segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Cap. XX
Desabafo, telefonemas, novas mensagens e despedidas.
parte I
Chegaram à casa de Luiza e o belo rapaz cortês ajudou-a a subir até o quarto juntamente com o pai da moça. Guilia esperou por Rafael na varanda da casa. O delegado, após a caridade, desceu imediatamente para encontrar a amada.
- Minha linda, já estou aqui.
- Rafa, vou ficar um pouco com a Luíza. Precisamos conversar sobre os procedimentos diários dela. Você se importa?
                Rafael sorriu.
- Não há problema algum. Quem não quer ter uma amiga como você, meu amor?
- É minha obrigação.
- Você é linda!
                Ela o abraçou, ele a beijou numa força contida de ansiedade.
- Vemo-nos à noite?
- Claro, Rafa.
                               Descendo as escadas lembrou de algo:
- Gui, falaremos do assunto mais tarde, ok?
                               Gulia sorriu. Virou-se com olhos brilhantes. Não era felicidade. Eram lágrimas. Entrou na casa e subiu para o quarto de Luiza.
                - Amiga, posso entrar?
                - Só não vou abrir a porta porque não posso! (riu)
                               Gulia entrou. Luiza parou de rir.
- O que houve, Gui?
                               Guilia derramava lágrimas. Sentou-se na beirada da cama e falou:
- Rafael me pediu em casamento.
                Luiza ergueu o corpo com bastante dificuldade por conta da lesão, juntou o cenho.
- Como assim, amiga?
- Pediu, Lu. Lá no hospital. Ele foi transferido para o Sul e quer que eu vá com ele.
- Uau, Gui! E o que você respondeu?
                               Guilia engasgava no próprio choro.
- Eu não respondi.
                               Luiza se assustou.
- Você não respondeu e ele aceitou numa boa?
- Amiga, ele sabe do meu coração. Ele sabe que a melhor coisa foi não responder, mas agora, antes de subir para seu quarto, ele falou que mais tarde conversaríamos.
                Luiza acenou para que ela chegasse mais perto e a menina recostou a cabeça no colo da amiga que acarinhava seus cabelos.
- É o Arthur ainda, não é?
                A menina dos olhos cor de folha levantou a cabeça, ergueu-se, chorou. Andou pelo o quarto, olhou para a amiga e disse:
- Como posso me casar amando outro, amiga? Como posso pensar em deitar todos os ao lado de quem eu não amo? Como deixar este alguém me tocar pensando em outro? Só de pensar nisto, a minha alma desfalece. E eu queria amá-lo, mas não dá.  Como eu queria exterminar este sentimento de mim, mas não adianta, eu não consigo.
- E ele sabe disso?
- Quem?
- O Rafael, é claro.
- Saber, ele sabe, amiga, mas prefere não entender. Ele mesmo disse que o amor dele superaria a ausência do meu.
                Luiza arregalou os olhos.
- Amiga, esse cara ama você de verdade. Ele não é um fanfarrão que quer brincar com seu coração, como fez o Arthur. Ele quer você bem.
- Eu sei, Lu. Mas você acha justo alguém tão bom quanto ele se casar com alguém que não o ama? Que provavelmente vai deitar todos os dias pensando em outro e nas razões deste outro ter se ausentado? Ou ainda, que é pior, pensar no beijo desse outro. Ele merece? Não merece!
- E o que você está fazendo com ele agora, Guilia? Alimentando esperanças. Dando chances dele acreditar que um dia você poderá sentir o mesmo. Ele tem você, nem que seja pela metade e isso é suficiente para ele, mas me diga, é suficiente para você ser de alguém pela metade, ou melhor, ser um pouco de alguém?
                Guilia voltou para o colo acolhedor da amiga.
- Tudo que eu queria, Luiza, era amar o Rafael. Olhar para ele e me ver.
- Tudo o que você queria é que o Arthur fosse o Rafael. Mas não é. Pare de tentar projetá-lo numa pessoa que é muito melhor. Aceite a realidade, minha amiga. Ele foi embora e você é forte o suficiente para saber disso. O Rafael não tem características do Arthur e por isso que você não consegue amá-lo.
                Guilia suspirava.
- E o que fazer agora?
- Conversar com o Rafael.
                E quando Guilia iria argumentar, seu celular sinalizou uma mensagem.
                “ Cara Guilia,
Teus olhos me despertam uma curiosidade que não tenho como me ater preso ao chão.  Desconcerto-me em pensar na tua imagem aturdida ou risonha. Você é um misto de sensações e emoções que exploram em mim uma vivacidade extraordinária, nunca antes sentida. Perdoe-me por atrapalhar seu final de dia, mas quero que saiba meu número e saiba de mim. Sou mais um que entrou sem permissão na sua vida, nem que seja de telespectador.
Beijos, minha querida.
Luiz Carlos.”

As duas leram a mensagem e olharam com olhos arregalados uma para a outra. Riram. Luiza disse:
- Mais um não, amiga! O que você tem? Mel? É impossível! Até o meu médico?
                - Amiga, eu te juro que não procurei esse maluco e nem dei o meu número! (risos)
                - Mais ele é legal, Gui!
                - Poupe-me de suas graças, Luiza! Já tem gente demais na minha vida. Ele é que fique de telespectador ou desapareça. Mais um não!
                               Luiza ria convulsivamente no instante que o celular de Guilia tocou. A menina correu para pegar o celular e o número era restrito, mas ao atender percebeu que voz do outro lado era conhecida.

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