terça-feira, 31 de julho de 2012


Cap. XIX
Olhos, encontros, desencontros e notícias.
Parte II.
                Guilia se enfureceu. Revoltou-se na verdade e não se conteve após a pergunta.
- O que você está fazendo aqui, seu louco? Sabe que não é bem vindo!
- Tem certeza? Luiza me recebeu bem.
- Amiga! Que história é essa? Tem como me contar?
-  Ué, amiga. Ele apareceu aqui e perguntou se poderia sentar, relutei, mas lembra que eu não posso me levantar, ainda mais expulsá-lo.
                A menina de olhos oblíquos estava realmente enfurecida.
- Tá. E o que você veio fazer aqui? Já não nos fez o bastante?
- Se fiz já não importa, eu quero me redimir. Redimir-me com você e com Luiza que sofreu junto com você.
                Guilia se sentou na cadeira que era posta à esquerda da sala. Não continha a indignação e por um ligeiro momento deixou sua doçura e deu espaço a uma mulher forte, magoada, amarga e rancorosa. Luiza lhe sorriu e ela simplesmente ignorou.  Saiu da sala aturdida e sem olhar para frente esbarrou em Luiz e no esbarrão tudo que levara para a amiga foi ao chão. Flores, chocolates e mais livros. Imediatamente os dois se abaixaram e neste involuntário ato as mãos novamente se encontraram e os olhos, consequentemente, também.
- O que houve, moça?
- Não é nada.
- Você está com os olhos tempestuosos.
- Eles são assim, doutor.
- Pode deixar que eu pego suas coisas, mas me chame de Luiz.
- Tá, ok.
                Ela se ergueu e o esperou levantar para lhe mostrar a direção deveria seguir. Voltaram ao primeiro encontro, à recepção. Sentou-se e ele ao lado dela.
- Será que você pode me explicar o que aconteceu?
- Não é nada.
- Menina, claro que é. Olhe como você está.
- Já disse que estou bem.
- Como você é teimosa. Foi o homem que estava no quarto não é? Deu para ouvir do corredor que você não gostou de encontra-lo.
                Guilia deixou o coração amolecer e desabafou.
- Eu não entendo esse coração perdoador da Luiza. Ela sabe o que me aconteceu e agora ela está lá com ele, fora isso, ele não fez só a mim, mas a nós duas.
                Luiz Carlos deixou que o ímpeto de suas mãos tomasse conta da situação.
- Não vale a pena guardar ressentimentos, menina!
                Guilia penetrou a alma de Luiz Carlos com os olhos.
- Por que você se importa tanto comigo? Não sou sua paciente, e, que me lembre, nunca fui.
-Por que acho que você é alguém especial e isso dá pra ver nos seus olhos, mesmo que você tente ser ríspida e insensível. Consigo observar em você características nobres e dignas de serem apreciadas.
- Você nem me conhece!
- Não preciso conhecer mais que isto para saber que você é diferente. Agora vá ao quarto e tome uma postura adequada, postura de mulher que você tem dentro de você.
- Você acha mesmo que devo fazer isto?
- Bem, eu não sei quem ele é ou que ele te fez, mas não acho que você seja mulher de deixar um desafio te dominar. Domine-o, pois você é capaz de dominar até quem você não conhece, imagine aqueles que te cercam? Vá, garota (sorriu)!
                Guilia lhe deu o primeiro sorriso sincero. Seguiu os conselhos do jovem médico que ficou sentado na recepção olhando-a atravessar o corredor com um sorriso nos olhos e nos lábios que se podia ficar a admirar por horas.  Guilia ergueu os ombros, levantou o nariz o máximo que pôde e cruzou a porta do quarto, onde estava o acompanhante de Luiza e austeramente lhe disse:
- Posso falar com você em particular?
                Luiza perguntou:
- comigo?
- Não! Com ele!
                Imediatamente se levantou e saiu da sala.

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