Capítulo IV- O Anúncio
Eles tiveram o melhor verão de suas vidas. A partir daquele beijo tudo mudou. Fora magnífico! O mundo parou para a cena se expandir. Somente eles tinham cor na hora. Só o amor deles. Tiveram um verão mais cheio de amor do que muitas pessoas em uma vida inteira. Visitaram museus, ia a teatros, cinema, corriam pela praia, jogavam-se na água de roupa e tudo e todos davam risada. Dançavam em casa, caíam, riam, viam o pôr do sol. Formavam um casal lindo muito apaixonado. Ao contrário do que pensam o namoro não foi algo escondido ou às escuras, os pais de Guilia o aceitaram, assim como os pais de Arthur a aceitaram de braços abertos. Aceitaram-se. Amavam-se. Era realmente um sonho. Um sonho que estava preste a acabar. Arthur foi designado a representar sua empresa na Europa por seis meses. Se coração se partiu ao receber a notícia. Tentou esquivar, porém nada adiantou. Ir à Europa seria doloroso. Sua nobre amada deixada em época decisiva para a vida dela, época de concursos de vestibular sem seu apoio, sem seu abraço. Embora já estivesse sentindo tudo isso, resolveu contar da melhor forma a Guilia. Foi então em uma noite de lua cheia, sentados nas pedras do Arpoador que Arthur decidiu contar.
- Guilia, eu terei de viajar a negócios...
- Poxa! Que legal! Pra onde? Quando?
- Daqui a duas semanas embarco para a Europa.
- Nossa! A Europa é um sonho de consumo para qualquer um (gargalhou)!
- Não quando se vai ficar lá por seis meses.
Guilia não teve reação. Olhou-o profundamente como se pudesse prever algo. Arthur abaixou a cabeça. Triste, Guilia pegou as mãos de Arthur, molhadas por suas lágrimas. Com a outra mão segurou o rosto dele.
- A gente se vê em breve?
Arthur desabou. Jamais amou alguém daquele jeito e quando finalmente isso acontece, o cruel destino os separa.
- Meu amor, são seis meses e não seis dias (inconformado)!
Guilia sabia disto e não queria chorar. Precisava ser forte. Deu um sorriso de lábios cerrados.
- Vida, a mesma lua que nascer aqui, nascerá lá. Esquecer-te é tarefa para toda a vida.
Arthur secava as lágrimas e segurava os soluços.
- Guilia, você é forte e dedicada. Faz-me ser o homem mais bobo do mundo diante dos teus olhos. Você é perfeita!
Guilia o abraçou e bem em seu ouvido sussurrava:
- Arthur, eu sou cheia de defeitos e você vai ver isto. Se não choro é porque sei que você vai em breve, não é?
Arthur a trouxe para a direção de seus olhos e exclamou:
- Se eu precisar atravessar um deserto e o mundo a nada para te encontrar, eu faria. Só preciso que você esteja do outro lado a me esperar.
Beijaram-se. Adormecia a noite e a tristeza dos dias passarem, corroia Guilia e Arthur. Seria uma grande tarefa viver longe novamente. Seis meses de ausência. Ausência do cheiro, do toque, do sorriso... Fizeram as duas semanas seguintes as melhores possíveis, entretanto o dia da partida havia chegado.
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