segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Cap. XX
Desabafo, telefonemas, novas mensagens e despedidas.
parte I
Chegaram à casa de Luiza e o belo rapaz cortês ajudou-a a subir até o quarto juntamente com o pai da moça. Guilia esperou por Rafael na varanda da casa. O delegado, após a caridade, desceu imediatamente para encontrar a amada.
- Minha linda, já estou aqui.
- Rafa, vou ficar um pouco com a Luíza. Precisamos conversar sobre os procedimentos diários dela. Você se importa?
                Rafael sorriu.
- Não há problema algum. Quem não quer ter uma amiga como você, meu amor?
- É minha obrigação.
- Você é linda!
                Ela o abraçou, ele a beijou numa força contida de ansiedade.
- Vemo-nos à noite?
- Claro, Rafa.
                               Descendo as escadas lembrou de algo:
- Gui, falaremos do assunto mais tarde, ok?
                               Gulia sorriu. Virou-se com olhos brilhantes. Não era felicidade. Eram lágrimas. Entrou na casa e subiu para o quarto de Luiza.
                - Amiga, posso entrar?
                - Só não vou abrir a porta porque não posso! (riu)
                               Gulia entrou. Luiza parou de rir.
- O que houve, Gui?
                               Guilia derramava lágrimas. Sentou-se na beirada da cama e falou:
- Rafael me pediu em casamento.
                Luiza ergueu o corpo com bastante dificuldade por conta da lesão, juntou o cenho.
- Como assim, amiga?
- Pediu, Lu. Lá no hospital. Ele foi transferido para o Sul e quer que eu vá com ele.
- Uau, Gui! E o que você respondeu?
                               Guilia engasgava no próprio choro.
- Eu não respondi.
                               Luiza se assustou.
- Você não respondeu e ele aceitou numa boa?
- Amiga, ele sabe do meu coração. Ele sabe que a melhor coisa foi não responder, mas agora, antes de subir para seu quarto, ele falou que mais tarde conversaríamos.
                Luiza acenou para que ela chegasse mais perto e a menina recostou a cabeça no colo da amiga que acarinhava seus cabelos.
- É o Arthur ainda, não é?
                A menina dos olhos cor de folha levantou a cabeça, ergueu-se, chorou. Andou pelo o quarto, olhou para a amiga e disse:
- Como posso me casar amando outro, amiga? Como posso pensar em deitar todos os ao lado de quem eu não amo? Como deixar este alguém me tocar pensando em outro? Só de pensar nisto, a minha alma desfalece. E eu queria amá-lo, mas não dá.  Como eu queria exterminar este sentimento de mim, mas não adianta, eu não consigo.
- E ele sabe disso?
- Quem?
- O Rafael, é claro.
- Saber, ele sabe, amiga, mas prefere não entender. Ele mesmo disse que o amor dele superaria a ausência do meu.
                Luiza arregalou os olhos.
- Amiga, esse cara ama você de verdade. Ele não é um fanfarrão que quer brincar com seu coração, como fez o Arthur. Ele quer você bem.
- Eu sei, Lu. Mas você acha justo alguém tão bom quanto ele se casar com alguém que não o ama? Que provavelmente vai deitar todos os dias pensando em outro e nas razões deste outro ter se ausentado? Ou ainda, que é pior, pensar no beijo desse outro. Ele merece? Não merece!
- E o que você está fazendo com ele agora, Guilia? Alimentando esperanças. Dando chances dele acreditar que um dia você poderá sentir o mesmo. Ele tem você, nem que seja pela metade e isso é suficiente para ele, mas me diga, é suficiente para você ser de alguém pela metade, ou melhor, ser um pouco de alguém?
                Guilia voltou para o colo acolhedor da amiga.
- Tudo que eu queria, Luiza, era amar o Rafael. Olhar para ele e me ver.
- Tudo o que você queria é que o Arthur fosse o Rafael. Mas não é. Pare de tentar projetá-lo numa pessoa que é muito melhor. Aceite a realidade, minha amiga. Ele foi embora e você é forte o suficiente para saber disso. O Rafael não tem características do Arthur e por isso que você não consegue amá-lo.
                Guilia suspirava.
- E o que fazer agora?
- Conversar com o Rafael.
                E quando Guilia iria argumentar, seu celular sinalizou uma mensagem.
                “ Cara Guilia,
Teus olhos me despertam uma curiosidade que não tenho como me ater preso ao chão.  Desconcerto-me em pensar na tua imagem aturdida ou risonha. Você é um misto de sensações e emoções que exploram em mim uma vivacidade extraordinária, nunca antes sentida. Perdoe-me por atrapalhar seu final de dia, mas quero que saiba meu número e saiba de mim. Sou mais um que entrou sem permissão na sua vida, nem que seja de telespectador.
Beijos, minha querida.
Luiz Carlos.”

As duas leram a mensagem e olharam com olhos arregalados uma para a outra. Riram. Luiza disse:
- Mais um não, amiga! O que você tem? Mel? É impossível! Até o meu médico?
                - Amiga, eu te juro que não procurei esse maluco e nem dei o meu número! (risos)
                - Mais ele é legal, Gui!
                - Poupe-me de suas graças, Luiza! Já tem gente demais na minha vida. Ele é que fique de telespectador ou desapareça. Mais um não!
                               Luiza ria convulsivamente no instante que o celular de Guilia tocou. A menina correu para pegar o celular e o número era restrito, mas ao atender percebeu que voz do outro lado era conhecida.
Cap. XX
Desabafo, telefonemas, novas mensagens e despedidas.
parte I
Chegaram à casa de Luiza e o belo rapaz cortês ajudou-a a subir até o quarto juntamente com o pai da moça. Guilia esperou por Rafael na varanda da casa. O delegado, após a caridade, desceu imediatamente para encontrar a amada.
- Minha linda, já estou aqui.
- Rafa, vou ficar um pouco com a Luíza. Precisamos conversar sobre os procedimentos diários dela. Você se importa?
                Rafael sorriu.
- Não há problema algum. Quem não quer ter uma amiga como você, meu amor?
- É minha obrigação.
- Você é linda!
                Ela o abraçou, ele a beijou numa força contida de ansiedade.
- Vemo-nos à noite?
- Claro, Rafa.
                               Descendo as escadas lembrou de algo:
- Gui, falaremos do assunto mais tarde, ok?
                               Gulia sorriu. Virou-se com olhos brilhantes. Não era felicidade. Eram lágrimas. Entrou na casa e subiu para o quarto de Luiza.
                - Amiga, posso entrar?
                - Só não vou abrir a porta porque não posso! (riu)
                               Gulia entrou. Luiza parou de rir.
- O que houve, Gui?
                               Guilia derramava lágrimas. Sentou-se na beirada da cama e falou:
- Rafael me pediu em casamento.
                Luiza ergueu o corpo com bastante dificuldade por conta da lesão, juntou o cenho.
- Como assim, amiga?
- Pediu, Lu. Lá no hospital. Ele foi transferido para o Sul e quer que eu vá com ele.
- Uau, Gui! E o que você respondeu?
                               Guilia engasgava no próprio choro.
- Eu não respondi.
                               Luiza se assustou.
- Você não respondeu e ele aceitou numa boa?
- Amiga, ele sabe do meu coração. Ele sabe que a melhor coisa foi não responder, mas agora, antes de subir para seu quarto, ele falou que mais tarde conversaríamos.
                Luiza acenou para que ela chegasse mais perto e a menina recostou a cabeça no colo da amiga que acarinhava seus cabelos.
- É o Arthur ainda, não é?
                A menina dos olhos cor de folha levantou a cabeça, ergueu-se, chorou. Andou pelo o quarto, olhou para a amiga e disse:
- Como posso me casar amando outro, amiga? Como posso pensar em deitar todos os ao lado de quem eu não amo? Como deixar este alguém me tocar pensando em outro? Só de pensar nisto, a minha alma desfalece. E eu queria amá-lo, mas não dá.  Como eu queria exterminar este sentimento de mim, mas não adianta, eu não consigo.
- E ele sabe disso?
- Quem?
- O Rafael, é claro.
- Saber, ele sabe, amiga, mas prefere não entender. Ele mesmo disse que o amor dele superaria a ausência do meu.
                Luiza arregalou os olhos.
- Amiga, esse cara ama você de verdade. Ele não é um fanfarrão que quer brincar com seu coração, como fez o Arthur. Ele quer você bem.
- Eu sei, Lu. Mas você acha justo alguém tão bom quanto ele se casar com alguém que não o ama? Que provavelmente vai deitar todos os dias pensando em outro e nas razões deste outro ter se ausentado? Ou ainda, que é pior, pensar no beijo desse outro. Ele merece? Não merece!
- E o que você está fazendo com ele agora, Guilia? Alimentando esperanças. Dando chances dele acreditar que um dia você poderá sentir o mesmo. Ele tem você, nem que seja pela metade e isso é suficiente para ele, mas me diga, é suficiente para você ser de alguém pela metade, ou melhor, ser um pouco de alguém?
                Guilia voltou para o colo acolhedor da amiga.
- Tudo que eu queria, Luiza, era amar o Rafael. Olhar para ele e me ver.
- Tudo o que você queria é que o Arthur fosse o Rafael. Mas não é. Pare de tentar projetá-lo numa pessoa que é muito melhor. Aceite a realidade, minha amiga. Ele foi embora e você é forte o suficiente para saber disso. O Rafael não tem características do Arthur e por isso que você não consegue amá-lo.
                Guilia suspirava.
- E o que fazer agora?
- Conversar com o Rafael.
                E quando Guilia iria argumentar, seu celular sinalizou uma mensagem.
                “ Cara Guilia,
Teus olhos me despertam uma curiosidade que não tenho como me ater preso ao chão.  Desconcerto-me em pensar na tua imagem aturdida ou risonha. Você é um misto de sensações e emoções que exploram em mim uma vivacidade extraordinária, nunca antes sentida. Perdoe-me por atrapalhar seu final de dia, mas quero que saiba meu número e saiba de mim. Sou mais um que entrou sem permissão na sua vida, nem que seja de telespectador.
Beijos, minha querida.
Luiz Carlos.”

As duas leram a mensagem e olharam com olhos arregalados uma para a outra. Riram. Luiza disse:
- Mais um não, amiga! O que você tem? Mel? É impossível! Até o meu médico?
                - Amiga, eu te juro que não procurei esse maluco e nem dei o meu número! (risos)
                - Mais ele é legal, Gui!
                - Poupe-me de suas graças, Luiza! Já tem gente demais na minha vida. Ele é que fique de telespectador ou desapareça. Mais um não!
                               Luiza ria convulsivamente no instante que o celular de Guilia tocou. A menina correu para pegar o celular e o número era restrito, mas ao atender percebeu que voz do outro lado era conhecida.

Cap. XIX
Olhos, encontros, desencontros e notícias.

Cap. V -Parte II         
        
Luiza estava assistindo ao jogo de Vôlei, no instante que Rafael e Guilia entraram no quarto.
                - Gui! Você por aqui? (riu)
                - Não somente por aqui, mas com uma notícia ótima!
                - Qual? Conta!!!
                - Você está de alta, amiga! Já posso te levar para casa!
                               Luiza congelou. Gostaria de gritar ou saltar dali, mas não podia por conta da instância, logo sua reação foi a mais óbvia: chorar. Guilia a abraçou e Rafael seguido do dono dos olhos mais azulados, doutor Luiz Carlos que interrompeu o momento único das amigas.
                - Mas, isso não quer dizer, Luiza, que você irá pulando para casa! Você fará fisioterapia durante um tempo.
                -  Só de sair daqui e ir dormir no meu quarto, com meu cheiro, eu já estou muito feliz.
                - Sua recuperação foi incrível, como disse para Guilia,e, com certeza, esta nova etapa você vai tirar de letra.
                               Rafael olhou para Guilia que de imediato entrou na história.
                - O doutor falou isso e concordo com ele, amiga! Você é demais! (sorriu)
                               A alegria saltava nos olhos de Luiza. O alívio fluía nos olhos de Guilia por dois motivos: sua amiga retornaria para casa e o ensejo lhe proporcionava tempo para fugir da pergunta de Cortez, enquanto os olhos de Rafael pulsavam ansiedade e receio ao passo que os de Luiz Carlos brilhavam curiosidade.
                               Luiza saiu pelos corredores em uma cadeira de rodas para evitar forçar a lesão e neste meio tempo, os olhos azuis que tanto espreitavam, tomou partido.
                - Guilia, posso falar um minuto com você?
                - Claro, doutor.
                - Só queria que você soubesse que se você precisar de um ombro amigo eu estarei aqui. Eu sei que você deve achar estranho da minha parte dizer isto, mas estou falando do meu coração. Observei você durante este tempo aqui e você é uma mulher que inspira confiança e admiração.
                               Guilia não sabia o que dizer. Encarou-o, enquanto ele sorria.
                - Não ache que sou maluco, apesar de ser um pouco, pois de médico e louco todo mundo tem um pouco e eu posso dizer isso de carteirinha.  (riu)
                               A menina sorriu.
                - Pode deixar. Muito obrigada pela gentileza.
                               Rafael olhou para trás. O jovem médico reparou e disse:
-Seu amigo está te esperando. Peguei seu número na recepção, posso te ligar para conversarmos?
- Ele é meu noivo...Quer dizer, namorado.
- Como assim? Noivo? Você não usa aliança.
- Deixe isso para lá.
                Rafael se aproximou e Guilia mudou de assunto imediatamente.
- Com certeza, doutor. Vou ficar de olho nela, nas restrições que você me passou. Muito obrigada!
                Rafael apertou a mão do médico que acenou positivamente com a cabeça. E assim deixaram um pedaço de sua história ali e Guilia levou um pedaço da história daquele lugar: misteriosos olhos azuis que a espreitavam.

Cap. XIX
Olhos, encontros, desencontros e notícias.

Cap. V -Parte II         
        
Luiza estava assistindo ao jogo de Vôlei, no instante que Rafael e Guilia entraram no quarto.
                - Gui! Você por aqui? (riu)
                - Não somente por aqui, mas com uma notícia ótima!
                - Qual? Conta!!!
                - Você está de alta, amiga! Já posso te levar para casa!
                               Luiza congelou. Gostaria de gritar ou saltar dali, mas não podia por conta da instância, logo sua reação foi a mais óbvia: chorar. Guilia a abraçou e Rafael seguido do dono dos olhos mais azulados, doutor Luiz Carlos que interrompeu o momento único das amigas.
                - Mas, isso não quer dizer, Luiza, que você irá pulando para casa! Você fará fisioterapia durante um tempo.
                -  Só de sair daqui e ir dormir no meu quarto, com meu cheiro, eu já estou muito feliz.
                - Sua recuperação foi incrível, como disse para Guilia,e, com certeza, esta nova etapa você vai tirar de letra.
                               Rafael olhou para Guilia que de imediato entrou na história.
                - O doutor falou isso e concordo com ele, amiga! Você é demais! (sorriu)
                               A alegria saltava nos olhos de Luiza. O alívio fluía nos olhos de Guilia por dois motivos: sua amiga retornaria para casa e o ensejo lhe proporcionava tempo para fugir da pergunta de Cortez, enquanto os olhos de Rafael pulsavam ansiedade e receio ao passo que os de Luiz Carlos brilhavam curiosidade.
                               Luiza saiu pelos corredores em uma cadeira de rodas para evitar forçar a lesão e neste meio tempo, os olhos azuis que tanto espreitavam, tomou partido.
                - Guilia, posso falar um minuto com você?
                - Claro, doutor.
                - Só queria que você soubesse que se você precisar de um ombro amigo eu estarei aqui. Eu sei que você deve achar estranho da minha parte dizer isto, mas estou falando do meu coração. Observei você durante este tempo aqui e você é uma mulher que inspira confiança e admiração.
                               Guilia não sabia o que dizer. Encarou-o, enquanto ele sorria.
                - Não ache que sou maluco, apesar de ser um pouco, pois de médico e louco todo mundo tem um pouco e eu posso dizer isso de carteirinha.  (riu)
                               A menina sorriu.
                - Pode deixar. Muito obrigada pela gentileza.
                               Rafael olhou para trás. O jovem médico reparou e disse:
-Seu amigo está te esperando. Peguei seu número na recepção, posso te ligar para conversarmos?
- Ele é meu noivo...Quer dizer, namorado.
- Como assim? Noivo? Você não usa aliança.
- Deixe isso para lá.
                Rafael se aproximou e Guilia mudou de assunto imediatamente.
- Com certeza, doutor. Vou ficar de olho nela, nas restrições que você me passou. Muito obrigada!
                Rafael apertou a mão do médico que acenou positivamente com a cabeça. E assim deixaram um pedaço de sua história ali e Guilia levou um pedaço da história daquele lugar: misteriosos olhos azuis que a espreitavam.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012


Cap. XIX
Olhos, encontros, desencontros e notícias.

Cap. V
Enquanto Rafael sorria para a menina, ela simplesmente pensava. Que pedido poderia ser para transformar qualquer distância em presença? Não Existia. A não ser... O rapaz sentado naquele ambiente hospitalar  tinha em seus olhos o maior amor do mundo e sem pensar disse:
- Guilia, apesar da minha idade, eu nunca amei alguém como eu amo você. Ninguém me fez feliz como você faz.  Eu não queria que fosse aqui, neste local, mas o que você me faz sentir perpassa o lugar.
                Guilia estava pálida, podia pressentir a próxima fala. Não conseguiria impedir. Silenciou.
- Meu amor – ajoelhou-se-, casa comigo?
                Estendeu-lhe uma rosa vermelha e entre as pétalas estava a aliança.
                A menina amada por todos que a cercava, mas que amara apenas um, não teve reação. Emudeceu e pasmou. Pensou por um momento em toda a sua vida. Pensou em Arthur. Como aceitar um pedido de tamanha valia se bem lá no fundo de seu peito, ainda há esperanças do retorno de Arthur? Como não aceitar um pedido de quem só a quer bem e a amou mesmo sabendo que possivelmente nunca será correspondido? A dúvida sobreveio o pensamento de Guilia como a sombra no jardim daquele hospital. Ao redor tudo escurecia, dentro do peito da menina acontecia uma sombra também. O que dizer neste momento se nem eu sei o que fazer?
                Ao olhar a expressão de Guilia o coração de Rafael gelou. Ela não aceitaria. O que fazer? O que dizer? Os olhos cortês e viris se encheram de lágrimas e sem deixar transparecer sua fragilidade, procurou palavras para não ouvir aquilo que não queria ouvir.
- Meu amor, você não precisa me responder agora. Na verdade, não precisa se casar comigo agora, neste momento – deu um sorriso amarelado-, pode me responder depois ou nem precisa, só não me abandone. Eu não quero perder você e pensei que fosse melhor se fôssemos os dois para lá.
                Guilia permanecia imóvel olhando para a rosa. Rafael desesperava-se.
- Guilia, pode falar!
- Rafael, na verdade, eu...
                Rafael chorou. Pegou na mão da menina e falou:
- Lembra que eu disse que não queria enxergar? Então. Eu não quero. Não me faça enxergar nada. O meu amor supera a ausência do seu. Por favor, eu te imploro. Nem precisa me responder, mas não diga.
                Os olhos oblíquos e frios de sua menina o feria, mas era melhor pensar que eles eram assim para todos e não que existia um alguém que aquecia aqueles olhos cor de folha.
                Guilia interrompeu o próprio silêncio.
- Você é a melhor pessoa que eu conheço, Rafa.
- Eu te amo, Guilia. Eu te amo demais para te perder.
                Ela sorriu e o abraçou. Ele suspirou aliviado, mesmo que soubesse da não retribuição de sua fala. Após o abraço, os olhos menos tempestivos de Guilia sinalizavam o conforto naquele coração, assim, com o coração ameno, exclamou:
- Vamos dar as boas novas a Luiza!
- Boas novas?
- Sim.
- Qual?
- A que ela terá alta hoje.
                Rafael por um momento teve a vã esperança que seria a aceitação do seu pedido.
- Tudo bem. Vamos.
                Sorriram mutuamente e o jovem delegado pegou na mão de sua eterna menina e caminharam espreitados pelos olhos azuis.

domingo, 12 de agosto de 2012


Cap. XIX
Olhos, encontros, desencontros e notícias.
Parte IV
                Rafael aproximou-se lentamente, analisava friamente a situação. Enquanto isto, num abraço de partilha de dor, Eduardo e Guilia choravam abundantemente. Guilia saiu daquele abraço doloroso e Eduardo com olhar tenro e amoroso, disse:
- Esse foi o abraço que me uniu a ti. O único que me deixou te sentir.
                Guilia secava as lágrimas e entre suspiros falou:
- Partilhamos o mesmo tipo de dor.
                Eduardo pegou na mão de sua amada.
- Você é o amor da minha vida, mas sei que você não me quer. Não te posso dizer que aceito isto, mas não impeço. Vai além das minhas mãos e esta situação me faz sofrer muito, Guilia. Não consigo trabalhar direito, ao menos raciocinar. Então, decidi trabalhar fora do Rio.  Vou passar um tempo na Europa e depois volto para São Paulo. Essa uma medida drástica mesmo, porque tenho certeza se ficar farei uma loucura maior.
                A menina, estupefata, disse:
- Não é preciso, Dudu! Fica!
- Só se você ficar comigo.
- Você sabe que eu não posso.
- Então nada me prende aqui.
- E seus pais?
- Eles vão ficar bem. Virei aqui vê-los, mas vou passar um tempo sem procurar você. Tudo bem?
                Ela simplesmente não tinha reação. Acenou positivamente com a cabeça. Eduardo lhe sorriu e beijou calorosamente sua testa e levantou.
- Adeus, Guilia.
                Sem esperar a reação da amada, dirigiu-se para a porta do hospital e esbarrou em Rafael que observava a conversa ao longe. Abordou-o.
- Cuide dela. Por favor.
- Eu cuido.
                Rafael tomou certa postura e Eduardo manteve a sua. Estendeu a mão e o delegado Cortez relutou em si para não estender a sua, mas fora impossível. Isto estava longe de sua conduta. Mãos se apertaram.
- Rafael, desculpe.
- Tudo bem, cara.
- Pode deixar que não farei mais isso. Estou indo embora pra Europa sem prévia de volta.
- Boa viagem. Tenho certeza que será o melhor pra você.
                Mãos se largaram e cada um seguiu seu destino: Eduardo ao de esquecer Guilia; Rafael de tê-la para sempre em sua vida. Caminhando pelo corredor analisava aquela que fazia cada pulsar de seu coração. Sim, ela aceitaria. É a mulher da minha vida. Pouco a pouco foi deixando o nervosismo de lado e chegou ao silêncio daquela de olhos cor de folha. Com rosas não mão, falou:
- Rosas para a rosa da minha vida!
                Guilia sorriu, levantou e o abraçou. Após um longo abraço, pegou suas rosas e se misturou nelas. Ele lhe sorria.
- São lindas.
- Nenhuma é mais bonita que você, meu amor.
- Só você, Rafa.
- Só você para me fazer assim, feliz.
                               Sentaram-se. Guilia colocou as rosas ao seu lado e encostou no ombro de Rafael. Minutos em silêncio até que o digno Cortez interrompera.
- Ele vai embora, não é? Está triste por causa disso?
- Não. Estou triste porque ele vai por minha causa.
- Mas, minha linda, vai ser melhor para você. Ele é maluco.
- Não, Rafa. Ele ama alguém e esse alguém não o pode corresponder. Você já sentiu isso? Você sabe a dor de olhar para aquela pessoa que você ama e saber que ela não te dá a mínima ou pelo menos não sente e não te retribui o mesmo?
                Rafael tirou os óculos escuros. Passou a mão pela barba.
- É tudo o que eu não quero enxergar, Guilia.
                Ela suspirou. Entendeu. Rafael passou a mão pelos ombros da menina e a trouxe para si.
- Vai ser melhor assim, entenda.
                Guilia saltou do banco e pôs-se a caminha pelo jardim. Rafael a acompanhara com os olhos até que ela voltou com um sorriso bom. Sentou-se. Rafael sorriu e deu continuidade a conversa, entretanto em outras vias de assunto.
- Meu amor, tenho uma notícia.
- Conte!
- Está preparada?
- Sempre estou.
                Rafael olhou dentro dos olhos de Guilia.
- Você sabe minha profissão, não é princesa? Então, fui transferido para o Sul.
                               O rosto da menina congelou. Outra partida, outra ausência. Seu coração não aguentaria.  Uma lágrima lhe escorreu pelo rosto. Rafael a secou.
- Não chore, meu amor. É provisoriamente.
- Eu conheço essa história.
- É verdade.
- Eu imagino que seja.
                Guilia levantou novamente, mas ficou imóvel. Rafael levantou, tomou a frente de sua menina e segurou suas mãos. Olhou profundamente nos olhos dela, penetrou sua alma.

- Meu amor, quando digo que você é a mulher da minha vida eu não minto. Se te digo que vou, mas voltarei é porque sou homem e cumpro com minha palavra. Não vou abandonar quem eu mais amo. Não vou deixar a mulher que me faz feliz só com um sorriso e é por saber disto tudo que tenho um pedido a fazer.
                Guilia ainda estarrecida, mostrava-se fria e ferida, mas ao pensar no pedido lhe surgiu uma pergunta que brotou de seus lábios que quase não se mexiam.
- Qual?
                Rafael sorriu.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012


Cap. XIX
                                                   Olhos, encontros, desencontros e notícias.
                                                                    Parte III
                Após a saída imediata da sala, Guilia dirigiu-se sem olhar para trás ao espaço reservado para parentes ou amigos que esperavam por pacientes internados. Era uma espécie de refúgio de um lugar tão sombrio como é o hospital. Alguns pacientes sentavam nos bancos para um pouco de raios de sol, outros para chorar, contudo, no caso de Guilia era simplesmente para esbravejar.  Ele a seguia até que a menina achou um banco vazio e escondido dos olhos das pessoas. Sentou-se e ele fez o mesmo e desde então ela não parou de falar.
- O que você está pensando, hein? Sai por aí machucando o coração das pessoas e aí simplesmente volta para pedir desculpas? Não é assim. Você não pode sair por aí fazendo o que fez. Não é todo mundo que vai aturar.
- Eu fiz por você, Guilia.
- Isso não explica, garoto.
- E nem me redime. Mas tenho consciência do que fiz e entendo se você nunca me perdoar. Só quero que você saiba que estou mesmo arrependido pela atitude que tive. Quando soube que a Luiza tinha se machucado por minha causa, caiu a ficha do que eu tinha feito. Por mais que entre mim e ela só haja alfinetadas, ela me fez cair na real e entender que eu errei feio. Por isto vim até aqui para pedir desculpas.
                Guilia penetrou seus olhos. Ele falava com sinceridade.
- Ela te perdoou?
- Sim. No começo, foi relutante. Não queria que eu me sentasse, mas forcei a barra. Eu necessitava da atenção dela, mesmo que ela não me perdoasse. Mas, ela tem um coração bom, Guilia. Eu jamais imaginei que falaria da Luiza assim. Ela me surpreendeu.
- Ela é incrível.
- Tanto quanto você.
                Guilia virou o rosto e procurou a luz solar.
- Guilia, perdoe-me se te magoei. Eu sei que não poderia fazer aquilo.
- E por que fez?
- Porque eu amo você.
- Isso não é amor.
- E o que é amar?
                Guilia abaixou a cabeça e Eduardo ajoelhou-se em sua frente. Guilia o olhou.
- Eu sei que o que eu sinto por você é amor, mas é um amor que me machuca, que me corrói e você sabe disso mais que ninguém. É claro que nada que eu fale ou nenhum sentimento justificará as coisas que fiz, porém você tem de entender que foi num momento insano de fúria.
- Sinceramente, Eduardo...
                O rapaz cortou.
- Você mudou, Guilia. Você não é mais a menina que eu conheci. Quantas vezes te pedi perdão e você me sorriu, mas hoje você reluta.  O que houve com você?
- A vida me ensinou a ser assim.
- Ela não te ensinou a não perdoar.
- Ela me ensinou que todo mundo pode quebrar meu coração e por mais que ele fique em pedaços, tudo continuará normalmente.
                Eduardo lacrimejou
- Eu só queria que ninguém te fizesse sofrer, que jamais tivesse que lamentar a vida, Guilia. Eu queria muito te fazer feliz e te mostrar que eu te amo. Mas a vida não me escolheu para você, não é? Não sou o bastante, o suficiente.  Desculpe-me por tudo e por contribuir para teu sofrimento silencioso. Eu te amo, Guilia e sempre te amarei. Perto ou longe, vendo-te ou não, você ficará na minha memória e perpetuamente no meu coração.
- Posso te pedir uma coisa?
- Tudo, exceto que deixe de te amar. É impossível.
- Dê-me um abraço. É só isso.
                Os dois choraram e olhos da cor do mar os espreitavam, até que Rafael surgiu no corredor e viu a cena. Aproximou-se.