Cap.
XVIII
Corações,
desilusão, tentativas
parte. II
Eduardo não se
conformava. Qual seria a razão dela não o escolher? Ele a amava demais. E isto
não seria o suficiente? Pelo visto para Guilia não. Lamentoso, foi para casa.
Não dormira. Pensara nela, chorava. A dor em seu peito era muito forte. Eram
gritos ásperos corroendo a alma dele, aquele que comportava um amor puro e doce
por ela. O dia amanheceu, mas aos olhos de Eduardo ainda era noite. Ele estava
petrificado no momento que viu aquelas mãos correndo pelos cabelos dourados de
Guilia, ou, quando, passaram pelo rosto dela. Não aguentava de dor. Encolhia-se,
tentava esquecer, mas em vão. Nada o faria esquecer. Nada. Levantou-se, abriu a
janela. Resolveu uma atitude.
Guilia
levantara cedo. Correra para tomar café da manhã. Depois se sentou ao piano e
tocou uma música apenas. Estava atrasada para encontrar Luiza e fazer a
caminhada matinal que costumavam fazer antes de prosseguirem para a faculdade.
Colocavam as conversas em dia, além de respirarem o ar puro da bela vista da
orla da praia do Leblon. Ligou para a amiga e remarcou o horário. Arrumou-se
com calma. Pegou todas as coisas com calma, mandou uma mensagem avisando a
Luiza que estava saindo de casa e desceu. Cumprimentou ou pais e saiu de casa.
Sorriu para a rua, esperava um bom dia. Um dia “bom” que não viria. Encontrou
na orla Luiza, que morava a cinco minutos da casa da outra jovem. Como de
costume, abraçaram-se e sorriram e então começaram a andar. Era um hábito das
duas, costumavam dizer que aquela paisagem proporcionava um bom dia, e, de
fato, proporcionava, o que não viria a ser exatamente sempre, ou melhor, naquele
dia. Enquanto caminhavam tranquilamente conversando, Luiza enxergou um rapaz vindo
à direção delas, ao longe.
- Gui, aquele
não é o Eduardo?
- Será? Mas
ele voltou ontem de viagem, Lu. Não deve ser. Deve estar descansando em casa.
Ainda são dez horas da matina, com certeza deve estar dormindo. (riu)
- Amiga, seja
lá a hora que ele voltou de viagem, ele está vindo e já nos viu e o rosto dele
não é bom.
Guilia preocupou-se. Será que ele
soube do novo relacionamento? – Pensou a menina. Todos tinham medo daquele amor
que Eduardo sentia. Era possessivo, quase doentio, por isso todos esconderam,
mas o que se precisava naquele momento
era se esconder. Inconfundivelmente era Eduardo, pois aquele andar ninguém
jamais tivera. Era de um ar elegante e ao mesmo tempo frágil, menino, apesar de
sua idade.
- Lu, é ele!
- É, amiga, e,
pela cara dela, não está nada bem. Será que ele soube?
- Vire esta
boca pra lá, amiga! Sabe-se lá o que ele faria.
- Então pense
em outro motivo para ele estar acordado a esta hora e com um rosto
transtornado, mas pense rápido porque estamos a dez passos dele.
- Meu Deus! O
que eu faço?
- Deixe
comigo. Vamos passar como se não o tivesse visto ou eu falo alguma coisa.
- Tudo bem.
Ele ser aproximou e Luiza começou
a falar alto e bastante descontraída para fingir, apenas, que elas passaram
despercebidas. Não adiantou. Eduardo parou na frente de Guilia. O rosto dele
estava transtornado, perplexo, assustador. Encarou a moça com um olhar mórbido,
tenebroso o bastante para tirar qualquer álibi de Luiza ou qualquer olhar terno
de Guilia. Amedrontou-as olhá-lo. Ele não falava nada. A jovem de olhos oblíquos quebrou o silêncio.
- Olá, Dudu!
Como foi a viagem? Estava com saudades.
Fixou os olhos dentro dos olhos
da menina. Aproximou-se.
- É mesmo,
Guilia? Estava com saudades?
- Estava Dudu.
Quando foi que menti para você?
Ele se aproximou ainda mais.
Segurou os braços da menina.
- Sempre.
- Eduardo, me
solta! Você está me machucando.
- Estou,
Guilia?
- Unhum. Pode
me soltar?
- O que você
está sentindo não é o mínimo do que você me faz sentir.
Luiza interferiu. Pegou na mão
do garoto e tentou puxar para que soltasse a amiga. Não conseguiu. Levou um
empurrão.
- Saia daqui
garota.
Puxou Guilia para perto do corpo
dele. Começou a gritar.
- Sabe o que
você faz comigo? É isso. Me machuca, me destrói. Por que só eu que não tenho oportunidade,
garota? Por que você nunca me deu uma
chance? Por quê?
- Dudu, você
está me machucando.
- É para
machucar! (gritou)
Eduardo começou a chorar. Gritava
como um louco e mantinha Guilia presa em seus braços.
- Eu sempre te
amei, Guilia. Faria qualquer coisa por você e você sabe disto. E o que você
pensa sobre isto? Nada. Não se importa. Prefere dar oportunidade a esses
idiotas que só te fazem sofrer. Você é medíocre Guilia. Um nojo de garota.
Sempre pensei que você fosse boa, mas não. Não é. Deu oportunidade ao Arthur
enquanto eu estive ao seu lado. E agora aquele babaca que você estava beijando
no seu portão ontem.
- Você esteve
lá ontem? (chorando)
- Sim. Com
flores, mas você estava nos braços de outro.
- Eduardo, a
gente não escolhe por quem se apaixona.
- E eu sei
disso mais que ninguém! Te dei todo meu carinho, Guilia, todo meu amor. Fiz de
tudo por você. Abri mão de tempos para estudar com você, para ouvi-la tocar,
para apenas te olhar e o que você fez? Pisou. Maltratou. E agora está chorando
porque estou te segurando. Que frágil você! Queria que você sentisse o que eu
estou sentindo agora.
- Meu amigo...
Guilia tentou falar, mas Eduardo
interrompeu.
- Não sou seu amigo, sua vagabunda!
Luiza correu para puxá-lo e
levou um empurrão que a jogou no chão. Machucou-a. Guilia o encarou.
- Você acha
que isso é amor? Isso é doença. E isso eu desprezo. Não tenho vontade de ficar
com você, porque você é um miserável, medíocre que não se valoriza. Mimado,
egoísta. Eu nunca vou ser sua.
- É? Tem
certeza?
- Tenho!
(encarando-o)
Apertou-a nos braços e a beijou
num beijo de dor. Ela trancou os lábios. Ele forçou. Guilia sacudia e chorava.
Por acaso, Rafael passava de carro neste momento. Parou e correu em direção aos
três. Muitas pessoas estavam paradas sem fazer nada, apenas olhando a cena.
Rafael empurrou as pessoas e chegou ao local. Puxou Guilia, tirou-a das mãos de
Eduardo que furioso gritou:
- Você é o
novo babaquinha que essa vagabunda está usando?
- Olha lá,
moleque como você fala da minha namorada!
-Ah! Claro!
Você é mais um idiota mesmo. Tem de ser. Vai aturar até quando?
- Garoto, vaza
daqui.
- O que você vai
fazer? Chorar igual a essa vadia?
Rafael perder o controle. Deu um soco no rosto
de Eduardo que desmoronou do alto de seus 1,90cm. O rapaz não parou de bater. Eduardo
esboçou reação, mas o ódio de Rafael era tanto que sacou arma, até que Guilia
entrou na frente e gritou:
- Pára!! Por
favor! Pára por aqui!
- Mas, amor,
ele te machucou?
- Mas isso não
quer dizer que ele precisa ser machucado. Ele é um pobre coitado.
As pessoas interviram também.
Seguraram Rafael e outros Eduardo. Os ânimos alterados eram unânimes, mas nada
doía mais que a dor no peito de Eduardo, ou, a dor dos braços apertados de
Guilia.
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