segunda-feira, 20 de junho de 2011

Capítulo II
Cartas Eletrônicas

Cada um se dirigiu à sua casa, entretanto diferentes. Tinham em suas mãos a forma de comunicação com sua imagem, sim com seu reflexo, mal polido, mas isso já era suficiente para ser surreal. Guilia só pensava na forma como ele falava cada palavra era como o vento de fim de tarde e seu olhar um lago de serenidade e solidão. Olhava o papel e pensava no que escrever. Ele ,sorria e apertava entre as mãos o papel, lembrando do olhar vivo e contagiante daquela menina. Ela era uma menina e por ter consciência disso lutava para nela não pensar, mas em vão era a luta. Passou a noite em claro,  sem conseguir escrever ou sequer se inspirar em outra coisa que não fosse os olhos de Guilia. O dia enfim amanheceu e a rotina se dava novamente, agora com mais uma parte: escrever. O que escrever? O que  dizer? Pensamentos que fluíam a todo segundo nos dois. Ele, escrevia e com receio de não agradar, apagava. Já a doce menina esperava, ansiosa, o rastro da noite passada. Não conseguia prestar atenção à aula e isto era perceptível. Seus amigos perguntavam sobre o ilustre desconhecido e ela sorria. Não havia nada além de sorrisos nostálgicos e eles, seus amigos, sabiam que tivera sido importante para ela. O que, notoriamente, desagradava aos que a queriam, mas em silêncio se mantinham, pois a amizade já era o bastante. Infelizes admiradores.  E foi assim aquele dia “pós-encontro”. A caixa de e-mail não mudou e ela pensou que tudo não passara de um gesto de cortesia do momento. Para ele, ela não enviara por não ter representado nada. Contorcia-se na cama. Escrevia à menina, mas apagava, temeroso. Guilia, antes de dormir, decidiu olhar novamente, sem esperanças, o e-mail.  Nada tinha. Triste, resolveu ir dormir e preparando para fechar a página recebeu uma mensagem. Seu coração disparou. Esboçou um sorriso e suas mão ficaram frias,enquanto seu rosto era quente. Era ele. Ela sabia. Lá estava  o doce desconhecido, Arthur Braga. Ela, sem pensar, abriu a mensagem.

                                               “Querida Guilia,
Nunca pensei que o acaso seria tão generoso. Jamais esquecerei aquela tarde de domingo. O pôr do sol nunca mais terá o mesmo brilho. Você é uma menina fantástica e o destino foi, como já disse, generoso em me deixar conhecer você. Espero que não me interprete mal. Não faço tipo, sou aquilo que você viu, talvez mais tímido ou mais extrovertido, na verdade ainda não descobri. Só sei que passei horas tentando escrever para você e esperando o seu e-mail. Estimo que você ainda lembre-se de mim, pois sua imagem não saiu de diante dos meus olhos nem por um instante.
Com Apreço,
Arthur Braga."

Ela sorria de um sorriso convulso. Cada palavra era um alívio e ao mesmo passo motivos de mais nervosismo. Ele pensava nela. Fantástica e diante dos olhos. Era magnífico ser lembrada por alguém que não saíra de sua mente. Somente isso a fazia suspirar. Leu muitas vezes a mensagem e, sem titubear, o respondeu.
                                               “Caro Arthur,
A vida reserva grandes surpresas e você é uma destas. Nossas margens do rio se encontraram e se tornaram a terceira margem. Foi realmente impressionante como tudo aconteceu e em nada posso reclamar. Foi ótimo e  agradável. Até aquela tarde não conhecia ninguém que tivesse tamanho apreço por poesia como eu. Jamais esquecerei nossas mãos... Nossas mãos sobre o mesmo livro e o seu e-mail, acredite, foi bastante esperado. E, respondendo ao conteúdo da sua mensagem, não penso em nada, a não ser em teus olhos sorrindo.
Com Apreço,
Guilia Fernandes”

Arthur não acreditava. Primeiro, por ter mandado o e-mail e segundo por ela ter respondido. Seu corpo tremia de alegria. Ela pensara nele. Sim, não o esquecera. Jamais vivera algo assim. Ela o respondera no mesmo tempo. Cada palavra da mensagem dela desenhava um pedaço da lembrança daquela noite em sua mente. Era sensacional! A doce menina o respondera. Embora feliz, Guilia ficou temerosa de ter dito algo errado ou não ter agradado, como se isso fosse possível. Ficou diante do computador esperando um fio de luz. Até que no escuro raiou a luz. Ele a respondeu, ousadamente, com apenas uma frase.
                               “A gente se vê em breve?”

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