Capítulo III
Parte IV– Respostas convites, encontros e...
Gulia foi notificada do novo recado. Sim! Era ele! Saiu rapidamente da sala de aula e, em seguida, Luiza saiu. Sabia que era sinal de Arthur.
“Querida Guilia,
Tão breve cabe no simples gesto de... Tomar café, hoje, à tarde? O que você acha de remontarmos nosso ‘encontro’ de maneira mais convencional? Uma tarde como a do Rio de Janeiro merece de nós dois mais uma chance. O que você acha?
Aguardando sua resposta,
Arthur Braga.”
Guilia gritou o sim mais feliz de sua vida. Luiza gargalhava. Estava tão feliz que de imediato respondeu dizendo que aceitava o café.
...
Arthur se preparava. Afinal não era qualquer final de tarde. Sua musa seria vista novamente. Enquanto se preparava, Leonardo descontraía o ambiente imitando o amigo e dando dicas de um conselheiro amoroso nato. Arthur ria. Ria mais por saber que sua vontade seria saciada do que propriamente de seu amigo. Despediu-se e seguiu para o local.
Rio de Janeiro, a cidade maravilhosa. Terra do glamour, pessoas bonitas, finais de tardes espetaculares, samba, vida e amores. Amores sublimes. E não poderia ser longe do mar o reencontro. O mirante do Leblon foi a paisagem. Quanto ao café, desculpa para se sofisticar. Não estava frio e nem bebia café, logo o mais adequado era ver o cair da noite sobre o mar.
Arthur chegou primeiro. Esperou apenas dez minutos que duraram dez horas para ele. Estava nervoso. Contudo, nada irá se comparar ao sorriso trêmulo que deu ao ver que Guilia caminhava em sua direção. Ela sorria. Jogava o cabelo para o lado que era acariciado pelo vento. Seus olhos, cor de folha seca, reluziam o entardecer. Seu andar era fino e sofisticado. Só podia ser a doce menina. Cumprimentaram-se. Sentaram-se e, tímidos, continham-se em troca de olhares. Era um ardor no peito, uma euforia nos olhos e um desejo nas mãos. Sentiam-se assim e pouco a pouco conversavam sobre tudo o que tinha acontecido, sobre suas vidas. A conversa durou horas que parecia segundos. Entusiasmado, Arthur levantou, puxou-a e correu para longe do quiosque e pararam para olhar o pôr do sol.
- Este é o lugar que eu mais gosto de todo o Rio de Janeiro.
- É lindo, Arthur! Mas, por que é o lugar que você mais gosta?
- Os meus melhores pensamentos foram aqui.
- Quer dizer que me trouxe ao seu lugar favorito?
Arthur sorriu.
- Sim. Tão importante quanto ao que eu sinto.
Guilia o olhou profundamente. Parecia que podia ver todos os pensamentos dele. Isto o constrangia. Arthur a viu se transformar de menina a mulher bem na sua frente.
- E o que você sente?
Arthur se sentiu um garoto, procurando palavras perto daquela mulher que o desconsertava. Aproximou-se. Não sabia o que fazer.
- Não sei explicar, mas vou mostrar a você.
Encostou as mãos no rosto de Guilia. Chegou mais perto. Olhou-a para lembrar sempre daquela imagem. Aproximaram-se. Sentia o hálito fresco e quente dela. Era assustador o que sentia. Guilia não tirava os olhos dele. Encostaram os lábios suavemente. Abriram os olhos e sorriram. Ele a beijou. O melhor beijo que existira. Não havia beijado alguém com tanta intensidade como desta vez. A menina tinha lábios doces, doce como o mel. Se pudesse, não pararia de beijar. Ela o beijava como se fosse seu primeiro e último beijo, tímida e desinibida. O sentimento exalava daquele beijo. O primeiro beijo deles apagava passado e futuro. Só existia aquele tempo, o tempo presente. Enfim, a noite repousou sobre o mar, descansando o sol, surgindo o cheio luar.
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