Cap. XX
Desabafo, telefonemas, novas mensagens e despedidas.
parte I
Chegaram à casa de Luiza e o belo
rapaz cortês ajudou-a a subir até o quarto juntamente com o pai da moça. Guilia
esperou por Rafael na varanda da casa. O delegado, após a caridade, desceu
imediatamente para encontrar a amada.
- Minha linda, já estou aqui.
- Rafa, vou ficar um pouco com a Luíza.
Precisamos conversar sobre os procedimentos diários dela. Você se importa?
Rafael
sorriu.
- Não há problema algum. Quem não
quer ter uma amiga como você, meu amor?
- É minha obrigação.
- Você é linda!
Ela
o abraçou, ele a beijou numa força contida de ansiedade.
- Vemo-nos à noite?
- Claro, Rafa.
Descendo
as escadas lembrou de algo:
- Gui, falaremos do assunto mais
tarde, ok?
Gulia
sorriu. Virou-se com olhos brilhantes. Não era felicidade. Eram lágrimas.
Entrou na casa e subiu para o quarto de Luiza.
-
Amiga, posso entrar?
- Só
não vou abrir a porta porque não posso! (riu)
Gulia
entrou. Luiza parou de rir.
- O que houve, Gui?
Guilia
derramava lágrimas. Sentou-se na beirada da cama e falou:
- Rafael me pediu em casamento.
Luiza
ergueu o corpo com bastante dificuldade por conta da lesão, juntou o cenho.
- Como assim, amiga?
- Pediu, Lu. Lá no hospital. Ele
foi transferido para o Sul e quer que eu vá com ele.
- Uau, Gui! E o que você
respondeu?
Guilia
engasgava no próprio choro.
- Eu não respondi.
Luiza
se assustou.
- Você não respondeu e ele
aceitou numa boa?
- Amiga, ele sabe do meu coração.
Ele sabe que a melhor coisa foi não responder, mas agora, antes de subir para
seu quarto, ele falou que mais tarde conversaríamos.
Luiza
acenou para que ela chegasse mais perto e a menina recostou a cabeça no colo da
amiga que acarinhava seus cabelos.
- É o Arthur ainda, não é?
A
menina dos olhos cor de folha levantou a cabeça, ergueu-se, chorou. Andou pelo
o quarto, olhou para a amiga e disse:
- Como posso me casar amando
outro, amiga? Como posso pensar em deitar todos os ao lado de quem eu não amo?
Como deixar este alguém me tocar pensando em outro? Só de pensar nisto, a minha
alma desfalece. E eu queria amá-lo, mas não dá. Como eu queria exterminar este sentimento de
mim, mas não adianta, eu não consigo.
- E ele sabe disso?
- Quem?
- O Rafael, é claro.
- Saber, ele sabe, amiga, mas
prefere não entender. Ele mesmo disse que o amor dele superaria a ausência do
meu.
Luiza
arregalou os olhos.
- Amiga, esse cara ama você de
verdade. Ele não é um fanfarrão que quer brincar com seu coração, como fez o
Arthur. Ele quer você bem.
- Eu sei, Lu. Mas você acha justo
alguém tão bom quanto ele se casar com alguém que não o ama? Que provavelmente
vai deitar todos os dias pensando em outro e nas razões deste outro ter se
ausentado? Ou ainda, que é pior, pensar no beijo desse outro. Ele merece? Não
merece!
- E o que você está fazendo com
ele agora, Guilia? Alimentando esperanças. Dando chances dele acreditar que um
dia você poderá sentir o mesmo. Ele tem você, nem que seja pela metade e isso é
suficiente para ele, mas me diga, é suficiente para você ser de alguém pela
metade, ou melhor, ser um pouco de alguém?
Guilia
voltou para o colo acolhedor da amiga.
- Tudo que eu queria, Luiza, era
amar o Rafael. Olhar para ele e me ver.
- Tudo o que você queria é que o
Arthur fosse o Rafael. Mas não é. Pare de tentar projetá-lo numa pessoa que é
muito melhor. Aceite a realidade, minha amiga. Ele foi embora e você é forte o
suficiente para saber disso. O Rafael não tem características do Arthur e por
isso que você não consegue amá-lo.
Guilia
suspirava.
- E o que fazer agora?
- Conversar com o Rafael.
E
quando Guilia iria argumentar, seu celular sinalizou uma mensagem.
“
Cara Guilia,
Teus olhos me despertam uma
curiosidade que não tenho como me ater preso ao chão. Desconcerto-me em pensar na tua imagem
aturdida ou risonha. Você é um misto de sensações e emoções que exploram em mim
uma vivacidade extraordinária, nunca antes sentida. Perdoe-me por atrapalhar
seu final de dia, mas quero que saiba meu número e saiba de mim. Sou mais um
que entrou sem permissão na sua vida, nem que seja de telespectador.
Beijos, minha querida.
Luiz Carlos.”
As duas leram a mensagem e
olharam com olhos arregalados uma para a outra. Riram. Luiza disse:
- Mais um não, amiga! O que você
tem? Mel? É impossível! Até o meu médico?
-
Amiga, eu te juro que não procurei esse maluco e nem dei o meu número! (risos)
- Mais
ele é legal, Gui!
-
Poupe-me de suas graças, Luiza! Já tem gente demais na minha vida. Ele é que
fique de telespectador ou desapareça. Mais um não!
Luiza
ria convulsivamente no instante que o celular de Guilia tocou. A menina correu
para pegar o celular e o número era restrito, mas ao atender percebeu que voz
do outro lado era conhecida.
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