sexta-feira, 24 de agosto de 2012


Cap. XIX
Olhos, encontros, desencontros e notícias.

Cap. V
Enquanto Rafael sorria para a menina, ela simplesmente pensava. Que pedido poderia ser para transformar qualquer distância em presença? Não Existia. A não ser... O rapaz sentado naquele ambiente hospitalar  tinha em seus olhos o maior amor do mundo e sem pensar disse:
- Guilia, apesar da minha idade, eu nunca amei alguém como eu amo você. Ninguém me fez feliz como você faz.  Eu não queria que fosse aqui, neste local, mas o que você me faz sentir perpassa o lugar.
                Guilia estava pálida, podia pressentir a próxima fala. Não conseguiria impedir. Silenciou.
- Meu amor – ajoelhou-se-, casa comigo?
                Estendeu-lhe uma rosa vermelha e entre as pétalas estava a aliança.
                A menina amada por todos que a cercava, mas que amara apenas um, não teve reação. Emudeceu e pasmou. Pensou por um momento em toda a sua vida. Pensou em Arthur. Como aceitar um pedido de tamanha valia se bem lá no fundo de seu peito, ainda há esperanças do retorno de Arthur? Como não aceitar um pedido de quem só a quer bem e a amou mesmo sabendo que possivelmente nunca será correspondido? A dúvida sobreveio o pensamento de Guilia como a sombra no jardim daquele hospital. Ao redor tudo escurecia, dentro do peito da menina acontecia uma sombra também. O que dizer neste momento se nem eu sei o que fazer?
                Ao olhar a expressão de Guilia o coração de Rafael gelou. Ela não aceitaria. O que fazer? O que dizer? Os olhos cortês e viris se encheram de lágrimas e sem deixar transparecer sua fragilidade, procurou palavras para não ouvir aquilo que não queria ouvir.
- Meu amor, você não precisa me responder agora. Na verdade, não precisa se casar comigo agora, neste momento – deu um sorriso amarelado-, pode me responder depois ou nem precisa, só não me abandone. Eu não quero perder você e pensei que fosse melhor se fôssemos os dois para lá.
                Guilia permanecia imóvel olhando para a rosa. Rafael desesperava-se.
- Guilia, pode falar!
- Rafael, na verdade, eu...
                Rafael chorou. Pegou na mão da menina e falou:
- Lembra que eu disse que não queria enxergar? Então. Eu não quero. Não me faça enxergar nada. O meu amor supera a ausência do seu. Por favor, eu te imploro. Nem precisa me responder, mas não diga.
                Os olhos oblíquos e frios de sua menina o feria, mas era melhor pensar que eles eram assim para todos e não que existia um alguém que aquecia aqueles olhos cor de folha.
                Guilia interrompeu o próprio silêncio.
- Você é a melhor pessoa que eu conheço, Rafa.
- Eu te amo, Guilia. Eu te amo demais para te perder.
                Ela sorriu e o abraçou. Ele suspirou aliviado, mesmo que soubesse da não retribuição de sua fala. Após o abraço, os olhos menos tempestivos de Guilia sinalizavam o conforto naquele coração, assim, com o coração ameno, exclamou:
- Vamos dar as boas novas a Luiza!
- Boas novas?
- Sim.
- Qual?
- A que ela terá alta hoje.
                Rafael por um momento teve a vã esperança que seria a aceitação do seu pedido.
- Tudo bem. Vamos.
                Sorriram mutuamente e o jovem delegado pegou na mão de sua eterna menina e caminharam espreitados pelos olhos azuis.

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