segunda-feira, 23 de julho de 2012


Cap. XVIII
Corações, desilusão, tentativas

Cap. IV
Emergencialmente Luiza foi atendida, enquanto Guilia também passava por atendimento. Como suas escoriações não eram graves, logo foi liberada. Na sala de espera, encontrava-se Rafael altamente pensativo. Um nome não lhe saía da cabeça: Arthur. “Quem seria este”- pensava. As palavras ditas por Eduardo não lhe saíam da memória. Como assim sendo usado por Guilia? Os pensamentos o aturdiam e seu rosto refletia suas lembranças e pensamentos até quando sua namorada chegou.
- Rafa, já estou liberada. Vou tomar apenas um medicamento para dor, mas não fraturei nada. Tem notícias da Luiza?
                Rafael ainda muito pensativo demorou a responder notoriamente por estar em outro lugar, ou melhor, em outras palavras e momentos. Guilia refez a pergunta:
- Rafa, o que houve? Perguntei da Luiza e você não respondeu. Está tudo bem?
                Voltando a si, o rapaz respondeu:
- Claro, minha linda! Quer dizer... Ainda não tenho notícias.
                Guilia o encarou por um momento, o rapaz desviou olhar, visto que sabia que a menina tinha o pode de desconcertá-lo e entrar em seus pensamentos. Sem pestanejar a adorável namorada de Cortez, indagou:
- Amor, o que houve com você? Veio calado e está com um rosto bastante apreensivo. É essa situação? Sei que foi constrangedora e sabe-se lá o que poderia nos acontecer se você não tivesse chegado. Muito obrigada.
                Rafael sorriu num sorriso distante. Havia algo diferente.
- Rafael, será que você pode me dizer, por favor, o que está havendo?
                Ele finalmente, sem desvios oculares, puxou-a para si e a levou para os assentos. Assentaram-se. Ainda com a mão dela entre as suas, disse:
- Você sabe que o importante para mim são as suas palavras, certo? E que não há nada neste mundo que mude o que eu sinto por você.
- A confiança é a base do nosso relacionamento. Falamos isto sempre.
-Exatamente. Jamais vou confiar em terceiros ou coisa parecida, mas hoje, em meio aos nervos alterados e a minha vontade de matar aquele maluco que você chama de amigo, ele disse algo que me intrigou.
                Arregalaram-se os olhos oblíquos. Sim, ele falaria naquele instante sobre alguém que ela tinha prometido não falar nem para mesmo para ela. Interrompeu.
- Não fale assim do Dudu. Infelizmente ele está cego. Há tantas meninas ao redor. Tantas meninas inteligente, bonitas e bem humoradas, mas ele não consegue enxergar. O que ele sente não é amor, é doença. Ele confundiu as coisas.
- Mas você me disse, minha linda, que ele sempre foi assim. Por que você não cortou? Olha no que deu. Eu juro que faria uma loucura se você não tivesse entrado na frente.
- Eu sei que faria e não teria valido a pena. Sempre coloquei para ele nossa condição. Um dia ele há de aceitar.
- ou raptar você! (riu) Aí a guerra dele será só comigo, porque ninguém pode roubar o meu tesouro.
                Guilia sorriu e imediatamente foi tomada pelos fortes braços do delegado cuja força deu lugar a suavidade de um carinho. Entretanto, a pergunta sem resposta ainda lhe povoava a mente. Soltou a menina. Voltou ao assunto.
- Então, meu amor, o que o Eduardo falou não me saiu da mente. Preciso saber.
                Não haviam saídas, era necessário responder. Era preciso abrir a ferida novamente, e, mais ainda, tocá-la.
- O que ele falou que te aflige?
                Rafael imediatamente perguntou:
- Quem é Arthur?
                Guilia suspirou, inspirou, faltou-lhe o ar. Na verdade o ar ficou seco de mais para ser inalado. Olhou para o rapaz que nem piscava observando cada milimétrica ação da jovem. Sorriu e seus olhos se encheram de lágrimas. Esboçou a fala, parou. Finalmente quando mentalmente composta a frase para responder a pergunta mais funérea de sua vida...
- Senhores, vocês são os amigos de Luiza?
                O médico Luiz Carlos interrompeu. Desespero de Rafael, alívio de Guilia que se virou para o viril médico e disse:
- Somos sim! Tem notícias dela? Ela está bem?
                O médico respondeu sem mostrar reação através daqueles azuis olhos cor de mar:
- Sim! Tenho notícias de Luiza.
                E assim, a pergunta de Rafael foi postergada durante mais um tempo. Descanso do coração de Guilia, aflição do músculo de Rafael.

Nenhum comentário:

Postar um comentário