sexta-feira, 20 de julho de 2012


Cap. XVIII
parte I
Corações, desilusão, tentativas
Foram dois meses passando grandes momentos. A lua não apareceu e quando aparecia na varanda de Guilia era quando a menina já estava na cama. Invadia por um momento com seus raios frios o quarto da moça, mas logo o deixava por não encontrar os olhos daquela que sempre a procurava. Foram dias alegres, quer dizer, menos tristes, cicatrizantes seria a palavra ideal. Mas não para Eduardo. Até então, ninguém havia falado para o rapaz. Luiza e Guilia mantiveram a discrição e os pais de Guilia igualmente, pois todos sabiam que da paixão platônica que o rapaz guardara desde o momento que conheceu os olhos oblíquos mais bonitos que existiu na vida de Eduardo. Destes dois meses, Eduardo saiu em viagem a negócios. Ligara pelo menos duas vezes na semana e mandara mensagens todos os dias para sua amada. Não havia como esquecê-la, pelo menos para ele não. Contudo, assim que voltou, após dois longos meses apenas recebendo mensagens depois de dois ou três dias, ele descansou pela manhã e à noite correu para a porta de sua musa inspiradora. Gostaria de lhe tocar algo ou sequer cantar, mas não conseguiria, pois tamanha era a emoção de revê-la. Ao chegar próximo ao portão do condomínio enxergou uma menina muito parecida com Guilia.
- Seria ela? Não poderia ser! Está com um rapaz! Seria Arthur? Acho que não. Arthur é um pouco mais baixo. Não pode ser ela.
                Aproximou-se mais um pouco e sim, era ela. Era Guilia e Rafael abraçados, sorrindo mutuamente. Eduardo ficou perplexo. Abaixou a mão em desespero com as rosas vermelhas despencando para chão, as rosas que sua menina mais gostava.  Lágrimas lhe pularam dos olhos.
                - Eu não posso acreditar.  É outro.
                Sentou no chão e ficou dali olhando para ela nos braços de outro homem que não era ele, nem Arthur. Amassava o resto das rosas. Chorava. Engasgava-se de dor. Permaneceu sentado até que Rafael a deixou e ela entrou.  Sem forças, levantou. Fraquejando lhe as pernas, caminhava em direção à praia. Desnorteado, na verdade.  Sentou-se na areia. Arremessou ao mar o caule das flores (sim, porque despedaçara cada pétala da rosa) e recordava com tristeza de cada momento ao lado de Guilia.  Urrou de dor. Só o mar o ouviu. E ali passou horas lamentando e chorando de um choro convulso, doloroso, desiludido

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