quinta-feira, 5 de julho de 2012


Cap. XVI
Parte II
 -Encontro marcado-

Puseram-se a caminhar até o restaurante onde almoçariam. O caminho era longo, mas tendo em vista a paisagem exuberante da praia do Leblon e a conversa reveladora, sincera e divertida entre os dois, o tempo passou voando e logo estava em frente ao estabelecimento escolhido pelo cortês Rafael.
- Minha linda, almoçaremos aqui.
- Tudo bem!
- Mas antes de entrarmos queria te pedir um pequeno favor. Posso?
- Claro!
- Eu queria que realmente fosse especial esse nosso encontro, agora bastante definitivo e não espontâneo, então, como sou amigo do dono deste restaurante preparei uma surpresa e gostaria que você pusesse esta venda nos olhos. Pode ser?
- Mas, Rafael...
                Tirou do bolso a venda e a estendeu em direção a Guilia.
- Por favor...
- Tudo bem.
                Não teria como recusar aquele pedido tão bem feito ainda mais sabendo que ele preparou uma surpresa e se preocupou em agradá-la. Ela colocou a venda e a segurando pela mão, Rafael, entrou no restaurante. A mão dele estava gelada, seria emoção ou medo dela não gostar? Era amor. Finalmente soltou a mão que grudara na suave mão de Guilia e falou:
- Já chegamos! Posso ter a honra de tirar a venda dos seus olhos?
- Claro que sim! Estou morrendo de curiosidade!
- Se for para morrer, morra feliz nos meus braços.
                Envergonhada, Guilia sorriu. Rafael correu para as costas de Guilia e aspirando o ar de seu perfume, lentamente, tirou a venda de Guilia. Estarreceu-se. Rafael havia fechado o restaurante apenas para os dois. Envoltos em pétala de rosas brancas e vermelhas, a mesa estava no centro do estabelecimento, perto do piano. Luz ambiente e o nome de Guilia no piano e a seguinte frase na mesa:
“Quem não compreende um olhar, tampouco compreenderá uma longa explicação.” (Mário Quintana)
Maravilhada, não sabia dizer absolutamente nada. Jamais tivera uma surpresa assim.  Olhava para tudo e para Rafael que sorria. Ele se aproximou, pegou em suas mãos e disse:
- Não me diga nada. Toque no piano a sua música favorita para mim.
                Olhos nos olhos, o olhar de Guilia sorriu e se desprendendo daquelas mãos robustas, sentou-se ao piano e pôs a tocar e sem perceber cantou também. Sentado, Rafael sorria admirado e apaixonado. Ela tinha dedos divinos, seus dedos eram as próprias notas suaves que exalavam por todo o salão. Era, sem dúvida, a música mais bem ouvida e tocada. Deslumbrado, deixou que ela tocasse aos seus ouvidos por longos minutos e ela, agradecida, tocava com a alma veementemente.  Delicadamente, o jovem cortês se levantou e caminhou para trás de Guilia, tocou os seus ombros e levemente pôs a acaricia-los. Sem jeito, ela começou a se perder na música e ele sorrindo, disse:
- Espero que tenha gostado da surpresa.
                Ela parou de tocar e olhando para cima, falou:
- A maior surpresa de todas.
- Quero sempre te surpreender, minha flor. Agora, venha! Vamos almoçar!

                E assim se deu, inicialmente, aquela tarde maravilhosa que se estendeu por longas horas.

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