Cap. XVIII
Corações, desilusão, tentativas
Cap. IV
Emergencialmente
Luiza foi atendida, enquanto Guilia também passava por atendimento. Como suas
escoriações não eram graves, logo foi liberada. Na sala de espera,
encontrava-se Rafael altamente pensativo. Um nome não lhe saía da cabeça:
Arthur. “Quem seria este”- pensava. As palavras ditas por Eduardo não lhe saíam
da memória. Como assim sendo usado por Guilia? Os pensamentos o aturdiam e seu
rosto refletia suas lembranças e pensamentos até quando sua namorada chegou.
- Rafa, já
estou liberada. Vou tomar apenas um medicamento para dor, mas não fraturei
nada. Tem notícias da Luiza?
Rafael ainda muito pensativo
demorou a responder notoriamente por estar em outro lugar, ou melhor, em outras
palavras e momentos. Guilia refez a pergunta:
- Rafa, o que
houve? Perguntei da Luiza e você não respondeu. Está tudo bem?
Voltando a si, o rapaz
respondeu:
- Claro, minha
linda! Quer dizer... Ainda não tenho notícias.
Guilia o encarou por um momento,
o rapaz desviou olhar, visto que sabia que a menina tinha o pode de
desconcertá-lo e entrar em seus pensamentos. Sem pestanejar a adorável namorada
de Cortez, indagou:
- Amor, o que
houve com você? Veio calado e está com um rosto bastante apreensivo. É essa
situação? Sei que foi constrangedora e sabe-se lá o que poderia nos acontecer
se você não tivesse chegado. Muito obrigada.
Rafael sorriu num sorriso
distante. Havia algo diferente.
- Rafael, será
que você pode me dizer, por favor, o que está havendo?
Ele finalmente, sem desvios
oculares, puxou-a para si e a levou para os assentos. Assentaram-se. Ainda com
a mão dela entre as suas, disse:
- Você sabe
que o importante para mim são as suas palavras, certo? E que não há nada neste
mundo que mude o que eu sinto por você.
- A confiança
é a base do nosso relacionamento. Falamos isto sempre.
-Exatamente.
Jamais vou confiar em terceiros ou coisa parecida, mas hoje, em meio aos nervos
alterados e a minha vontade de matar aquele maluco que você chama de amigo, ele
disse algo que me intrigou.
Arregalaram-se os olhos
oblíquos. Sim, ele falaria naquele instante sobre alguém que ela tinha
prometido não falar nem para mesmo para ela. Interrompeu.
- Não fale
assim do Dudu. Infelizmente ele está cego. Há tantas meninas ao redor. Tantas
meninas inteligente, bonitas e bem humoradas, mas ele não consegue enxergar. O
que ele sente não é amor, é doença. Ele confundiu as coisas.
- Mas você me
disse, minha linda, que ele sempre foi assim. Por que você não cortou? Olha no
que deu. Eu juro que faria uma loucura se você não tivesse entrado na frente.
- Eu sei que
faria e não teria valido a pena. Sempre coloquei para ele nossa condição. Um
dia ele há de aceitar.
- ou raptar
você! (riu) Aí a guerra dele será só comigo, porque ninguém pode roubar o meu
tesouro.
Guilia sorriu e imediatamente
foi tomada pelos fortes braços do delegado cuja força deu lugar a suavidade de
um carinho. Entretanto, a pergunta sem resposta ainda lhe povoava a mente.
Soltou a menina. Voltou ao assunto.
- Então, meu
amor, o que o Eduardo falou não me saiu da mente. Preciso saber.
Não haviam saídas, era
necessário responder. Era preciso abrir a ferida novamente, e, mais ainda,
tocá-la.
- O que ele
falou que te aflige?
Rafael imediatamente perguntou:
- Quem é
Arthur?
Guilia suspirou, inspirou,
faltou-lhe o ar. Na verdade o ar ficou seco de mais para ser inalado. Olhou
para o rapaz que nem piscava observando cada milimétrica ação da jovem. Sorriu
e seus olhos se encheram de lágrimas. Esboçou a fala, parou. Finalmente quando
mentalmente composta a frase para responder a pergunta mais funérea de sua
vida...
- Senhores,
vocês são os amigos de Luiza?
O médico Luiz Carlos
interrompeu. Desespero de Rafael, alívio de Guilia que se virou para o viril
médico e disse:
- Somos sim!
Tem notícias dela? Ela está bem?
O médico respondeu sem mostrar
reação através daqueles azuis olhos cor de mar:
- Sim! Tenho
notícias de Luiza.
E assim, a pergunta de Rafael
foi postergada durante mais um tempo. Descanso do coração de Guilia, aflição do
músculo de Rafael.
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