Cap. XVI
Parte II
-Encontro marcado-
Puseram-se a
caminhar até o restaurante onde almoçariam. O caminho era longo, mas tendo em
vista a paisagem exuberante da praia do Leblon e a conversa reveladora, sincera
e divertida entre os dois, o tempo passou voando e logo estava em frente ao
estabelecimento escolhido pelo cortês Rafael.
- Minha linda,
almoçaremos aqui.
- Tudo bem!
- Mas antes de
entrarmos queria te pedir um pequeno favor. Posso?
- Claro!
- Eu queria
que realmente fosse especial esse nosso encontro, agora bastante definitivo e
não espontâneo, então, como sou amigo do dono deste restaurante preparei uma
surpresa e gostaria que você pusesse esta venda nos olhos. Pode ser?
- Mas,
Rafael...
Tirou do bolso a venda e a
estendeu em direção a Guilia.
- Por favor...
- Tudo bem.
Não teria como recusar aquele
pedido tão bem feito ainda mais sabendo que ele preparou uma surpresa e se
preocupou em agradá-la. Ela colocou a venda e a segurando pela mão, Rafael,
entrou no restaurante. A mão dele estava gelada, seria emoção ou medo dela não
gostar? Era amor. Finalmente soltou a mão que grudara na suave mão de Guilia e
falou:
- Já chegamos!
Posso ter a honra de tirar a venda dos seus olhos?
- Claro que
sim! Estou morrendo de curiosidade!
- Se for para
morrer, morra feliz nos meus braços.
Envergonhada, Guilia sorriu.
Rafael correu para as costas de Guilia e aspirando o ar de seu perfume,
lentamente, tirou a venda de Guilia. Estarreceu-se. Rafael havia fechado o
restaurante apenas para os dois. Envoltos em pétala de rosas brancas e
vermelhas, a mesa estava no centro do estabelecimento, perto do piano. Luz
ambiente e o nome de Guilia no piano e a seguinte frase na mesa:
“Quem não
compreende um olhar, tampouco compreenderá uma longa explicação.” (Mário
Quintana)
Maravilhada,
não sabia dizer absolutamente nada. Jamais tivera uma surpresa assim. Olhava para tudo e para Rafael que sorria. Ele
se aproximou, pegou em suas mãos e disse:
- Não me diga
nada. Toque no piano a sua música favorita para mim.
Olhos nos olhos, o olhar de
Guilia sorriu e se desprendendo daquelas mãos robustas, sentou-se ao piano e
pôs a tocar e sem perceber cantou também. Sentado, Rafael sorria admirado e
apaixonado. Ela tinha dedos divinos, seus dedos eram as próprias notas suaves que
exalavam por todo o salão. Era, sem dúvida, a música mais bem ouvida e tocada. Deslumbrado,
deixou que ela tocasse aos seus ouvidos por longos minutos e ela, agradecida,
tocava com a alma veementemente. Delicadamente, o jovem cortês se levantou e
caminhou para trás de Guilia, tocou os seus ombros e levemente pôs a acaricia-los.
Sem jeito, ela começou a se perder na música e ele sorrindo, disse:
- Espero que
tenha gostado da surpresa.
Ela parou de tocar e olhando
para cima, falou:
- A maior
surpresa de todas.
- Quero sempre
te surpreender, minha flor. Agora, venha! Vamos almoçar!
E assim se deu, inicialmente,
aquela tarde maravilhosa que se estendeu por longas horas.
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