sexta-feira, 22 de junho de 2012


Cap. XV
- Conversas, esperança e  um encontro esperado-
                Após a despedida, Guilia voltou para casa apressada. Queria falar com Luiza. O que acontecera? Não sabia o que estava passando dentro dela, era como se pudesse olhar a vida realmente com outros olhos, além dos olhos de Arthur. Chegando à sua casa, correu para o telefone e foi para seu quarto. Lá, deitou-se e com um sorriso aberto esperou sua amiga atende-la. Assim que atendeu, Guilia disse:
- Você nem imagina o que aconteceu, Lu!
-  Gui? O que houve?
- Fui à praia e encontrei...
                Luiza, afobada, interrompeu.
- Arthur?
                Guilia respirou fundo.
- Não, amiga. Um rapaz me abordou e ficamos conversando durante algum tempo.
- Sério, amiga? Mas, como assim? Quem é ele? Qual o nome? Quantos anos? Como foi? Conta porque vou morrer de curiosidade aqui! (risada)
- Calma, apressada! Ele é uma graça! O nome dele é Rafael, tem trinta anos e é delegado federal. Eu estava sentada na praia compondo e ele achou graça e veio conversar comigo. Ficamos por lá conversando, trocamos telefone para conversarmos mais e marcarmos alguma coisa.
                - Nossa! Que loucura, hein? Suas histórias são sempre assim não é amiga? (riu)
                - Amiga, eu não procurei nada.
                - Eu sei! Só achei engraçado porque se você analisar foi no mesmo lugar que você conheceu Arthur. Ele também é mais velho e adorável. Parece até uma nova versão da história, Gui!
                - Ah! Amiga! Eu não quero pensar assim. Não vai acontecer nada entre mim e o Rafael. Talvez, quem sabe, uma amizade.
                - Gui, ele não vai querer só sua amizade. Olhe para você! Linda, inteligente e musicista! Qualquer homem neste mundo gostaria de uma oportunidade de ficar na sua vida.
                - Pare com isso, boba! Não tem nada a ver!
                               E foi quando o celular sinalizou uma mensagem. Guilia leu e riu. Luiza, curiosa, disse:
                - Pode falar, dona Guilia! É ele?
                - Unhum!
                - O que ele escreveu?
                - Vou ler para você, ok?
                - Agora!
                - “Guilia, foi um prazer imenso conhecê-la. O que é inesperado se torna muito melhor. Você sem dúvida é diferente de todas as pessoas que conheci e gostaria muito que você ficasse de alguma forma na minha vida, por isso te faço um convite para almoçarmos. Não posso de jeito algum deixá-la ir sem ao menos te mostrar que posso ficar de alguma forma em sua vida. O que você acha? Espero que aceite o meu convite. Descanse,pois meu convite é totalmente descompromissado. Estimo que tenha chegado bem. Um beijo, Rafael Cortez.”
                Gargalhando, Luiza falou:
- Uau!!!! Ele é sem dúvida cortês mesmo!
- Como você é engraçada, Luiza!
- Estou mentindo? Claro que não! Adorei o nome dele. Agora me diz, vai almoçar com ele?
- Não sei, amiga!
- depois sou eu a boba! Pergunte o dia e o horário!
                Guilia ficou pensativa e Luiza entendeu.
- Guilia, você não está traindo o Arthur. Ele está do outro lado do oceano, sabe-se Deus o que ele está fazendo por lá. Não abra mão da sua juventude e de pessoas que vão chegar a sua vida. Este Rafael pode ser apenas o primeiro de muitos que virão. Você vai fechar as portas para você?
- A porta do meu coração nunca mais se abrirá.
- Pode ser! Não tiro sua razão, mas só saberá se tentar. Dê uma oportunidade a você mesmo. Não precisa se iludir, é só deixar acontecer, às vezes será só uma boa amizade. O que você acha?
- É, você tem razão. Vou responder a mensagem.
- Essa é a Guilia que eu conheço!
                Guilia respondeu a mensagem conforme a amiga ditou. Agradeceu-o por tê-la abordado e perguntou o horário e o dia do almoço. Imediatamente Rafael respondeu e marcaram então o novo encontro, agora esperado, para o dia seguinte.

quarta-feira, 20 de junho de 2012


Cap. XIV
- Um recomeço-
                A vida de Guilia aplumou-se novamente. Esquecera-se dos seus problemas – ou fingira que os havia esquecido- e voltou a sua habitual rotina. Sentada ao piano, pôs-se a tocar tudo quanto não fizera por dias. Embriagou-se de cada nota tão subitamente que quem passava por sua rua parava extasiado e ouvia aquelas belas canções. Seus dedos levemente passavam pelas teclas do piano rústico de sua sala. Com um bravo sorriso, ela não se cansava. Transpirava emoção. Cantava, ria, tocava. Fazia o que melhor sabia fazer: viver. Ao som das peripécias da jovem, os pais acordaram e os vizinhos também. Todos de bom humor. Havia tempo que aqueles dedos estavam empoeirados. Era finalmente um sopro maravilhoso que tocava os ouvidos de todos, inclusive os de Guilia. Diante do piano passaram-se horas e muitas composições até que resolvera caminhar e observar a música natural da vida que estava do lado de fora da porta. Aprontara-se e foi caminhar. O dia estava realmente belo, o sol radiante iluminava aqueles olhos cor de folha, os cabelos quase dourados e aquela pela amenamente branca e macia. Não existia que a não olhasse. Era sim uma beleza estarrecedora. Caminhando pela praia, permitia-se viver cada brisa que tocava seu rosto e cada ausência desta. Alimentava-se daquela inspiração tão presente, tão sólida e viva que se assentou à beira da praia para compor. Com papel e caneta e música aos ouvidos, cada palavra surgia como as ondas no mar, imprevisivelmente. Ria convulsivamente por aquela emoção infinita que estava perante seus olhos, a maravilha que tivera esquecido. E foi entre palavras e suspiros que um belo rapaz a interrompeu.
- Olá!
                Guilia tentou lembrar-se da face que a cumprimentava, ou, talvez, do sorriso, mas definitivamente não lhe era familiar e com aquele rosto desentendido, retribuiu o cumprimento.
- Oi...
                O rapaz, sorrindo, disse:
- A gente não se conhece, mas não poderia me deixar ir sem vir falar com você. Estou há um tempo olhando você escrever e me deixou fascinado com o jeito que olha para o mar, céu e areia, fora o sorriso quando produz o que quer que seja no papel.
                Sem jeito, Guilia sorriu.
- Muito obrigada, mas não é nada.
- Olha, eu não te conheço mesmo, mas com certeza este nada é muita coisa.
                Desajeitada, levantou e perguntou:
- Qual é o seu nome mesmo?
- Desculpe a minha má educação! Sou Rafael... Rafael Cortez.
- Tudo bem (sorrindo)!
- E você, será que poderia saber seu nome?
- Claro, sou Guilia.
- Muito prazer, Guilia (estendendo a mão)!
                Sorrindo, a menina estendeu a mão para que ali fosse feito o primeiro elo de muitos que haveria dali por diante. Sem hesitar, Rafael que honrava o nome, beijou a mão da bela dama que encontrara. A jovem teve a maçã de seu rosto mais roseada que o normal e puxando a mão entre mãos e lábios do belíssimo rapaz, retribuiu o cumprimento.
- Digo o mesmo a você.
                Olharam-se por alguns instantes e apesar do frio subir pela barriga de Guilia, manteve a postura em frente ao jovem, mas pensava no mais íntimo o que estava acontecendo. O rapaz se encantara com tamanha formosura e doçura, a voz dela era melodia aos ouvidos dele. Sem pestanejar, falou:
- Você estuda, trabalha?
- Estudo.
- Legal! Provavelmente da área de humanas, acertei?
- É, das artes.
- Hum... Então...
- Sou musicista!
                Rindo, Rafael apontando para Guilia, disse:
- Eu sabia! Sabia! Tinha de ser algo relacionado à poesia! Nossa! Nunca vi ninguém olhar do jeito que você olhava para tudo ao seu redor! Não era qualquer coisa, certo?
- Não era nada tão importante. Tinha tempo que não experimentava escrever, então acabou sendo assim, especial.
- Eu nunca vou me esquecer desta cena, Guilia.
- Que isso!
- É sério, mas me diga, você toca qual instrumento?
- Sou pianista, mas me arrisco, às vezes, no violão.
- Ual! Deve ser incrível! Toca há muito tempo?
- Piano desde meus seis anos.
- Você deve ser fantástica no piano.
- É um constante aprendizado, tenho muito que aprender. Mas, deixemos de lado as perguntas para mim e me diga um pouco sobre você. Estuda, trabalha?
- Estudo nas horas livres porque gosto, mas sou formado em direito e exerço a função de delegado federal.
- Nossa! Tão novo assim você já é delegado?
- Não sou tão novo assim. Preparei-me desde muito novo para isso. Fiz a faculdade na área por isto.
                Encabulada, Guilia indagou:
- Não é tão novo? Sei que não é bom perguntar, mas você despertou curiosidade em mim. Quantos anos você tem?
- Quantos anos você acha?
- Deve ter... Não sei... uns vinte e seis?
- Muito obrigado pela consideração! Mas tenho trinta.
- Nossa! Você está muito bem!
- Obrigado.
- Disponha (sorrindo).
- E você, Guilia, quantos anos você tem? Pelo rosto deve ser bem nova, mas como fala me deixa em dúvida, muito madura.
- Vou te deixar adivinhar, ok ?
- Putz! Nunca acerto, mas vamos lá. Pelo rosto uns vinte talvez... Vinte e dois, eu acho. Acertei?
- Não (gargalhando)! Tenho dezessete.
- Nossa! Muito nova mesmo! Você é uma menina.
- Não posso discordar.
- Menina com jeito de mulher. Combinação perfeita!
- Obrigada (procurando o chão).
                E conversaram tempo suficiente para trocarem telefones e marcarem um possível encontro. Um novo começo acontecia em Guilia e nem ela poderia perceber o quanto tudo mudaria a partir daquele momento tão imprevisível, como outrora havia acontecido.

terça-feira, 19 de junho de 2012


XIII – Promessas
A vida tomara um rumo que a consciência humana de Guilia desconhecia, mas cansada de lutar contra o destino a ser seguido, tomou a decisão de aceita-lo, fosse ele o que for, se assim estava reservado, desta forma deveria ser cumprido como parte de uma missão intrínseca que nós, mortais, desconhecemos.
Após o café Guilia resolvera fazer uma promessa para si: lembrar apenas dos bons momentos que tivera com Arthur e lembrar-se de esquecer os maus momentos que o mesmo lhe proporcionara. Subiu, então, para seu quarto, abriu as janelas e calmamente tirou pouco a pouco coisas que a faria lembrar aquele que partiu. Retirando as fotos, agora sem lágrimas, sorria de forma nostálgica, porque sabia que eram momentos que haviam se eternizados e que só viveriam a partir daquele momento em sua memória. Fora difícil olhar as fotos, as cartas e até mesmo os presentes, entretanto, Guilia bravamente resistiu. Pegou uma caixa e lá colocou Arthur. Fechou e serenamente levou para sótão e lá deixou certas coisas que por muito tempo ficaram esquecidas ou, talvez, escondidas. Ao descer para o seu quarto procurou não pensar em nada, já que se obedecesse à vontade do corpo, voltaria aos aposentos daquela caixa cheia daquilo que ela queria ter e viver, mas não podia. Chegado ao quarto, deixara algo que a faria lembrar e também esquecer, em sua escrivaninha tinha um certo tipo de relatos, não seria ao certo um diário, já que nem todos os dias foram escritos, ou melhor, nem todos os acontecimentos eram relatados, mas fatos importantes e pensamentos eram descritos ali, às vezes de forma tão impessoal que não parecia que falava dela mesmo, às vezes tão efusiva que qualquer um que lesse, entraria na história como parte dela. Seria isso sua fuga da realidade dolorosa que a cercava e sua única oportunidade de não transparecer o que olhos insistiam em dizer. Cheias de lembranças, ela passou toda tarde e noite trancafiada à memória que em nenhum momento a deixara sozinha. Com ajuda desta fiel companheira escreveu durante horas o que se passava dentro dela e ao descansar por um momento desceu para tomar uma água e lá encontrou seus pais conversando.
- Minha filha! Que bom que desceu! Estávamos falando justamente de você! Disse o pai.
                Guilia sorriu como se não soubesse do que se tratava o assunto, mas em seu íntimo já sabia. Deixou-os falar.
- Gui, seu pai e eu conversávamos sobre este seu término de namoro. Sei que foi injusto com você e que você não merecia isso. Nós sabemos também o quanto você gostava dele, mas não adianta se lamentar mais, certo? Já passou o tempo da tristeza!
- Está tudo bem, mãe!
- Não está, minha filha. Nós a vimos não dormir e não comer durante dias! Ficamos de longe porque conhecemos sua força e sabíamos que poderíamos atrapalhá-la, mas agora eu acho que é hora de você expandir seus olhares.
- É, filhota! Pensei e conversei com sua mãe e resolvemos te dar uma viagem de presente. Escolha o lugar!
- Eu não quero viajar, pai. Obrigada, mas eu não quero.
                O pai buscando entender, disse:
- Mas, Guilia! Por que não viajar? Será bom pra você esquecer tudo isso.
- Pai, eu não posso largar a faculdade, minha vida aqui.
- Tranque por um período e faça cursos de extensão. O que você acha?
- Eu agradeço muito sua preocupação, mas não quero mesmo. Eu poderia estar em qualquer lugar do mundo, mas se minha memória ainda existisse, ali estaria sentindo as mesmas coisas. Eu não tenho de fugir dos gigantes, tenho de saber enfrenta-los, como você me ensinou, lembra?
                O pai ao mesmo tempo em que lamentava ficou orgulhoso por um de seus ensinamentos terem entrado em prática. Criara uma guerreira e não tivera dado conta disso. Abraçou-a num abraço caloroso e solicito. Beijou a filha e sorrindo disse:
- Você sempre me pega, não é menina?
                Guilia sorriu. Enquanto isso a mãe que assistia à cena, falou:
- O que vai fazer então para esquecer esta história?
                 Com lágrimas pulsando no canto de seus oblíquos olhos, a menina disse:
- Não vou esquecer. Aprenderei a conviver com tudo isso. Sou forte o bastante pra entender que nem sempre é como nós queríamos que fosse. A gente pensa que pode escrever a própria história, mas se assim fosse não teríamos finais ruins. Não vivo uma literatura, mamãe, vivo num mundo onde não importa se você se feriu ou não, ninguém vai parar para te ajudar. Eu não quero esquecer, mas também não quero ser lembrada todos os momentos que tenho uma ferida incurável. Quero viver. Vou viver. Por isso quero que esta seja nossa última conversa sobre o Arthur. Tudo está esclarecido o suficiente para deixarmos o toque neste passado que guardo comigo.
- Filha-interrompeu o pai-, por que não conhecer outras pessoas?
- Tudo tem seu tempo e o momento agora é pensar em mim, na minha carreira. O que tiver de acontecer, acontecerá. Não espero, mas também não impeço.
                Os três se abraçaram por um longo momento e Guilia, após o momento familiar, assaltou a geladeira e voltou para seus aposentos. Lá, sentou-se na varanda e sem perceber a lua tomou a direção de seus olhares. Era ele olhando para ela. A lua era sim o olhar mais tenro de Arthur. Sorriu. Jamais houvera luar mais lindo que aquele. Chorou pela falta que faria e sorriu novamente ao pensar que o luar não lhe faltaria e desta forma onde estivesse seria iluminada pelos olhares bons daquela lua-olhar daquele que a deixara, mas que não deixara sua alma.
 E assim este dia foi praticamente fúnebre na vida de Guilia. Guardou-o, ainda, em silêncio, por muitos anos.

sábado, 2 de junho de 2012


XII – Questões, mar-horizonte e reflexões
Acordada por todo fio de noite que havia ainda diante de seus olhos, Guilia só conseguia pensar no que havia feito ou, ainda, no sentimento que tinha dentro do peito e não sabia a dimensão.  Era uma dor que não cessava e por mais que quisesse esquecer-se de tudo, ao seu redor havia o cheiro, as cores, os gestos, as falas de Arthur. Era difícil pensar que amara sozinha pensando que olhava em um espelho. A noite, o sono, a insônia, a ausência agora completa de Arthur tomara de súbito a vida da menina e não deixara sequer um segundo. Atormentara-a por longas horas até que ao cair da manhã, nos braços de sua incansável amiga, Luiza, repousou no meio de leituras e releituras, interpretações e perguntas, nos braços de Luiza cujo sono a invadiu da mesma forma e ali adormeceram por longas horas.
Saciada de sono e de dor que não a deixara nem em sonho, acordou e bem devagar saiu dos braços de Luiza e a colocara deitada. Foi à varanda e se sentou. Enquanto permaneceu ali, olhando para o mar-horizonte pensava nos momentos que tivera com Arthur, desde o encontro repentino, quiçá marcado pelo destino, até a entrega de corpo e alma de ambos. Não entendia o teor da mensagem. Chorava. Gostaria de se jogar naquele mar-horizonte e de lá jamais sair, pois preferível era morrer para não sentir esta dor a senti-la mata-la sem piedade.  Lamentava-se por tudo e seus lamentos duraram horas na varanda, até que Luiza acordara com os soluços de Guilia.
- Minha amiga!
- Não fale nada, Lu! Eu preciso chorar, eu preciso jogar essa dor para fora, porque se eu não fizer, eu juro que morro. Morro de tristeza. Juro.
Sentou-se, então, Luiza, ao lado de sua amiga e por ali se passaram horas.
A porta do quarto se abriu e era a mãe de Guilia com o almoço.
- Meninas! Meninas! Venham comer!
- Mãe, deixa aí em cima da cama que já vamos!
- Nem pensar, dona Guilia! Hoje vocês não se alimentaram e já são 17 horas.
 As meninas se levantaram e foram ao encontro da prendada mãe que fizera ela mesma o almoço para a filha e amiga, no entanto, quando as viu, assustou-se.
- Guilia, o que houve? Por que está chorando?
- Nada, mãe.
- Luiza, pode me contando o que aconteceu com Guilia.
- mas, tia...
                Guilia a interrompeu.
- o Arthur me deixou, mamãe! Satisfeita?
                A mãe se sentou na poltrona e estarrecida, sem falar, ficou por alguns minutos parada. Respirou fundo e falou:
- Filha, vai ser duro, mas você vai superar isto. Não tente achar os motivos em você pela decisão dele. Tente pensar que ele achou motivos nele para desistir de alguém como você.
A filha desabou na cama. Sabia que a mãe estava certa, mas pensar daquela forma era assaz complicada. Como pensar que as razões não foram vistas nela, nas características dela e sim no que ele tinha dentro dele? Ele teria deixado de amá-la?
A sábia mãe deu um beijo na filha e chamou Luiza para ir até a cozinha no intuito de deixar a filha refletir, não porque era o ideal, mas porque era preciso. E a menina acompanhada de seus pensamentos mal resolvidos, atordoados, permaneceu em seu quarto por mais uma noite e só saiu para o café no dia seguinte, decidida, recuperada e convicta, após o horário do café familiar.  Ao chegar à cozinha, havia na bancada um recado de sua amiga:
“ Estou com você para o que acontece e o que vier. Você é mais forte que tudo isto. É só do momento sozinha que você precisa. Vou estar sempre por perto!
Um beijo de quem te ama muito!
Lu”

E assim surgiu o primeiro sorriso na face de Guilia. Sorriso que já não aparecia há dias. Sozinha, tomou o café da manhã enquanto contemplava o sol refletir na janela e clarear seus olhos, pensamentos e coração. Era ali o início de uma nova era.