segunda-feira, 30 de julho de 2012

Cap. XIX
Olhos, encontros, desencontros e notícias.
Parte I.
                Luiza permaneceu ainda no hospital por alguns dias após a operação. Guilia fielmente estava lá todos os dias. Levava chocolate, flores e livros. Luiz, o médico que fizera a cirurgia e acompanhava a paciente admirava e observava a amizade das duas. Um dia, perguntou à Guilia sobre a relação delas e a causa da fratura da amiga, pois como notara num certo momento choros contidos e solitários na recepção.
- Oi, Guilia!
-Olá, doutor.
- Pode me chamar de Luiz ou Carlos. (sorriu)
- Ok.  Vou chama-lo de Carlos (desconsertada) .
                O médico lhe sorriu.
- Então, sua amiga terá alta em dois dias, mas ela ainda não sabe. Nunca vi uma recuperação tão rápida. Ela é incrível!
                Guilia pôs as mãos sobre o rosto e pulava de felicidade. O médico não sabia a alegria de saber que ela se recuperara de uma dor que involuntariamente Guilia havia causado. Luiz Carlos sorria e observava.
                - Por que você chora, moça? Ela está bem! Muito bem!
                - Eu sei. Estou feliz!
                -Mas me parece chorar de alívio.
                - E você também se formou em psicologia? (gargalhou)
                               Luiz riu sem graça.
                -  Não, mas uma vez quando passei no corredor e fui à recepção você estava encolhida num canto despejando lágrimas. Não é normal.
                - Você é curioso e insistente, sabia? (sorriu)
                - Você ainda não viu nada. (riu)
                - Um rapaz amigo meu a derrubou por minha causa.
                - Meu Deus! Que agressividade!
                - É, mas prefiro não falar mais nada sobre o assunto. O que importa é que ela está bem agora. Posso ir dar a notícia? Os pais dela sabem?
                - Sim, menina. Os pais dela sabem, mas pediram para te contar. Acharam que se ela ouvisse de você cuja companhia não lhe faltou, seria mais emocionante. Eles foram tomar café.
                - Então vou correr para o quarto.
                - Quer que eu a acompanhe?
                - Acho que não precisa. Muito obrigada.
                               Luiz Carlos lhe estendeu a mão. Guila lhe sorriu e estendeu sua delicada e suave mão que Luiz jamais esqueceria. O médico falou:
                - Foi um prazer conhece-la fora do quarto da Luiza.
                - Igualmente.
                               Continuou segurando a delicada mão. Ela sorriu.
                - Você pode soltar quando quiser ok?
                                Envergonhou-se e por um momento os olhos azuis foram apagados pela vermelhidão em suas bochechas. Ela riu e saiu enquanto ele se recompunha olhando a ir.
                               Atravessou o corredor e seguindo em direção ao quarto de Luiza pensara:  “- o que será que este médico está pensando? Será que ele gostou de...Não! Impossível! Ele sabe que o Rafael é meu namorado. Mas  se fosse realmente isto teria dado outros indícios... Claro que deu! Viu-me chorar! Que louco! Não.. Não pode ser.” E entre pensamentos interrogativos chegara ao quarto de Luiza, mas ao abrir a porta teve uma surpresa. Alguém estava sentado na cama dela, ao lado de sua melhor amiga. Os dois olharam para Guilia que imediatamente perguntou:

- O que você está fazendo aqui?

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