Cap. XVI
-Encontro marcado-
Parte III
Almoçando, conhecendo, vivendo.
Assim foi o almoço entre os dois. Guilia, retraída e ao mesmo tempo livre,
conversava como mulher e menina, um misto de personalidades que invadia os
pensamentos de Rafael e o enfeitiçava.
- Eu espero
ter agradado, Guilia.
- Claro! Quem
não deslumbraria com um restaurante todo regado de pétalas, piano e um almoço
maravilhoso? Impossível.
- Você merece.
Segurou a mão dela que estava
solta na mesa. Sorriu e disse:
- Nunca me
encantei tanto com alguém. Melhor: nunca alguém conseguiu me encantar tanto.
- Que isso!
- Menina, eu
não sei o que você está fazendo comigo, aqui dentro de mim, a única coisa que
eu sei é que quero você. Quero estar com você não só por alguns minutos, mas
sim por toda minha vida. Quero eternizar este momento dentro de mim.
Ela não disse nada. Abaixou a
cabeça. Olhou-o.
- Guilia, ao
passo que te quero perto, quero ser seu sorriso ou, ao menos, a motivação dele,
mas quando olho nos seus olhos me perco em um lago escuro, sombrio, como se
fosse resquícios de um passado que é tão presente que dá medo. O que há de
errado nestes teus olhos, menina? O que incomoda teu coração?
- Não é nada,
Rafael. Estou bem.
- Eu sei que está
agora. Mas quando você fica sozinha este lago domina teus pensamentos, não é? Será
que posso mergulhar nisso e não me afogar?
- Tenho marcas
de um passado que me deixaram assim, com os olhos assim.
- Mas é assim
tão sombrio? Como me arriscar a mergulhar?
- Que história
é essa de lago sombrio. Que história é essa de mergulhar?
Rafael levantou num ímpeto só.
Virou a cadeira de Guilia para ele. Ajoelhou-se.
- Mergulhar é
isto, menina.
Colocou suas mãos no rosto da
moça e sem deixa-la falar, deu-lhe um beijo caloroso, afetuoso, amoroso.
Soltou-a devagar olhando dentro dos olhos dela cujos olhos mantinham-se
arregalados, mas num arregalar bom. Ele respirava aquele gosto. Gosto
sempiterno. Segurou as mãos de Guilia.
- Deixe-me
mergulhar. Mergulhar em você.
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