domingo, 12 de agosto de 2012


Cap. XIX
Olhos, encontros, desencontros e notícias.
Parte IV
                Rafael aproximou-se lentamente, analisava friamente a situação. Enquanto isto, num abraço de partilha de dor, Eduardo e Guilia choravam abundantemente. Guilia saiu daquele abraço doloroso e Eduardo com olhar tenro e amoroso, disse:
- Esse foi o abraço que me uniu a ti. O único que me deixou te sentir.
                Guilia secava as lágrimas e entre suspiros falou:
- Partilhamos o mesmo tipo de dor.
                Eduardo pegou na mão de sua amada.
- Você é o amor da minha vida, mas sei que você não me quer. Não te posso dizer que aceito isto, mas não impeço. Vai além das minhas mãos e esta situação me faz sofrer muito, Guilia. Não consigo trabalhar direito, ao menos raciocinar. Então, decidi trabalhar fora do Rio.  Vou passar um tempo na Europa e depois volto para São Paulo. Essa uma medida drástica mesmo, porque tenho certeza se ficar farei uma loucura maior.
                A menina, estupefata, disse:
- Não é preciso, Dudu! Fica!
- Só se você ficar comigo.
- Você sabe que eu não posso.
- Então nada me prende aqui.
- E seus pais?
- Eles vão ficar bem. Virei aqui vê-los, mas vou passar um tempo sem procurar você. Tudo bem?
                Ela simplesmente não tinha reação. Acenou positivamente com a cabeça. Eduardo lhe sorriu e beijou calorosamente sua testa e levantou.
- Adeus, Guilia.
                Sem esperar a reação da amada, dirigiu-se para a porta do hospital e esbarrou em Rafael que observava a conversa ao longe. Abordou-o.
- Cuide dela. Por favor.
- Eu cuido.
                Rafael tomou certa postura e Eduardo manteve a sua. Estendeu a mão e o delegado Cortez relutou em si para não estender a sua, mas fora impossível. Isto estava longe de sua conduta. Mãos se apertaram.
- Rafael, desculpe.
- Tudo bem, cara.
- Pode deixar que não farei mais isso. Estou indo embora pra Europa sem prévia de volta.
- Boa viagem. Tenho certeza que será o melhor pra você.
                Mãos se largaram e cada um seguiu seu destino: Eduardo ao de esquecer Guilia; Rafael de tê-la para sempre em sua vida. Caminhando pelo corredor analisava aquela que fazia cada pulsar de seu coração. Sim, ela aceitaria. É a mulher da minha vida. Pouco a pouco foi deixando o nervosismo de lado e chegou ao silêncio daquela de olhos cor de folha. Com rosas não mão, falou:
- Rosas para a rosa da minha vida!
                Guilia sorriu, levantou e o abraçou. Após um longo abraço, pegou suas rosas e se misturou nelas. Ele lhe sorria.
- São lindas.
- Nenhuma é mais bonita que você, meu amor.
- Só você, Rafa.
- Só você para me fazer assim, feliz.
                               Sentaram-se. Guilia colocou as rosas ao seu lado e encostou no ombro de Rafael. Minutos em silêncio até que o digno Cortez interrompera.
- Ele vai embora, não é? Está triste por causa disso?
- Não. Estou triste porque ele vai por minha causa.
- Mas, minha linda, vai ser melhor para você. Ele é maluco.
- Não, Rafa. Ele ama alguém e esse alguém não o pode corresponder. Você já sentiu isso? Você sabe a dor de olhar para aquela pessoa que você ama e saber que ela não te dá a mínima ou pelo menos não sente e não te retribui o mesmo?
                Rafael tirou os óculos escuros. Passou a mão pela barba.
- É tudo o que eu não quero enxergar, Guilia.
                Ela suspirou. Entendeu. Rafael passou a mão pelos ombros da menina e a trouxe para si.
- Vai ser melhor assim, entenda.
                Guilia saltou do banco e pôs-se a caminha pelo jardim. Rafael a acompanhara com os olhos até que ela voltou com um sorriso bom. Sentou-se. Rafael sorriu e deu continuidade a conversa, entretanto em outras vias de assunto.
- Meu amor, tenho uma notícia.
- Conte!
- Está preparada?
- Sempre estou.
                Rafael olhou dentro dos olhos de Guilia.
- Você sabe minha profissão, não é princesa? Então, fui transferido para o Sul.
                               O rosto da menina congelou. Outra partida, outra ausência. Seu coração não aguentaria.  Uma lágrima lhe escorreu pelo rosto. Rafael a secou.
- Não chore, meu amor. É provisoriamente.
- Eu conheço essa história.
- É verdade.
- Eu imagino que seja.
                Guilia levantou novamente, mas ficou imóvel. Rafael levantou, tomou a frente de sua menina e segurou suas mãos. Olhou profundamente nos olhos dela, penetrou sua alma.

- Meu amor, quando digo que você é a mulher da minha vida eu não minto. Se te digo que vou, mas voltarei é porque sou homem e cumpro com minha palavra. Não vou abandonar quem eu mais amo. Não vou deixar a mulher que me faz feliz só com um sorriso e é por saber disto tudo que tenho um pedido a fazer.
                Guilia ainda estarrecida, mostrava-se fria e ferida, mas ao pensar no pedido lhe surgiu uma pergunta que brotou de seus lábios que quase não se mexiam.
- Qual?
                Rafael sorriu.

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