segunda-feira, 27 de junho de 2011


Capítulo IV- O Anúncio

Eles tiveram o melhor verão de suas vidas. A partir daquele beijo tudo mudou. Fora magnífico! O mundo parou para a cena se expandir. Somente eles tinham cor na hora. Só o amor deles. Tiveram um verão mais cheio de amor do que muitas pessoas em uma vida inteira.  Visitaram museus, ia a teatros, cinema, corriam pela praia, jogavam-se na água de roupa e tudo e todos davam risada. Dançavam em casa, caíam, riam, viam o pôr do sol. Formavam um casal lindo muito apaixonado. Ao contrário do que pensam o namoro não foi algo escondido ou às escuras, os pais de Guilia o aceitaram, assim como os pais de Arthur a aceitaram de braços abertos. Aceitaram-se. Amavam-se. Era realmente um sonho. Um sonho que estava preste a acabar. Arthur foi designado a representar sua empresa na Europa por seis meses. Se coração se partiu ao receber a notícia. Tentou esquivar, porém nada adiantou. Ir à Europa seria doloroso. Sua nobre amada deixada em época decisiva para a vida dela, época de concursos de vestibular sem seu apoio, sem seu abraço. Embora já estivesse sentindo tudo isso, resolveu contar da melhor forma a Guilia. Foi então em uma noite de lua cheia, sentados nas pedras do Arpoador que Arthur decidiu contar.

                - Guilia, eu terei de viajar a negócios...
                 - Poxa! Que legal! Pra onde? Quando?
                - Daqui a duas semanas embarco para a Europa.
                - Nossa! A Europa é um sonho de consumo para qualquer um (gargalhou)!
                - Não quando se vai ficar lá por seis meses.

                Guilia não teve reação. Olhou-o profundamente como se pudesse prever algo. Arthur abaixou a cabeça. Triste, Guilia pegou as mãos de Arthur, molhadas por suas lágrimas. Com a outra mão segurou o rosto dele.

                - A gente se vê em breve?
                               Arthur desabou. Jamais amou alguém daquele jeito e quando finalmente isso acontece, o cruel destino os separa.
                - Meu amor, são seis meses e não seis dias (inconformado)!
                               Guilia sabia disto e não queria chorar. Precisava ser forte. Deu um sorriso de lábios cerrados.
                - Vida, a mesma lua que nascer aqui, nascerá lá. Esquecer-te é tarefa para toda a vida.
                               Arthur secava as lágrimas e segurava os soluços.
                - Guilia, você é forte e dedicada. Faz-me ser o homem mais bobo do mundo diante dos teus olhos. Você é perfeita!
                               Guilia o abraçou e bem em seu ouvido sussurrava:
                - Arthur, eu sou cheia de defeitos e você vai ver isto. Se não choro é porque sei que você vai em breve, não é?
                               Arthur a trouxe para a direção de seus olhos e exclamou:
                - Se eu precisar atravessar um deserto e o mundo a nada para te encontrar, eu faria. Só preciso que você esteja do outro lado a me esperar.

                Beijaram-se. Adormecia a noite e a tristeza dos dias passarem, corroia Guilia e Arthur. Seria uma grande tarefa viver longe novamente. Seis meses de ausência. Ausência do cheiro, do toque, do sorriso... Fizeram as duas semanas seguintes as melhores possíveis, entretanto o dia da partida havia chegado.
                              

sexta-feira, 24 de junho de 2011


Capítulo III
Parte IV– Respostas convites, encontros e...

                Gulia foi notificada do novo recado. Sim! Era ele! Saiu rapidamente da sala de aula e, em seguida, Luiza saiu. Sabia que era sinal de Arthur.
                               “Querida Guilia,
                Tão breve cabe no simples gesto de... Tomar café, hoje, à tarde? O que você acha de remontarmos nosso ‘encontro’ de maneira mais convencional? Uma tarde como a do Rio de Janeiro merece de nós dois mais uma chance. O que você acha?
Aguardando sua resposta,
Arthur Braga.”
                Guilia gritou o sim mais feliz de sua vida. Luiza gargalhava. Estava tão feliz que de imediato respondeu dizendo que aceitava o café.
                                                                              ...
                Arthur se preparava. Afinal não era qualquer final de tarde. Sua musa seria vista novamente. Enquanto se preparava, Leonardo descontraía o ambiente imitando o amigo e dando dicas de um conselheiro amoroso nato. Arthur ria. Ria mais por saber que sua vontade seria saciada do que propriamente de seu amigo. Despediu-se e seguiu para o local.
                Rio de Janeiro, a cidade maravilhosa. Terra do glamour, pessoas bonitas, finais de tardes espetaculares, samba, vida e amores. Amores sublimes. E não poderia ser longe do mar o reencontro. O mirante do Leblon foi a paisagem. Quanto ao café, desculpa para se sofisticar. Não estava frio e nem bebia café, logo o mais adequado era ver o cair da noite sobre o mar.
                Arthur chegou primeiro. Esperou apenas dez minutos que duraram dez horas para ele. Estava nervoso. Contudo, nada irá se comparar ao sorriso trêmulo que deu ao ver que Guilia caminhava em sua direção. Ela sorria. Jogava o cabelo para o lado que era acariciado pelo vento. Seus olhos, cor de folha seca, reluziam o entardecer. Seu andar era fino e sofisticado. Só podia ser a doce menina. Cumprimentaram-se. Sentaram-se e, tímidos, continham-se  em troca de olhares.  Era um ardor no peito, uma euforia nos olhos e um desejo nas mãos. Sentiam-se assim e pouco a pouco conversavam sobre tudo o que tinha acontecido, sobre suas vidas.  A conversa durou horas que parecia segundos. Entusiasmado, Arthur levantou, puxou-a e correu para longe do quiosque e pararam para olhar o pôr do sol.
                - Este é o lugar que eu mais gosto de todo o Rio de Janeiro.
                - É lindo, Arthur! Mas, por que é o lugar que você mais gosta?
                - Os meus melhores pensamentos foram aqui.
                - Quer dizer que me trouxe ao seu lugar favorito?
                               Arthur sorriu.
                - Sim. Tão importante quanto ao que eu sinto.
                               Guilia o olhou profundamente. Parecia que podia ver todos os pensamentos dele. Isto o constrangia. Arthur a viu se transformar de menina a mulher bem na sua frente. 
                - E o que você sente?
                               Arthur se sentiu um garoto, procurando palavras perto daquela mulher que o desconsertava. Aproximou-se. Não sabia o que fazer.
                - Não sei explicar, mas vou mostrar a você.
               
                               Encostou as mãos no rosto de Guilia. Chegou mais perto. Olhou-a para lembrar sempre daquela imagem. Aproximaram-se. Sentia o hálito fresco e quente dela. Era assustador o que sentia. Guilia não tirava os olhos dele. Encostaram os lábios suavemente. Abriram os olhos e sorriram. Ele a beijou. O melhor beijo que existira. Não havia beijado alguém com tanta intensidade como desta vez. A menina tinha lábios doces, doce como o mel. Se pudesse, não pararia de beijar. Ela o beijava como se fosse seu primeiro e último beijo, tímida e desinibida. O sentimento exalava daquele beijo. O primeiro beijo deles apagava passado e futuro. Só existia aquele tempo, o tempo presente. Enfim, a noite repousou sobre o mar, descansando o sol, surgindo o cheio luar.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Capítulo III
Parte II -Respostas, convites, encontros e...

Guilia sentia cada segundo passar. Nem as músicas, fiéis companheiras, conseguiam acalmá-la.  No caminho para o curso preparatório, Guilia encontrou com sua amiga de sala e foram conversando. Em vão tentativa de se distrair. Seus olhos denunciavam. Luíza, sua amiga, sentia a inquietude que não era típica de sua melhor amiga.
                - Gui! O que aconteceu?
                               Contida, procurou a defensiva.
                -Tô cansada. Não dormi direito.
                - Amiga, não é só isso. Eu sei e você sabe melhor que eu.
                - Não foi nada.
                - Tem certeza?
                               Não existia certeza e sim muitas dúvidas. Guilia precisava desabafar e a única que a entenderia.
                - Não amiga! Estou ansiosa. O Arthur não responda à minha mensagem.
                - Calma amiga!! Ele ainda não deve ter visto!
                - E (suspirou)... Pode ser.
                - Posso te falar uma coisa, Gui?!
                - Claro!
                - Você se apaixonou por ele e nem notou.
               
                A amiga estava com a razão, por mais que não quisesse acreditar. Caminhavam devagar e a conversa se estendeu e isto aliviou a tensão de Guilia, até a mensagem ser notificada e notada.
...
                                               “Até breve. Muito breve”
                O coração de Arthur saltou! Suas mãos tremiam. Seu corpo mal podia conter tamanho entusiasmo sentado na cadeira. Alvoroçado, seus colegas de trabalho notavam sua alegria espontânea e comentavam entre si. A menina, a menina causadora de sua insônia o respondeu. Ela o queria ver em breve tanto quanto ele queria. Sinal de lembrança. Sinal de ser lembrado. Sorria e seus olhos não seguravam tanta felicidade. Leonardo assistia à cena e se emocionou. Jamais viu o amigo daquela forma. Era anos de convivência e de todas as reações esta realmente era a mais expressiva.
                -Meu amigo, responda-a!
                -O que vou falar? Será que ...
                               Leonardo bruscamente o cortou.
                -O que vai falar? Faça um convite. Ela aceitará!
                - Vou chamá-la para tomar um café. Hoje?! Hoje, à tarde. É isso (rindo)!
                - Ótima idéia!
                               Leonardo olhava o amigo e sentia a felicidade deste.
                -Nossa (suspirou)! Estou emocionado!
                -Por quê?
                - Estou vendo nos seus olhos o começo de uma linda história.
                               Arthur olhava para Leonardo feliz por acreditar no que falara.
                - Sério?
                - Tenho mais convicção disto que sobre seu passado inteiro.

                                Sorriram. Confabularam e escreveram o convite. O dia tinha retomado sua cor. Trabalharam e saíram para almoçar. Arthur nunca tivera sentido aquilo. Mal sabia ele que aquela sensação seria sentida por toda a sua vida.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Capítulo III
Parte I- Resposta, encontros e...

Não dormira. A realidade havia se tornado um sonho e a necessidade de dormir já não existia. Guilia não segurava a emoção que corria pelo seu corpo e invadia seu pensamento. A última mensagem era perturbadora. Ele a queria ver. Aqueles olhos seriam vistos novamente. Aquela fórmula viciante novamente seria ouvida. A noite fora curta para tanta quimera.
Amanhecera e ali estava Arthur, diante do computador esperando sua resposta. A noite foi uma tormenta. Por que não me respondeu? Era a única pergunta que tinha infinitas respostas e também nenhuma. Fora uma noite longa. Sem poesias, sem cor, sem vida. Apenas a espera.
Na mesa do café da manhã, Guilia conversava com seus pais sobre o dia que estava começando e através do celular respondia ao e-mail.
Mais um dia de trabalho e Arthur só pensava em Guilia. A noite triste ainda estava ali. Mal conseguia se concentrar nos afazeres do dia. Colegas o cumprimentavam, entravam e saíam de sua sala e ele permanecia na mesma posição, como se só pudesse ver apenas uma imagem: Guilia. Logo, observado por seu amigo Leonardo, não pôde continuar contido já que por conhecer bem o amigo se dispôs a falar.

- Meu amigo, o que está acontecendo?
- Nada! Por quê?
-Nada acontece todos os dias que você não fica assim. Diz logo! O que houve?
- Não foi nada. Só não dormi bem.
- Meu querido, se o problema fosse esse, você teria procurado o bar da empresa para escutar piano. Agora, diga-me, o que foi que te perturbou desse jeito?
Arthur suspirou. Leonardo era seu amigo e em tudo estava com razão.
-Leo, conheci uma garota.
Sorridente, Leonardo repousou sua mão sobre o ombro de Arthur.
- É meu amigo, as mulheres nos tiram o sono. Acostume-se! Mas, diz aí, como ela é? Onde a conheceu?
- Cara, é a mulher... Perdão. É a menina mais doce, mais linda, charmosa e inteligente que já conheci.
- Nossa! Quem foi o tolo de ter te apresentado uma peça rara dessa (sorrindo)?
Arthur finalmente descontraiu.
- Não me apresentaram. Apresentamo-nos.

Então contou toda a história a Leonardo cuja audição estava permanentemente atenta a cada nova frase. Arthur narrou toda a angústia daquela noite, tudo e o nada que passara e como bom ouvinte seu amigo comentava.

- Meu amigo, ela dormiu!
- Mas Leo, como eu fico?
-Fica? Larga de ser imediatista Arthur! Você a conheceu outro dia!!! Agora você tem 15 anos?
Arthur paralisou naquele instante. Guilia tinha dezesseis anos e isto não estava funcionando para afastá-la dos seus olhos. E como dizer isto ao amigo também era uma grande questão.
-Leonardo, ela tem...
- Ela tem o quê Arthur?
-Ela tem 16 anos.
Leonardo congelou. Mexia os lábios, mas palavra alguma conseguia pronunciar. Ela era uma menina e não havia dúvidas que uma menina tinha encantado o amigo. Como falar outra coisa a não ser a idade dela?
- 16 anos?
- É... Mas ela é incrível!
- Tá! Mas ela só tem isso de idade?
- Sim. Todavia é mais sensata ao falar do que muitas mulheres que conheci da minha idade.
Leonardo sorriu.
- Ela é impressionante!
- Como sabe (sorrindo)?
- Ela te conquistou sem saber!

Simples verdade. Não existia argumento contra isso. Arthur se contentou em mostrar mensagens trocadas quando percebeu que tinha chegado, bem cedo, uma mensagem.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Capítulo II
Cartas Eletrônicas

Cada um se dirigiu à sua casa, entretanto diferentes. Tinham em suas mãos a forma de comunicação com sua imagem, sim com seu reflexo, mal polido, mas isso já era suficiente para ser surreal. Guilia só pensava na forma como ele falava cada palavra era como o vento de fim de tarde e seu olhar um lago de serenidade e solidão. Olhava o papel e pensava no que escrever. Ele ,sorria e apertava entre as mãos o papel, lembrando do olhar vivo e contagiante daquela menina. Ela era uma menina e por ter consciência disso lutava para nela não pensar, mas em vão era a luta. Passou a noite em claro,  sem conseguir escrever ou sequer se inspirar em outra coisa que não fosse os olhos de Guilia. O dia enfim amanheceu e a rotina se dava novamente, agora com mais uma parte: escrever. O que escrever? O que  dizer? Pensamentos que fluíam a todo segundo nos dois. Ele, escrevia e com receio de não agradar, apagava. Já a doce menina esperava, ansiosa, o rastro da noite passada. Não conseguia prestar atenção à aula e isto era perceptível. Seus amigos perguntavam sobre o ilustre desconhecido e ela sorria. Não havia nada além de sorrisos nostálgicos e eles, seus amigos, sabiam que tivera sido importante para ela. O que, notoriamente, desagradava aos que a queriam, mas em silêncio se mantinham, pois a amizade já era o bastante. Infelizes admiradores.  E foi assim aquele dia “pós-encontro”. A caixa de e-mail não mudou e ela pensou que tudo não passara de um gesto de cortesia do momento. Para ele, ela não enviara por não ter representado nada. Contorcia-se na cama. Escrevia à menina, mas apagava, temeroso. Guilia, antes de dormir, decidiu olhar novamente, sem esperanças, o e-mail.  Nada tinha. Triste, resolveu ir dormir e preparando para fechar a página recebeu uma mensagem. Seu coração disparou. Esboçou um sorriso e suas mão ficaram frias,enquanto seu rosto era quente. Era ele. Ela sabia. Lá estava  o doce desconhecido, Arthur Braga. Ela, sem pensar, abriu a mensagem.

                                               “Querida Guilia,
Nunca pensei que o acaso seria tão generoso. Jamais esquecerei aquela tarde de domingo. O pôr do sol nunca mais terá o mesmo brilho. Você é uma menina fantástica e o destino foi, como já disse, generoso em me deixar conhecer você. Espero que não me interprete mal. Não faço tipo, sou aquilo que você viu, talvez mais tímido ou mais extrovertido, na verdade ainda não descobri. Só sei que passei horas tentando escrever para você e esperando o seu e-mail. Estimo que você ainda lembre-se de mim, pois sua imagem não saiu de diante dos meus olhos nem por um instante.
Com Apreço,
Arthur Braga."

Ela sorria de um sorriso convulso. Cada palavra era um alívio e ao mesmo passo motivos de mais nervosismo. Ele pensava nela. Fantástica e diante dos olhos. Era magnífico ser lembrada por alguém que não saíra de sua mente. Somente isso a fazia suspirar. Leu muitas vezes a mensagem e, sem titubear, o respondeu.
                                               “Caro Arthur,
A vida reserva grandes surpresas e você é uma destas. Nossas margens do rio se encontraram e se tornaram a terceira margem. Foi realmente impressionante como tudo aconteceu e em nada posso reclamar. Foi ótimo e  agradável. Até aquela tarde não conhecia ninguém que tivesse tamanho apreço por poesia como eu. Jamais esquecerei nossas mãos... Nossas mãos sobre o mesmo livro e o seu e-mail, acredite, foi bastante esperado. E, respondendo ao conteúdo da sua mensagem, não penso em nada, a não ser em teus olhos sorrindo.
Com Apreço,
Guilia Fernandes”

Arthur não acreditava. Primeiro, por ter mandado o e-mail e segundo por ela ter respondido. Seu corpo tremia de alegria. Ela pensara nele. Sim, não o esquecera. Jamais vivera algo assim. Ela o respondera no mesmo tempo. Cada palavra da mensagem dela desenhava um pedaço da lembrança daquela noite em sua mente. Era sensacional! A doce menina o respondera. Embora feliz, Guilia ficou temerosa de ter dito algo errado ou não ter agradado, como se isso fosse possível. Ficou diante do computador esperando um fio de luz. Até que no escuro raiou a luz. Ele a respondeu, ousadamente, com apenas uma frase.
                               “A gente se vê em breve?”

domingo, 19 de junho de 2011

Doce Lembrança

                      "Dois jovens, dois caminhos, dois destinos e apenas uma chegada".

                                 
   Capítulo I:
2007- O Encontro
                     Inesperadamente é como tudo acontece. E não poderia ser de outra forma. Guilia tinha apenas seus bons e adoráveis dezesseis anos. Época dos sonhos multiplicados, das fantasias se expandirem. Guilia amava tudo isto e amava ser amada. Apaixonada pela vida, dedicava-se inteiramente aos estudos, ingressara no começo do ano em um pré-vestibular para encarar o futuro com mais graça. Ela era assim, inteligente, romântica e solitária. Enquanto isto, do outro lado do rio encontrava-se Arthur, um bom rapaz, na verdade um bom homem de seus trinta anos. Encantado também pela vida, aproveitava da melhor forma cada momento. Poeta, passava noites a fio escrevendo, mas todas as manhãs deixava suas inspirações e vestia seu melhor terno e se dirigia à rotina que se destinou: ser um excelente executivo. Ele era bom no que fazia. Palestrava todos os dias e era adorado por todos os que o cercavam.Imponente e carismático em seu trabalho, sensível e só em casa. Houve sim tempos que não estava tão solitário, afinal não eram trinta dias e sim trinta anos. Foi amado, mas nada deu certo,e, ao seu tempo, esvaiu de sua vida assim como esvaímos do mundo.
           Então, pessoas de mundos diferentes tinham algo em comum: a solidão. Mesmo que fossem amados por todos, nada os completavam. Eram sós. As noites eram longas em busca daquilo que ainda não se conhecia. E foi em uma tarde de verão que tudo ocorreu. Guilia e seus amigos caminhavam na praia e Arthur, o bom Arthur, admirava o pôr do sol sentado na areia. Na euforia adolescente, corriam pela areia, agarravam-se e riam constatemente. E nessa brincadeira, pegaram das mãos de Guilia um livro. Naquele instante a menina começou a correr desesperada para alcançar seu livro. Desesperada era sim como se encontrava Guilia. Seu livro favorito correndo de mão em mão. E foi assim que este foi arremessado e tomou outro rumo: os pés de Arthur. Sem pensar, pegou-o e observou sua capa enquanto Guilia se aproximava. Ela, ofegante, chegou e pediu desculpas pelo insejo e estendeu a mão para pegar o livro sem mesmo olhar para Arthur. Ele estava atônito. Havia alguém tão jovem bem na sua frente que sentia o mesmo gosto por poesia e não conseguia falar,admirado. Até que Guilia sentia a espera e olhou para ele cujo olhar era brilhante, tanto para o livro quanto para ela.Por um momento quis correr dali, por dois outros permaneceu. Olharam-se por um longo instante, unidos pelas mãos no livro e foi assim que Arthur resolveu falar.
             - Olá! Me chamo Arthur (ainda segurando o livro).
             - Oi! sou Guilia. Acho que você gosta de poesia tanto quanto eu.
             - Como sabe?
             - Você não largou o livro desde que ele chegou aos seus pés! 

           Sem graça, Arthur percebera que agarrara o livro com tanta força como se segurasse um tesouro em suas mãos. Ele largou e sorriu e ela riu. Conversaram durante muito tempo sem saber ao certo o que acontecia.O destino traçou os caminhos e eles viviam tal encontro. Ambos encantaram-se. Por fim, a noite caía e Guilia tinha de ir, pois seus amigos, cansados de esperá-la, despediram-se. A noite, os sorrisos, os olhares os envolviam de um jeito que perduraria para o resto de suas vidas.Entretanto, aquele momento mágico estava acabando.
            - Preciso ir, Arthur.Mas foi bom conhecer você
            -Já? Você quer que eu te leve e ...
                  Gulia o interrompeu.
            - Não precisa!! Eu sei me cuidar!
                   Mais se encantou Arthur naquele instante e se despediu.
            - Gostei de saber que existe alguém no mundo que alimenta a poesia tanto quanto eu.
            - Igualmente (suspirou)...Então é isso. Até breve (sorriu).
        Ela caminhou  e Arthur a viu ir e lembrou que não trocaram contatos. Não poderia se contentar apenas com aquele momento. Havia sido muito especial para acabar ali. Pensou em pedir o telefone, mas achou inconveniente. Então, gritou:
            - Guilia!! Você pode me dar seu e-mail? Talvez, quem sabe possamos conversar mais e nos...
                      Ela começou a correr na direção dele e a dizer:
            - Claro! Foi bom você lembrar disto!
        E, desta forma, a vida dos dois se encontraram. Encontro inesquecível para eles. Depois disso, a caixa de e-mails não ficou vazia por muito, muito tempo.