs-se a andar contra a multidão que abria espaço. As pessoas estavam paralisadas e perplexas. Como poderia isso ser amor? Sem dúvida a pergunta que passava na cabeça de cada um. Pouco a pouco foram deixando o local. Rafael se sentou ao lado de Guilia e Luiza que segurava com força o joelho.
- Meninas, vocês estão bem?
- Não, meu bem. Luiza fraturou o joelho provavelmente. Só não saímos antes por medo dele querer fazer outra coisa.
- E você, amor, está bem?
- Estou com um pouco de dor nos braços, mas estou bem.
- Vou levar as duas então para o hospital, ok?
                Acenaram com a cabeça positivamente e o jovem cortês pegou Luiza no colo, levou-a até o carro e seguiram os três em direção ao hospital mais próximo. Contudo, durante o caminho, após os ânimos mais frios os três pensavam. Cada um em seu íntimo. Luiza pensava em alguma possível lesão que a impossibilitaria de praticar esportes, Guilia pensava na doença de Eduardo, Rafael pensava nas palavras de Eduardo: Quem seria Arthur?

sábado, 21 de julho de 2012


Cap. XVIII
Corações, desilusão, tentativas
parte. II
Eduardo não se conformava. Qual seria a razão dela não o escolher? Ele a amava demais. E isto não seria o suficiente? Pelo visto para Guilia não. Lamentoso, foi para casa. Não dormira. Pensara nela, chorava. A dor em seu peito era muito forte. Eram gritos ásperos corroendo a alma dele, aquele que comportava um amor puro e doce por ela. O dia amanheceu, mas aos olhos de Eduardo ainda era noite. Ele estava petrificado no momento que viu aquelas mãos correndo pelos cabelos dourados de Guilia, ou, quando, passaram pelo rosto dela. Não aguentava de dor. Encolhia-se, tentava esquecer, mas em vão. Nada o faria esquecer. Nada. Levantou-se, abriu a janela. Resolveu uma atitude.
Guilia levantara cedo. Correra para tomar café da manhã. Depois se sentou ao piano e tocou uma música apenas. Estava atrasada para encontrar Luiza e fazer a caminhada matinal que costumavam fazer antes de prosseguirem para a faculdade. Colocavam as conversas em dia, além de respirarem o ar puro da bela vista da orla da praia do Leblon. Ligou para a amiga e remarcou o horário. Arrumou-se com calma. Pegou todas as coisas com calma, mandou uma mensagem avisando a Luiza que estava saindo de casa e desceu. Cumprimentou ou pais e saiu de casa. Sorriu para a rua, esperava um bom dia. Um dia “bom” que não viria. Encontrou na orla Luiza, que morava a cinco minutos da casa da outra jovem. Como de costume, abraçaram-se e sorriram e então começaram a andar. Era um hábito das duas, costumavam dizer que aquela paisagem proporcionava um bom dia, e, de fato, proporcionava, o que não viria a ser exatamente sempre, ou melhor, naquele dia. Enquanto caminhavam tranquilamente conversando, Luiza enxergou um rapaz vindo à direção delas, ao longe.
- Gui, aquele não é o Eduardo?
- Será? Mas ele voltou ontem de viagem, Lu. Não deve ser. Deve estar descansando em casa. Ainda são dez horas da matina, com certeza deve estar dormindo. (riu)
- Amiga, seja lá a hora que ele voltou de viagem, ele está vindo e já nos viu e o rosto dele não é bom.
                Guilia preocupou-se. Será que ele soube do novo relacionamento? – Pensou a menina. Todos tinham medo daquele amor que Eduardo sentia. Era possessivo, quase doentio, por isso todos esconderam, mas  o que se precisava naquele momento era se esconder. Inconfundivelmente era Eduardo, pois aquele andar ninguém jamais tivera. Era de um ar elegante e ao mesmo tempo frágil, menino, apesar de sua idade.
- Lu, é ele!
- É, amiga, e, pela cara dela, não está nada bem. Será que ele soube?
- Vire esta boca pra lá, amiga! Sabe-se lá o que ele faria.
- Então pense em outro motivo para ele estar acordado a esta hora e com um rosto transtornado, mas pense rápido porque estamos a dez passos dele.
- Meu Deus! O que eu faço?
- Deixe comigo. Vamos passar como se não o tivesse visto ou eu falo alguma coisa.
- Tudo bem.
                Ele ser aproximou e Luiza começou a falar alto e bastante descontraída para fingir, apenas, que elas passaram despercebidas. Não adiantou. Eduardo parou na frente de Guilia. O rosto dele estava transtornado, perplexo, assustador. Encarou a moça com um olhar mórbido, tenebroso o bastante para tirar qualquer álibi de Luiza ou qualquer olhar terno de Guilia. Amedrontou-as olhá-lo. Ele não falava nada.  A jovem de olhos oblíquos quebrou o silêncio.
- Olá, Dudu! Como foi a viagem? Estava com saudades.
                Fixou os olhos dentro dos olhos da menina. Aproximou-se.
- É mesmo, Guilia? Estava com saudades?
- Estava Dudu. Quando foi que menti para você?
                Ele se aproximou ainda mais. Segurou os braços da menina.
- Sempre.
- Eduardo, me solta! Você está me machucando.
- Estou, Guilia?
- Unhum. Pode me soltar?
- O que você está sentindo não é o mínimo do que você me faz sentir.
                Luiza interferiu. Pegou na mão do garoto e tentou puxar para que soltasse a amiga. Não conseguiu. Levou um empurrão.
- Saia daqui garota.
                Puxou Guilia para perto do corpo dele. Começou a gritar.
- Sabe o que você faz comigo? É isso. Me machuca, me destrói. Por que só eu que não tenho oportunidade, garota? Por que  você nunca me deu uma chance? Por quê?
- Dudu, você está me machucando.
- É para machucar! (gritou)
                Eduardo começou a chorar. Gritava como um louco e mantinha Guilia presa em seus braços.
- Eu sempre te amei, Guilia. Faria qualquer coisa por você e você sabe disto. E o que você pensa sobre isto? Nada. Não se importa. Prefere dar oportunidade a esses idiotas que só te fazem sofrer. Você é medíocre Guilia. Um nojo de garota. Sempre pensei que você fosse boa, mas não. Não é. Deu oportunidade ao Arthur enquanto eu estive ao seu lado. E agora aquele babaca que você estava beijando no seu portão ontem.
- Você esteve lá ontem? (chorando)
- Sim. Com flores, mas você estava nos braços de outro.
- Eduardo, a gente não escolhe por quem se apaixona.
- E eu sei disso mais que ninguém! Te dei todo meu carinho, Guilia, todo meu amor. Fiz de tudo por você. Abri mão de tempos para estudar com você, para ouvi-la tocar, para apenas te olhar e o que você fez? Pisou. Maltratou. E agora está chorando porque estou te segurando. Que frágil você! Queria que você sentisse o que eu estou sentindo agora.
- Meu amigo...
                Guilia tentou falar, mas Eduardo interrompeu.
-  Não sou seu amigo, sua vagabunda!
                Luiza correu para puxá-lo e levou um empurrão que a jogou no chão. Machucou-a.  Guilia o encarou.
- Você acha que isso é amor? Isso é doença. E isso eu desprezo. Não tenho vontade de ficar com você, porque você é um miserável, medíocre que não se valoriza. Mimado, egoísta. Eu nunca vou ser sua.
- É? Tem certeza?
- Tenho! (encarando-o)
                Apertou-a nos braços e a beijou num beijo de dor. Ela trancou os lábios. Ele forçou. Guilia sacudia e chorava. Por acaso, Rafael passava de carro neste momento. Parou e correu em direção aos três. Muitas pessoas estavam paradas sem fazer nada, apenas olhando a cena. Rafael empurrou as pessoas e chegou ao local. Puxou Guilia, tirou-a das mãos de Eduardo que furioso gritou:
- Você é o novo babaquinha que essa vagabunda está usando?
- Olha lá, moleque como você fala da minha namorada!
-Ah! Claro! Você é mais um idiota mesmo. Tem de ser. Vai aturar até quando?
- Garoto, vaza daqui.
- O que você vai fazer? Chorar igual a essa vadia?
                 Rafael perder o controle. Deu um soco no rosto de Eduardo que desmoronou do alto de seus  1,90cm. O rapaz não parou de bater. Eduardo esboçou reação, mas o ódio de Rafael era tanto que sacou arma, até que Guilia entrou na frente e gritou:
- Pára!! Por favor! Pára por aqui!
- Mas, amor, ele te machucou?
- Mas isso não quer dizer que ele precisa ser machucado. Ele é um pobre coitado.
                As pessoas interviram também. Seguraram Rafael e outros Eduardo. Os ânimos alterados eram unânimes, mas nada doía mais que a dor no peito de Eduardo, ou, a dor dos braços apertados de Guilia.  

sexta-feira, 20 de julho de 2012


Cap. XVIII
parte I
Corações, desilusão, tentativas
Foram dois meses passando grandes momentos. A lua não apareceu e quando aparecia na varanda de Guilia era quando a menina já estava na cama. Invadia por um momento com seus raios frios o quarto da moça, mas logo o deixava por não encontrar os olhos daquela que sempre a procurava. Foram dias alegres, quer dizer, menos tristes, cicatrizantes seria a palavra ideal. Mas não para Eduardo. Até então, ninguém havia falado para o rapaz. Luiza e Guilia mantiveram a discrição e os pais de Guilia igualmente, pois todos sabiam que da paixão platônica que o rapaz guardara desde o momento que conheceu os olhos oblíquos mais bonitos que existiu na vida de Eduardo. Destes dois meses, Eduardo saiu em viagem a negócios. Ligara pelo menos duas vezes na semana e mandara mensagens todos os dias para sua amada. Não havia como esquecê-la, pelo menos para ele não. Contudo, assim que voltou, após dois longos meses apenas recebendo mensagens depois de dois ou três dias, ele descansou pela manhã e à noite correu para a porta de sua musa inspiradora. Gostaria de lhe tocar algo ou sequer cantar, mas não conseguiria, pois tamanha era a emoção de revê-la. Ao chegar próximo ao portão do condomínio enxergou uma menina muito parecida com Guilia.
- Seria ela? Não poderia ser! Está com um rapaz! Seria Arthur? Acho que não. Arthur é um pouco mais baixo. Não pode ser ela.
                Aproximou-se mais um pouco e sim, era ela. Era Guilia e Rafael abraçados, sorrindo mutuamente. Eduardo ficou perplexo. Abaixou a mão em desespero com as rosas vermelhas despencando para chão, as rosas que sua menina mais gostava.  Lágrimas lhe pularam dos olhos.
                - Eu não posso acreditar.  É outro.
                Sentou no chão e ficou dali olhando para ela nos braços de outro homem que não era ele, nem Arthur. Amassava o resto das rosas. Chorava. Engasgava-se de dor. Permaneceu sentado até que Rafael a deixou e ela entrou.  Sem forças, levantou. Fraquejando lhe as pernas, caminhava em direção à praia. Desnorteado, na verdade.  Sentou-se na areia. Arremessou ao mar o caule das flores (sim, porque despedaçara cada pétala da rosa) e recordava com tristeza de cada momento ao lado de Guilia.  Urrou de dor. Só o mar o ouviu. E ali passou horas lamentando e chorando de um choro convulso, doloroso, desiludido
Cap. XVII
parte III
pedido

                Aquela tarde inesquecível teria sido o sonho daquela noite para Rafael. Apesar do alto da sua maturidade, jamais tivera vivido algo tão intenso e tão simples daquele jeito. Era amor. Só poderia ser.
                Guilia apenas sorria. Era um sorriso tão contagiante que até se o céu tivesse permissão, lhe sorriria também de tão expressivo que era. Dormiu em um sono tão delicioso de olhar que dava vontade de sonhar também. Entretanto, apesar de sentir tudo isto, ainda não esquecera Arthur, que, por um momento, não estava por perto, mas apenas por um momento. Assim que acordou, foi à varanda, suspirou o ar fresco daquela manhã ensolarada e voltou para o quarto. Bateram na porta, Guilia atendeu.
- Filha, tem visita para você lá embaixo.
- Quem é?
-Desce pra ver, garota.
                Colocou o hobby e desceu. Era apenas um rapaz desconhecido com flores. Ela sorriu. Pegou as flores e leu o cartão que dizia:
“ Quero conquista-la todos os dias., pois só de pensar nos teus olhos. São conquistado, mesmo à distância. Você me faz um homem melhor e eu quero fazê-la a mulher mais feliz deste mundo, custe o que custar.
Um dia, alguma dia, nosso momento é agora.
Com carinho do seu eterno apaixonado,
Cortez.”

                Inspirou alegremente a fragrância das rosas e as colocou na água em seu quarto. Correu para o celular e imediatamente mandou uma mensagem para Rafael.
                “ Nunca fui acordada com uma surpresa tão boa quanto flores. Elas têm o seu cheiro. Cheiro de felicidade. Cheiro eterno, cheiro seu. Obrigada, meu bem. Com carinho, Guilia Fernandes”
                Rafael não demorou a responder.
                “ Elas exalam o que eu sinto por você. Não há mais a dizer. Você é a mulher da minha vida.”
                Guilia estremeceu, mas ficou alegre. Alguém a amava e isso era bom. A princípio, retribuir era difícil, mas  –pensava Guilia-, não seria impossível.  Correra para o diário posto e nunca retirado da mesa. Escrevera.
                Este foi o primeiro de muitos momentos felizes ao lado de Rafael. Todos os dias era uma nova emoção e assim se passaram dois meses muito felizes.
Cap. XVII
parte II
O pedido 
Cap. II
Ele a levou até a porta do condomínio. Abraçou-a e a olhou com o um sorriso muito terno. Beijou-a com todo o calor da emoção que tinha dentro do peito.  Era amor que exalava de Rafael.  Após um longo e terno beijo, sorriu e disse que iria embora.
- Estou indo, meu bem. Obrigada por me dar a melhor resposta do mundo. Vou honrá-la enquanto puder.
- Obrigada pelos momentos de hoje. Não os esquecerei.
 O rapaz pegou a mão da menina e beijou e então começou a caminhar olhando para ela.
- Você vai cair, menino! Vira para frente e anda direito!
                Rafael gritou:
-Não posso! Você me enfeitiçou! Cada minuto que perco sem te olhar, é uma eternidade para mim!
Ela sorriu num sorriso generoso e gracioso. Sorriso este que Rafael levaria para a posteridade.

                A linda moça entrou em sua casa entre suspiros e sorrisos. Subiu pra seu quarto. Antes de qualquer coisa, pegou aquela espécie de diário que mais eram relatos de suas angústias, alegrias e Arthur. Sentou-se em sua varanda e pôs-se a relatar tudo que houvera acontecido. Era sim um princípio de bons sorrisos.
Observação:
Desde que aderiu ao diário,
Narrou todos os seus momentos.
Olhou para o céu: muitas estrelas, mas a lua naquele dia não apareceu. Sinal de ausência. Ausência de Arthur. Sorriu. Por alguns minutos deu risadas e escreveu seu pensamento:
                - Nunca pensei que poderia esquecê-lo por mais de um minuto e consegui isto por horas. Obrigada, vida. Obrigada, Rafael.
Após escrever correu para o telefone. Ligou para Luiza.
-Amiga?
- Guilia?
- Sou eu!
- Pode me contar todos os detalhes, mocinha!
- Estou namorando!
-Como assim, garota? Dá pra contar todos os detalhes ou está difícil? (Gargalhou)
                Guilia então contou passo a passo todos os pequenos e grandes detalhes daquela tarde e quando, por fim, terminou aquele venturoso dia, Luiza falou:
- Até a mim esse rapaz conseguiu surpreender. Eu não esperava!
- Se você não esperava, imagine-me?
- Amiga, mas você gostou?
- Posso te confessar uma coisa? Ele me deixou sem chão. É  graça de rapaz. Faz sentir-me bem, querida, mulher. E, por alguns instantes,  tirou dos meus pensamentos o Arthur.
- Isso é bom, amiga. Estou gostando deste rapaz.
- Eu também. Ele é simples e educado. Tem um sorriso lindo que me faz esquecer o mundo.
- Sinal de uma paixão?
- Não sei, mas sinal de uma doce companhia.
                E conversaram por horas. Eram detalhes, risadas, conselhos e felicidade. Era o resumo de um dia que ficaria na memória durante toda uma vida, ou melhor, duas vidas.

sexta-feira, 13 de julho de 2012


Cap. XVII
parte I
O pedido

Acelerado. Era o primeiro momento que por fração de segundos esquecera a existência de Arthur. Fora mágico, basicamente surreal. Contudo, ao abrir os olhos a imagem que estava em sua frente era o sorriso daquele que a havia deixado. Estremeceu e gradativamente se esvaiu aquela forma e se encheu os olhos da pobre menina aqueles lábios e olhos apaixonados de Rafael. Voltou a sorrir.  As mãos eram geladas. O sorriso trêmulo. O olhar desconcertado e todo este conjunto enchia o coração do nobre rapaz. Pegou-a pela mão.
- Venha comigo!
- Para onde?
-Confia em mim?
- Como assim, Rafael?
- Só me diga. confia?
- Confio.
- Então venha.
Saíram correndo do restaurante. O destino já estava traçado pela vida e pelo Cortez, mas Guilia ainda encontrava-se perdida. Foi ao lugar onde vira a doce moça pela primeira vez. Exatamente no local que a abordou e enfim parou.
- O que estamos fazendo aqui, Rafa?
- Acho que aqui é o melhor lugar!
- Para quê, seu doido?
- Para isso.
                Ajoelhou-se na areia. Os banhistas olharam assustados e prestaram atenção ao estranho casal.
- Guilia, nunca uma mulher me fez tão feliz como você me faz só por existir.  Eu não penso em outra coisa, nos meus afazeres, o meu mundo parou no momento em que te vi pela primeira vez sorrindo para o mundo. Não consigo tirá-la da cabeça porque você é, simplesmente, o sonho que alimentei por tanto tempo. Não quero perder a realização deste maravilhoso sonho. Eu sei que não sou o primeiro em sua vida, mas se você me der uma oportunidade, tenho certeza que posso te fazer feliz só porque você me faz muito, muito feliz. Um homem realizado apenas com sua existência. Faça-me mais feliz. Namora comigo!
                Guilia ficou totalmente perplexa. Não esperava. Lentamente com os olhos transbordando se ajoelhou em frente a Rafael. Seus olhos a denunciavam. Rafael segurou sua outra mão, colocou-as em seu peito.
- Está vendo isso aqui? Só funciona porque você me motiva, me inspira, me dá vida. O que eu te peço não é para me amar, ou, sequer, para sentir o que eu sinto. Eu só te peço uma chance, por pequena que seja. Uma chance, minha ninfa. Uma pequena chance.
                Tirou as mãos do peito do rapaz. Colocou-as no rosto do mesmo. As pessoas olhavam aturdidas e esperançosas pela resposta de Guilia. Sorriu.
- Eu te daria quantas chances fossem necessárias.
- Isso é um ”sim”?
- Não. Isso é um “eu aceito”!
                Rafael gargalhou. Abraçou a amada e a beijou intensamente. As pessoas, muitas delas emocionadas, choravam e aplaudiam. Ele a pegou no colo e rindo rodava com a mulher de sua vida nos braços.
- Vou te fazer feliz. Eu prometo. Prometo muito. Vou ser o melhor na sua vida. Obrigado por me deixar mergulhar em você, minha linda. Obrigado!

terça-feira, 10 de julho de 2012


     Cap. XVI
-Encontro marcado-
Parte III

                Almoçando, conhecendo, vivendo. Assim foi o almoço entre os dois. Guilia, retraída e ao mesmo tempo livre, conversava como mulher e menina, um misto de personalidades que invadia os pensamentos de Rafael e o enfeitiçava.
- Eu espero ter agradado, Guilia.
- Claro! Quem não deslumbraria com um restaurante todo regado de pétalas, piano e um almoço maravilhoso? Impossível.
- Você merece.
                Segurou a mão dela que estava solta na mesa. Sorriu e disse:
- Nunca me encantei tanto com alguém. Melhor: nunca alguém conseguiu me encantar tanto.
- Que isso!
- Menina, eu não sei o que você está fazendo comigo, aqui dentro de mim, a única coisa que eu sei é que quero você. Quero estar com você não só por alguns minutos, mas sim por toda minha vida. Quero eternizar este momento dentro de mim.
                Ela não disse nada. Abaixou a cabeça. Olhou-o.
- Guilia, ao passo que te quero perto, quero ser seu sorriso ou, ao menos, a motivação dele, mas quando olho nos seus olhos me perco em um lago escuro, sombrio, como se fosse resquícios de um passado que é tão presente que dá medo. O que há de errado nestes teus olhos, menina? O que incomoda teu coração?
- Não é nada, Rafael. Estou bem.
- Eu sei que está agora. Mas quando você fica sozinha este lago domina teus pensamentos, não é? Será que posso mergulhar nisso e não me afogar?
- Tenho marcas de um passado que me deixaram assim, com os olhos assim.
- Mas é assim tão sombrio? Como me arriscar a mergulhar?
- Que história é essa de lago sombrio. Que história é essa de mergulhar?
                Rafael levantou num ímpeto só. Virou a cadeira de Guilia para ele. Ajoelhou-se.
- Mergulhar é isto, menina.
                Colocou suas mãos no rosto da moça e sem deixa-la falar, deu-lhe um beijo caloroso, afetuoso, amoroso. Soltou-a devagar olhando dentro dos olhos dela cujos olhos mantinham-se arregalados, mas num arregalar bom. Ele respirava aquele gosto. Gosto sempiterno.  Segurou as mãos de Guilia.
- Deixe-me mergulhar. Mergulhar em você.