Cap. XVIII
Corações, desilusão, tentativas
V
Entraram no
quarto onde Luiza se encontrava. Correndo, Guilia impensadamente abraçou a
amiga que sorriu, mas com os olhos bastante tristes.
- E aí, amiga,
está tudo bem?
O médico interrompeu:
- Houve mais
que uma torção. Ela teve uma fratura e terá de operar.
- Nossa! Isso
é muito grave, doutor?
- Pelo jeito,
a queda afetou bruscamente o ligamento do joelho, então, após a operação ela
terá de fazer fisioterapia e demorará uns três meses para total recuperação.
Guilia sabia e sentia a tristeza
da amiga. Isso era um adeus à competição de vôlei no exterior que Luiza tanto
esperava. Mas, o pior era saber que a amiga tentou defende-la e consequentemente
se feriu. Voltou-se dos olhos azuis aos esverdeados de Luiza.
- Amiga,
lamento ter feito você passar por isto. Desculpe-me!
- Deixa disso,
Guilia! A culpa não é sua! Você também não esperava aquele surto do Eduardo.
- Mesmo assim,
se você não fosse me defender...
Luiza interrompeu.
- E que amiga
eu seria se apenas observasse um cara louco te ferir? Não fiz nada que você não
fizesse por mim.
Guilia sorriu e abraçou Luiza.
As duas choraram juntas e disseram uma a outra:
-Estamos
juntas.
Rafael olhava a cena e sorria,
mas seus pensamentos continuavam distantes há , precisamente, duas horas atrás,
momento da fala de Eduardo. Enquanto isto, os olhos da cor de mar observavam. Rafael e Guilia deixaram que os pais da menina
a visitassem também. Saíram do quarto e voltaram à sala de recepção. Cortez não
aguentou a espera e disse:
- Estamos
sozinhos agora, meu amor. Diga-me, por favor, quem é este Arthur.
Guilia suspirou.
- Não quero
falar dele, Rafa.
- Como assim,
Guilia? Por que não quer falar?
- Porque me
machuca.
Rafael lembrou-se do vazio que
enxergara nos olhos de sua menina quando a conheceu. Só poderia ser isto. Só
poderia ser a ausência de alguém ou algo que a machucasse muito.
- Foi este tal
de Arthur?
Os olhos delas se encheram de
lágrimas cortantes. E sem abrir os lábios, acenou com a cabeça positivamente.
Rafael sentiu pena de sua amada. Puxou-a para si e a abraçou protetoramente.
Amava-a demais para vê-la sofrer. Sentou-a e se ajoelhou.
- Você ainda
gosta dele? Ele mora aqui perto? O que ele te fez.
Transbordaram os olhos dela. E
ele a fitando daquela forma reclinou a cabeça no seu colo. As lágrimas molhavam
seu cerrado cabelo. Guilia reuniu forças e palavras e disse:
- Ele foi quem
mais eu amei e odiei ao mesmo tempo. Nós namorávamos à distância por conta do
trabalho dele. Como num passe de mágica, todo aquele amor que me jurava virou
silêncio, ausência, virou...nada (gaguejou).
Rafael levantou os olhos
enfurecidos e disse:
- Isso quer
dizer que ele estava longe e não terminou? Não te deu uma satisfação? Nada?
- Não. O
máximo que ele me deu foi uma mensagem dizendo que éramos e vivíamos em mundos
diferentes. Só.
- Esse canalha
ainda te mandou uma mensagem no teu aniversário? Ele não é um homem.
Guilia chorava.
- Meu amor,
diga-me a verdade por mais dura que ela possa ser para o meu coração. Você
ainda pensa nele? Você ainda liga ou coisa parecida?
A menina inspirou.
- Não ligo
mais, não mando e-mails, mas toda vez que olho para o céu e a lua brilha,
imagino-o sorrindo.
Rafael desmoronou. Sentou-se no
chão. Pôs as mãos sobre a própria cabeça.
- Agora
entendo (murmurava) o porquê de você ter olhos tão profundos.
Guilia recostou na cadeira.
Ficaram em silêncio por alguns minutos. Cada um chorando o seu próprio choro.
Rafael levantou os olhos e encontrou sua amada. Com os olhos molhados, falou:
- Não me
importo se ele foi alguém na sua vida. Hoje estamos juntos e é o que importa.
Como disse a você, eu só queria uma oportunidade de fazê-la feliz, e, você,
apesar de toda dor que vivia, conseguiu me dar esta chance. Eu não vou
decepcioná-la, minha menina. Eu prometo.
Guilia se inclinou e o beijou,
assim choraram o mesmo choro. A menina
segurou o rosto de Rafael e disse:
- Quando eu te
conheci minha vida mudou para melhor, você me devolveu a vontade de sorrir.
- Então me
prometa que eu vou ser sempre aquele que te devolveu o sorriso.
- Só se você
me prometer esquecer toda esta história que me machuca.
- Eu te
prometo que vou fazer até esta dor parar e cicatrizar!
Sorriram e se abraçaram num tipo
de abraço que é dado de olhos fechados, expressando um grande sentimento.
Enquanto isto, olhos azuis espreitavam a cena.
Nenhum comentário:
Postar um comentário