Cap. XIX
Olhos, encontros, desencontros e notícias.
Cap. V
Enquanto
Rafael sorria para a menina, ela simplesmente pensava. Que pedido poderia ser
para transformar qualquer distância em presença? Não Existia. A não ser... O
rapaz sentado naquele ambiente hospitalar tinha em seus olhos o maior amor do mundo e
sem pensar disse:
- Guilia,
apesar da minha idade, eu nunca amei alguém como eu amo você. Ninguém me fez
feliz como você faz. Eu não queria que
fosse aqui, neste local, mas o que você me faz sentir perpassa o lugar.
Guilia estava pálida, podia
pressentir a próxima fala. Não conseguiria impedir. Silenciou.
- Meu amor –
ajoelhou-se-, casa comigo?
Estendeu-lhe uma rosa vermelha e
entre as pétalas estava a aliança.
A menina amada por todos que a cercava,
mas que amara apenas um, não teve reação. Emudeceu e pasmou. Pensou por um
momento em toda a sua vida. Pensou em Arthur. Como aceitar um pedido de tamanha
valia se bem lá no fundo de seu peito, ainda há esperanças do retorno de
Arthur? Como não aceitar um pedido de quem só a quer bem e a amou mesmo sabendo
que possivelmente nunca será correspondido? A dúvida sobreveio o pensamento de
Guilia como a sombra no jardim daquele hospital. Ao redor tudo escurecia,
dentro do peito da menina acontecia uma sombra também. O que dizer neste
momento se nem eu sei o que fazer?
Ao olhar a expressão de Guilia o
coração de Rafael gelou. Ela não aceitaria. O que fazer? O que dizer? Os olhos
cortês e viris se encheram de lágrimas e sem deixar transparecer sua
fragilidade, procurou palavras para não ouvir aquilo que não queria ouvir.
- Meu amor,
você não precisa me responder agora. Na verdade, não precisa se casar comigo
agora, neste momento – deu um sorriso amarelado-, pode me responder depois ou
nem precisa, só não me abandone. Eu não quero perder você e pensei que fosse
melhor se fôssemos os dois para lá.
Guilia permanecia imóvel olhando
para a rosa. Rafael desesperava-se.
- Guilia, pode
falar!
- Rafael, na
verdade, eu...
Rafael chorou. Pegou na mão da
menina e falou:
- Lembra que
eu disse que não queria enxergar? Então. Eu não quero. Não me faça enxergar
nada. O meu amor supera a ausência do seu. Por favor, eu te imploro. Nem
precisa me responder, mas não diga.
Os olhos oblíquos e frios de sua
menina o feria, mas era melhor pensar que eles eram assim para todos e não que
existia um alguém que aquecia aqueles olhos cor de folha.
Guilia interrompeu o próprio
silêncio.
- Você é a
melhor pessoa que eu conheço, Rafa.
- Eu te amo,
Guilia. Eu te amo demais para te perder.
Ela sorriu e o abraçou. Ele
suspirou aliviado, mesmo que soubesse da não retribuição de sua fala. Após o
abraço, os olhos menos tempestivos de Guilia sinalizavam o conforto naquele
coração, assim, com o coração ameno, exclamou:
- Vamos dar as
boas novas a Luiza!
- Boas novas?
- Sim.
- Qual?
- A que ela
terá alta hoje.
Rafael por um momento teve a vã
esperança que seria a aceitação do seu pedido.
- Tudo bem.
Vamos.
Sorriram mutuamente e o jovem
delegado pegou na mão de sua eterna menina e caminharam espreitados pelos olhos
azuis.