sábado, 28 de julho de 2012


Cap. XVIII
Corações, desilusão, tentativas
V
Entraram no quarto onde Luiza se encontrava. Correndo, Guilia impensadamente abraçou a amiga que sorriu, mas com os olhos bastante tristes. 
- E aí, amiga, está tudo bem?
                O médico interrompeu:
- Houve mais que uma torção. Ela teve uma fratura e terá de operar.
- Nossa! Isso é muito grave, doutor?
- Pelo jeito, a queda afetou bruscamente o ligamento do joelho, então, após a operação ela terá de fazer fisioterapia e demorará uns três meses para total recuperação.
                Guilia sabia e sentia a tristeza da amiga. Isso era um adeus à competição de vôlei no exterior que Luiza tanto esperava. Mas, o pior era saber que a amiga tentou defende-la e consequentemente se feriu. Voltou-se dos olhos azuis aos esverdeados de Luiza.
- Amiga, lamento ter feito você passar por isto. Desculpe-me!
- Deixa disso, Guilia! A culpa não é sua! Você também não esperava aquele surto do Eduardo.
- Mesmo assim, se você não fosse me defender...
                Luiza interrompeu.
- E que amiga eu seria se apenas observasse um cara louco te ferir? Não fiz nada que você não fizesse por mim.
                Guilia sorriu e abraçou Luiza. As duas choraram juntas e disseram uma a outra:
-Estamos juntas.
                Rafael olhava a cena e sorria, mas seus pensamentos continuavam distantes há , precisamente, duas horas atrás, momento da fala de Eduardo. Enquanto isto, os olhos da cor de mar observavam.  Rafael e Guilia deixaram que os pais da menina a visitassem também. Saíram do quarto e voltaram à sala de recepção. Cortez não aguentou  a espera e disse:
- Estamos sozinhos agora, meu amor. Diga-me, por favor, quem é este Arthur.
                Guilia suspirou.
- Não quero falar dele, Rafa.
- Como assim, Guilia? Por que não quer falar?
- Porque me machuca.
                Rafael lembrou-se do vazio que enxergara nos olhos de sua menina quando a conheceu. Só poderia ser isto. Só poderia ser a ausência de alguém ou algo que a machucasse muito.
- Foi este tal de Arthur?
                Os olhos delas se encheram de lágrimas cortantes. E sem abrir os lábios, acenou com a cabeça positivamente. Rafael sentiu pena de sua amada. Puxou-a para si e a abraçou protetoramente. Amava-a demais para vê-la sofrer. Sentou-a e se ajoelhou.
- Você ainda gosta dele? Ele mora aqui perto? O que ele te fez.
                Transbordaram os olhos dela. E ele a fitando daquela forma reclinou a cabeça no seu colo. As lágrimas molhavam seu cerrado cabelo. Guilia reuniu forças e palavras e disse:
- Ele foi quem mais eu amei e odiei ao mesmo tempo. Nós namorávamos à distância por conta do trabalho dele. Como num passe de mágica, todo aquele amor que me jurava virou silêncio, ausência, virou...nada (gaguejou).
                Rafael levantou os olhos enfurecidos e disse:
- Isso quer dizer que ele estava longe e não terminou? Não te deu uma satisfação? Nada?
- Não. O máximo que ele me deu foi uma mensagem dizendo que éramos e vivíamos em mundos diferentes. Só.
- Esse canalha ainda te mandou uma mensagem no teu aniversário? Ele não é um homem.
                Guilia chorava.
- Meu amor, diga-me a verdade por mais dura que ela possa ser para o meu coração. Você ainda pensa nele? Você ainda liga ou coisa parecida?
                A menina inspirou.
- Não ligo mais, não mando e-mails, mas toda vez que olho para o céu e a lua brilha, imagino-o sorrindo.
                Rafael desmoronou. Sentou-se no chão. Pôs as mãos sobre a própria cabeça.
- Agora entendo (murmurava) o porquê de você ter olhos tão profundos.
                Guilia recostou na cadeira. Ficaram em silêncio por alguns minutos. Cada um chorando o seu próprio choro. Rafael levantou os olhos e encontrou sua amada. Com os olhos molhados, falou:
- Não me importo se ele foi alguém na sua vida. Hoje estamos juntos e é o que importa. Como disse a você, eu só queria uma oportunidade de fazê-la feliz, e, você, apesar de toda dor que vivia, conseguiu me dar esta chance. Eu não vou decepcioná-la, minha menina. Eu prometo.
                Guilia se inclinou e o beijou, assim choraram o mesmo choro.  A menina segurou o rosto de Rafael e disse:
- Quando eu te conheci minha vida mudou para melhor, você me devolveu a vontade de sorrir.
- Então me prometa que eu vou ser sempre aquele que te devolveu o sorriso.
- Só se você me prometer esquecer toda esta história que me machuca.
- Eu te prometo que vou fazer até esta dor parar e cicatrizar!
                Sorriram e se abraçaram num tipo de abraço que é dado de olhos fechados, expressando um grande sentimento. Enquanto isto, olhos azuis espreitavam a cena.

Nenhum comentário:

Postar um comentário