domingo, 22 de julho de 2012


Cap. XVIII
                                                    Corações, desilusão, tentativas
Cap. III
                Rafael estava muito alterado. Desprendeu-se das pessoas e insistiu em tentar contra a vida de Eduardo que estava com o rosto bastante ferido. O sangue lhe escorria por toda a face, porém o rapaz não se importava para aquela dor ou a destruição de seu belo rosto. Sua revolta e ódio o dominavam tanto que seus olhos e palavras só se direcionavam à Guilia a qual estava sentada ao lado de sua amiga, Luiza, no meio fio. Luiza com o empurrão se machucou bastante: deslocou o joelho. A menina chorava bastante, enquanto a amiga tinha escoriações pelos braços. No entanto, ainda que houvesse marcas físicas, nada superava a dor da vergonha, do constrangimento. A  insanidade de Eduardo estava tão embebecida que ele começou a gritar, novamente:
- Você sabia, o novato, que ela namorou um rapaz que a largou? Sabia disto? Era um babaca como você!
- Você é uma criança mesmo! Se liga, seu mané! Conforme-se se ela não te quis.
- Ela só está te usando, idiota. Se ele estivesse aqui agora, ela correria para os braços dele. Ela já te falou sobre o Arthur, o homem da vida dela? Você é apenas mais um. Não adianta o quanto você tente, ela um dia vai te deixar.
                Rafael pulou com um gato por cima das pessoas e esmurrou a face sangrenta de Eduardo que desta vez não tentou reagir, apesar das pessoas ao redor que gritavam muito terem o segurado. Sentou-se no meio fio. Eduardo, por um momento, parou de falar. Rafael parou de tentar chegar até o rapaz. Os dois voltaram os olhos para Guilia. Os olhos de Eduardo transbordaram. Ele correu até a menina. Ajoelhou-se bem devagar ao lado dela. Chorou. Ela o encarou e sem pensar passou a mão pelo rosto dele que se desmantelou na mão suave de Guilia. Rafael ficou apenas espreitando qualquer que fosse a reação do louco. Ele não se mexia, apenas olhava para a menina. Passaram-se minutos. Ele interrompeu o silêncio.
- O que há em mim de errado? Por que sofrer à procura de alguém? Eu sempre estive aqui te amando. Conheço todas as tuas manias, teus sonhos, teu humor, tuas paixões, teus medos. Por que não me dá uma chance? Eu sempre soube amá-la do jeito que você é.  (engasgava no próprio choro)
                O rosto de Guilia agora era bastante suave. Sorriu.
- Meu querido, eu amo você. E amo independente do que você pudesse sentir por mim. Amo desde o dia que te conheci. Mas o meu amor por você é aquele eterno, sabe?
- Não entendo, Guilia. Se me ama, por que não me dá uma oportunidade?
- Duda, você não sabe mesmo o que é um amor eterno. O amor eterno é uma amizade, é o amor que nunca morre. Quantas vezes estivemos juntos? Inúmeras. Quantas vezes rimos? Incontáveis. Sabe quando terei isso com outra pessoa? Nunca. Você é especial pra mim, mas não quero perder este sentimento tão nobre com bobagens.
- Guilia, você não sabe o que passa na minha cabeça quando vejo outro te beijando, tocando o seu corpo. A minha vontade é matar. Tirá-la deles a força, te fazer minha. Ser só amigo não adianta. Eu quero você.
- Mas não é assim, Dudu! Olha o que você fez! Machucou a mim, machucou a Luiza e se eu não entro na frente, quem sabe se você estaria vivo agora? Valeria a pena?
- Por você tudo vale a pena.
- Valeria não me ver mais?
- Você não quer me dar uma chance, Guilia. Tudo é melhor que não te ter.
- Não fale assim, Eduardo! Você me tem mais que ninguém. A minha amizade por você é infinita!
- Guilia –suspirou-, coloca uma coisa na sua cabeça: não quero sua amizade. Quero você toda. Quero tocar em você, quero leva-la em meus braços todos os dias para o seu quarto, quero beijá-la, quero estes lábios avermelhados e doces para mim. Quero o seu amor. Não me importa esta tua amizade. Quero você. Se não tenho, nada faz sentido. Nunca fez, mas sempre pensei que um dia você olharia para mim, mas não. Estou totalmente desesperançado.
                Rafael quis intervir na conversa. Guilia interferiu em sua fala.
- Por favor, meu bem. Pode deixar.
                O outro jovem apaixonado silenciou.  Guilia prosseguiu.
- Mas eu só posso te oferecer minha amizade, Dudu. E o que você sente por mim não é amor. É só você olhar ao seu redor que verá pessoas lindas que só precisam de uma oportunidade sua.
                Eduardo levantou.
- É você que eu quero e sempre vou querer. Não quero mais ninguém. E se não posso ter o seu amor, não quero essa sua maldita amizade.
                Pôs-se a andar contra a multidão que abria espaço. As pessoas estavam paralisadas e perplexas. Como poderia isso ser amor? Sem dúvida a pergunta que passava na cabeça de cada um. Pouco a pouco foram deixando o local. Rafael se sentou ao lado de Guilia e Luiza que segurava com força o joelho.
- Meninas, vocês estão bem?
- Não, meu bem. Luiza fraturou o joelho provavelmente. Só não saímos antes por medo dele querer fazer outra coisa.
- E você, amor, está bem?
- Estou com um pouco de dor nos braços, mas estou bem.
- Vou levar as duas então para o hospital, ok?
                Acenaram com a cabeça positivamente e o jovem cortês pegou Luiza no colo, levou-a até o carro e seguiram os três em direção ao hospital mais próximo. Contudo, durante o caminho, após os ânimos mais frios os três pensavam. Cada um em seu íntimo. Luiza pensava em alguma possível lesão que a impossibilitaria de praticar esportes, Guilia pensava na doença de Eduardo, Rafael pensava nas palavras de Eduardo: Quem seria Arthur?

Nenhum comentário:

Postar um comentário