Cap. XIX
Olhos,
encontros, desencontros e notícias.
Parte
I.
Luiza permaneceu ainda no
hospital por alguns dias após a operação. Guilia fielmente estava lá todos os
dias. Levava chocolate, flores e livros. Luiz, o médico que fizera a cirurgia e
acompanhava a paciente admirava e observava a amizade das duas. Um dia,
perguntou à Guilia sobre a relação delas e a causa da fratura da amiga, pois
como notara num certo momento choros contidos e solitários na recepção.
- Oi, Guilia!
-Olá, doutor.
- Pode me
chamar de Luiz ou Carlos. (sorriu)
- Ok. Vou chama-lo de Carlos (desconsertada) .
O médico lhe sorriu.
- Então, sua
amiga terá alta em dois dias, mas ela ainda não sabe. Nunca vi uma recuperação
tão rápida. Ela é incrível!
Guilia pôs as mãos sobre o rosto
e pulava de felicidade. O médico não sabia a alegria de saber que ela se
recuperara de uma dor que involuntariamente Guilia havia causado. Luiz Carlos
sorria e observava.
- Por que você chora, moça? Ela
está bem! Muito bem!
- Eu sei. Estou feliz!
-Mas me parece chorar de alívio.
- E você também se formou em psicologia?
(gargalhou)
Luiz riu sem
graça.
- Não, mas uma vez quando passei no corredor e
fui à recepção você estava encolhida num canto despejando lágrimas. Não é
normal.
- Você é curioso e insistente,
sabia? (sorriu)
- Você ainda não viu nada. (riu)
- Um rapaz amigo meu a derrubou
por minha causa.
- Meu Deus! Que agressividade!
- É, mas prefiro não falar mais
nada sobre o assunto. O que importa é que ela está bem agora. Posso ir dar a
notícia? Os pais dela sabem?
- Sim, menina. Os pais dela
sabem, mas pediram para te contar. Acharam que se ela ouvisse de você cuja
companhia não lhe faltou, seria mais emocionante. Eles foram tomar café.
- Então vou correr para o
quarto.
- Quer que eu a acompanhe?
- Acho que não precisa. Muito
obrigada.
Luiz Carlos lhe
estendeu a mão. Guila lhe sorriu e estendeu sua delicada e suave mão que Luiz
jamais esqueceria. O médico falou:
- Foi um prazer conhece-la fora
do quarto da Luiza.
- Igualmente.
Continuou
segurando a delicada mão. Ela sorriu.
- Você pode soltar quando quiser
ok?
Envergonhou-se
e por um momento os olhos azuis foram apagados pela vermelhidão em suas bochechas.
Ela riu e saiu enquanto ele se recompunha olhando a ir.
Atravessou o
corredor e seguindo em direção ao quarto de Luiza pensara: “- o que será que este médico está pensando?
Será que ele gostou de...Não! Impossível! Ele sabe que o Rafael é meu namorado.
Mas se fosse realmente isto teria dado
outros indícios... Claro que deu! Viu-me chorar! Que louco! Não.. Não pode ser.”
E entre pensamentos interrogativos chegara ao quarto de Luiza, mas ao abrir a
porta teve uma surpresa. Alguém estava sentado na cama dela, ao lado de sua
melhor amiga. Os dois olharam para Guilia que imediatamente perguntou:
- O que você
está fazendo aqui?
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