terça-feira, 21 de junho de 2011

Capítulo III
Parte I- Resposta, encontros e...

Não dormira. A realidade havia se tornado um sonho e a necessidade de dormir já não existia. Guilia não segurava a emoção que corria pelo seu corpo e invadia seu pensamento. A última mensagem era perturbadora. Ele a queria ver. Aqueles olhos seriam vistos novamente. Aquela fórmula viciante novamente seria ouvida. A noite fora curta para tanta quimera.
Amanhecera e ali estava Arthur, diante do computador esperando sua resposta. A noite foi uma tormenta. Por que não me respondeu? Era a única pergunta que tinha infinitas respostas e também nenhuma. Fora uma noite longa. Sem poesias, sem cor, sem vida. Apenas a espera.
Na mesa do café da manhã, Guilia conversava com seus pais sobre o dia que estava começando e através do celular respondia ao e-mail.
Mais um dia de trabalho e Arthur só pensava em Guilia. A noite triste ainda estava ali. Mal conseguia se concentrar nos afazeres do dia. Colegas o cumprimentavam, entravam e saíam de sua sala e ele permanecia na mesma posição, como se só pudesse ver apenas uma imagem: Guilia. Logo, observado por seu amigo Leonardo, não pôde continuar contido já que por conhecer bem o amigo se dispôs a falar.

- Meu amigo, o que está acontecendo?
- Nada! Por quê?
-Nada acontece todos os dias que você não fica assim. Diz logo! O que houve?
- Não foi nada. Só não dormi bem.
- Meu querido, se o problema fosse esse, você teria procurado o bar da empresa para escutar piano. Agora, diga-me, o que foi que te perturbou desse jeito?
Arthur suspirou. Leonardo era seu amigo e em tudo estava com razão.
-Leo, conheci uma garota.
Sorridente, Leonardo repousou sua mão sobre o ombro de Arthur.
- É meu amigo, as mulheres nos tiram o sono. Acostume-se! Mas, diz aí, como ela é? Onde a conheceu?
- Cara, é a mulher... Perdão. É a menina mais doce, mais linda, charmosa e inteligente que já conheci.
- Nossa! Quem foi o tolo de ter te apresentado uma peça rara dessa (sorrindo)?
Arthur finalmente descontraiu.
- Não me apresentaram. Apresentamo-nos.

Então contou toda a história a Leonardo cuja audição estava permanentemente atenta a cada nova frase. Arthur narrou toda a angústia daquela noite, tudo e o nada que passara e como bom ouvinte seu amigo comentava.

- Meu amigo, ela dormiu!
- Mas Leo, como eu fico?
-Fica? Larga de ser imediatista Arthur! Você a conheceu outro dia!!! Agora você tem 15 anos?
Arthur paralisou naquele instante. Guilia tinha dezesseis anos e isto não estava funcionando para afastá-la dos seus olhos. E como dizer isto ao amigo também era uma grande questão.
-Leonardo, ela tem...
- Ela tem o quê Arthur?
-Ela tem 16 anos.
Leonardo congelou. Mexia os lábios, mas palavra alguma conseguia pronunciar. Ela era uma menina e não havia dúvidas que uma menina tinha encantado o amigo. Como falar outra coisa a não ser a idade dela?
- 16 anos?
- É... Mas ela é incrível!
- Tá! Mas ela só tem isso de idade?
- Sim. Todavia é mais sensata ao falar do que muitas mulheres que conheci da minha idade.
Leonardo sorriu.
- Ela é impressionante!
- Como sabe (sorrindo)?
- Ela te conquistou sem saber!

Simples verdade. Não existia argumento contra isso. Arthur se contentou em mostrar mensagens trocadas quando percebeu que tinha chegado, bem cedo, uma mensagem.

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