sábado, 21 de julho de 2012


Cap. XVIII
Corações, desilusão, tentativas
parte. II
Eduardo não se conformava. Qual seria a razão dela não o escolher? Ele a amava demais. E isto não seria o suficiente? Pelo visto para Guilia não. Lamentoso, foi para casa. Não dormira. Pensara nela, chorava. A dor em seu peito era muito forte. Eram gritos ásperos corroendo a alma dele, aquele que comportava um amor puro e doce por ela. O dia amanheceu, mas aos olhos de Eduardo ainda era noite. Ele estava petrificado no momento que viu aquelas mãos correndo pelos cabelos dourados de Guilia, ou, quando, passaram pelo rosto dela. Não aguentava de dor. Encolhia-se, tentava esquecer, mas em vão. Nada o faria esquecer. Nada. Levantou-se, abriu a janela. Resolveu uma atitude.
Guilia levantara cedo. Correra para tomar café da manhã. Depois se sentou ao piano e tocou uma música apenas. Estava atrasada para encontrar Luiza e fazer a caminhada matinal que costumavam fazer antes de prosseguirem para a faculdade. Colocavam as conversas em dia, além de respirarem o ar puro da bela vista da orla da praia do Leblon. Ligou para a amiga e remarcou o horário. Arrumou-se com calma. Pegou todas as coisas com calma, mandou uma mensagem avisando a Luiza que estava saindo de casa e desceu. Cumprimentou ou pais e saiu de casa. Sorriu para a rua, esperava um bom dia. Um dia “bom” que não viria. Encontrou na orla Luiza, que morava a cinco minutos da casa da outra jovem. Como de costume, abraçaram-se e sorriram e então começaram a andar. Era um hábito das duas, costumavam dizer que aquela paisagem proporcionava um bom dia, e, de fato, proporcionava, o que não viria a ser exatamente sempre, ou melhor, naquele dia. Enquanto caminhavam tranquilamente conversando, Luiza enxergou um rapaz vindo à direção delas, ao longe.
- Gui, aquele não é o Eduardo?
- Será? Mas ele voltou ontem de viagem, Lu. Não deve ser. Deve estar descansando em casa. Ainda são dez horas da matina, com certeza deve estar dormindo. (riu)
- Amiga, seja lá a hora que ele voltou de viagem, ele está vindo e já nos viu e o rosto dele não é bom.
                Guilia preocupou-se. Será que ele soube do novo relacionamento? – Pensou a menina. Todos tinham medo daquele amor que Eduardo sentia. Era possessivo, quase doentio, por isso todos esconderam, mas  o que se precisava naquele momento era se esconder. Inconfundivelmente era Eduardo, pois aquele andar ninguém jamais tivera. Era de um ar elegante e ao mesmo tempo frágil, menino, apesar de sua idade.
- Lu, é ele!
- É, amiga, e, pela cara dela, não está nada bem. Será que ele soube?
- Vire esta boca pra lá, amiga! Sabe-se lá o que ele faria.
- Então pense em outro motivo para ele estar acordado a esta hora e com um rosto transtornado, mas pense rápido porque estamos a dez passos dele.
- Meu Deus! O que eu faço?
- Deixe comigo. Vamos passar como se não o tivesse visto ou eu falo alguma coisa.
- Tudo bem.
                Ele ser aproximou e Luiza começou a falar alto e bastante descontraída para fingir, apenas, que elas passaram despercebidas. Não adiantou. Eduardo parou na frente de Guilia. O rosto dele estava transtornado, perplexo, assustador. Encarou a moça com um olhar mórbido, tenebroso o bastante para tirar qualquer álibi de Luiza ou qualquer olhar terno de Guilia. Amedrontou-as olhá-lo. Ele não falava nada.  A jovem de olhos oblíquos quebrou o silêncio.
- Olá, Dudu! Como foi a viagem? Estava com saudades.
                Fixou os olhos dentro dos olhos da menina. Aproximou-se.
- É mesmo, Guilia? Estava com saudades?
- Estava Dudu. Quando foi que menti para você?
                Ele se aproximou ainda mais. Segurou os braços da menina.
- Sempre.
- Eduardo, me solta! Você está me machucando.
- Estou, Guilia?
- Unhum. Pode me soltar?
- O que você está sentindo não é o mínimo do que você me faz sentir.
                Luiza interferiu. Pegou na mão do garoto e tentou puxar para que soltasse a amiga. Não conseguiu. Levou um empurrão.
- Saia daqui garota.
                Puxou Guilia para perto do corpo dele. Começou a gritar.
- Sabe o que você faz comigo? É isso. Me machuca, me destrói. Por que só eu que não tenho oportunidade, garota? Por que  você nunca me deu uma chance? Por quê?
- Dudu, você está me machucando.
- É para machucar! (gritou)
                Eduardo começou a chorar. Gritava como um louco e mantinha Guilia presa em seus braços.
- Eu sempre te amei, Guilia. Faria qualquer coisa por você e você sabe disto. E o que você pensa sobre isto? Nada. Não se importa. Prefere dar oportunidade a esses idiotas que só te fazem sofrer. Você é medíocre Guilia. Um nojo de garota. Sempre pensei que você fosse boa, mas não. Não é. Deu oportunidade ao Arthur enquanto eu estive ao seu lado. E agora aquele babaca que você estava beijando no seu portão ontem.
- Você esteve lá ontem? (chorando)
- Sim. Com flores, mas você estava nos braços de outro.
- Eduardo, a gente não escolhe por quem se apaixona.
- E eu sei disso mais que ninguém! Te dei todo meu carinho, Guilia, todo meu amor. Fiz de tudo por você. Abri mão de tempos para estudar com você, para ouvi-la tocar, para apenas te olhar e o que você fez? Pisou. Maltratou. E agora está chorando porque estou te segurando. Que frágil você! Queria que você sentisse o que eu estou sentindo agora.
- Meu amigo...
                Guilia tentou falar, mas Eduardo interrompeu.
-  Não sou seu amigo, sua vagabunda!
                Luiza correu para puxá-lo e levou um empurrão que a jogou no chão. Machucou-a.  Guilia o encarou.
- Você acha que isso é amor? Isso é doença. E isso eu desprezo. Não tenho vontade de ficar com você, porque você é um miserável, medíocre que não se valoriza. Mimado, egoísta. Eu nunca vou ser sua.
- É? Tem certeza?
- Tenho! (encarando-o)
                Apertou-a nos braços e a beijou num beijo de dor. Ela trancou os lábios. Ele forçou. Guilia sacudia e chorava. Por acaso, Rafael passava de carro neste momento. Parou e correu em direção aos três. Muitas pessoas estavam paradas sem fazer nada, apenas olhando a cena. Rafael empurrou as pessoas e chegou ao local. Puxou Guilia, tirou-a das mãos de Eduardo que furioso gritou:
- Você é o novo babaquinha que essa vagabunda está usando?
- Olha lá, moleque como você fala da minha namorada!
-Ah! Claro! Você é mais um idiota mesmo. Tem de ser. Vai aturar até quando?
- Garoto, vaza daqui.
- O que você vai fazer? Chorar igual a essa vadia?
                 Rafael perder o controle. Deu um soco no rosto de Eduardo que desmoronou do alto de seus  1,90cm. O rapaz não parou de bater. Eduardo esboçou reação, mas o ódio de Rafael era tanto que sacou arma, até que Guilia entrou na frente e gritou:
- Pára!! Por favor! Pára por aqui!
- Mas, amor, ele te machucou?
- Mas isso não quer dizer que ele precisa ser machucado. Ele é um pobre coitado.
                As pessoas interviram também. Seguraram Rafael e outros Eduardo. Os ânimos alterados eram unânimes, mas nada doía mais que a dor no peito de Eduardo, ou, a dor dos braços apertados de Guilia.  

Nenhum comentário:

Postar um comentário