terça-feira, 10 de julho de 2012


     Cap. XVI
-Encontro marcado-
Parte III

                Almoçando, conhecendo, vivendo. Assim foi o almoço entre os dois. Guilia, retraída e ao mesmo tempo livre, conversava como mulher e menina, um misto de personalidades que invadia os pensamentos de Rafael e o enfeitiçava.
- Eu espero ter agradado, Guilia.
- Claro! Quem não deslumbraria com um restaurante todo regado de pétalas, piano e um almoço maravilhoso? Impossível.
- Você merece.
                Segurou a mão dela que estava solta na mesa. Sorriu e disse:
- Nunca me encantei tanto com alguém. Melhor: nunca alguém conseguiu me encantar tanto.
- Que isso!
- Menina, eu não sei o que você está fazendo comigo, aqui dentro de mim, a única coisa que eu sei é que quero você. Quero estar com você não só por alguns minutos, mas sim por toda minha vida. Quero eternizar este momento dentro de mim.
                Ela não disse nada. Abaixou a cabeça. Olhou-o.
- Guilia, ao passo que te quero perto, quero ser seu sorriso ou, ao menos, a motivação dele, mas quando olho nos seus olhos me perco em um lago escuro, sombrio, como se fosse resquícios de um passado que é tão presente que dá medo. O que há de errado nestes teus olhos, menina? O que incomoda teu coração?
- Não é nada, Rafael. Estou bem.
- Eu sei que está agora. Mas quando você fica sozinha este lago domina teus pensamentos, não é? Será que posso mergulhar nisso e não me afogar?
- Tenho marcas de um passado que me deixaram assim, com os olhos assim.
- Mas é assim tão sombrio? Como me arriscar a mergulhar?
- Que história é essa de lago sombrio. Que história é essa de mergulhar?
                Rafael levantou num ímpeto só. Virou a cadeira de Guilia para ele. Ajoelhou-se.
- Mergulhar é isto, menina.
                Colocou suas mãos no rosto da moça e sem deixa-la falar, deu-lhe um beijo caloroso, afetuoso, amoroso. Soltou-a devagar olhando dentro dos olhos dela cujos olhos mantinham-se arregalados, mas num arregalar bom. Ele respirava aquele gosto. Gosto sempiterno.  Segurou as mãos de Guilia.
- Deixe-me mergulhar. Mergulhar em você.

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