XI - Aniversário
parte II
Abraçadas compartilhando daquela dor imprevisível, forte,
infinita, as duas amigas, ajoelhadas, choravam. Luiza, então, interrompeu o
silêncio.
- Minha amiga, levantemo-nos. Ele aparecerá.
- Amiga, ele sumiu! Qual a parte dele ter desaparecido que
você não entendeu? Ele não me quer mais. Não quer saber de mim!
- Eu entendi tudo e por ter entendido é que eu te digo que
ele vai dar algum sinal. Seja para sumir de vez ou para se explicar. Ele não
saiu da sua vida ainda. Agora, vamos levantar. Toma um banho, melhora esse
rostinho porque tem uma galera lá embaixo te esperando!
Guilia
seguiu os conselhos da sábia amiga que em todos os momentos esteve presente.
Mais que ninguém poderia ser ouvida naquele momento. Levantou-se e foi se
aprontar, enquanto Luiza escolhia, em meio a pensamentos aturdidos, um vestido
para a amiga.
- Qual é o problema do Arthur? Logo ele que dizia que a
amava! Ele não tem o direito de fazer isso. A Guilia não merece. Abdicou da sua
vida, da sua juventude para ficar com ele, um cara muito mais velho. Isso é
injusto da parte dele, é injusto com ele.
A
aniversariante saiu do banheiro ainda chorando e viu o rosto consternado da
amiga.
- Não se preocupe Lu! Eu vou ficar bem. Eu só preciso de
tempo, tempo para assimilar essas coisas.
- Mas, Gui! Eu sei o que você está sentindo e sei que não é
fácil. Eu só queria ter a solução para não te ver passar por tanto sofrimento!
- Amiga, algumas coisas, por mais dolorosas que sejam, são
necessárias. Talvez este seja o meu destino. Eu não faço a mínima da razão do
Arthur ter sumido e não posso mentir porque você me conhece melhor que ninguém,
estou sim sofrendo com isso. Nunca pensei que um dia eu poderia me abrir desta
forma e amar tanto alguém e o pior: amar alguém que me daria total esperança de
reciprocidade e desapareceria sem ao menos dizer que estava desistindo. Mas vou
passar por tudo e tenho total consciência que não vou me curar, contudo sei que
a dor com o passar da vida será menos intensa. Eu só preciso que você me
entenda, amiga, e me ajude a passar por esta situação difícil.
- Estarei sempre aqui. Você é a irmã que eu nunca tive. A
sua dor é a minha também. Não sabe o quanto estou mal com toda esta situação.
Sorriram
e choraram juntas. Estenderam a mão uma para outra como elo daquela amizade que
duraria a inteira vida das duas. Guilia aprontou-se e, mesmo com vontade de
sumir de qualquer lugar que a conhecesse, desceu para sua festa com sua melhor
amiga. Ao descer, encantou os olhos dos
pais totalmente orgulhosos pela linda menina que se tornara uma mulher diante
dos olhos deles e eles nem tinham percebido, encantou os olhos dos convidados
pelo jeito estonteante e ainda mais Eduardo, o eterno apaixonado que a via
ainda mais bela, ainda mais fascinante toda vez que seus olhos a encontravam.
Amara-a desde a primeira vez que seu olhar a tocou. Foi amor d’alma, daquele
que é, existe sem que perceba, que floresce sem regar, era amor vindo de seu
passado, de seu presente que esperançava seu futuro. Sem dúvida nenhuma era
amor, apenas amor puro. Entretanto, um amor que jamais fora correspondido.
Guilia nunca o olhou com outros olhos além daqueles oblíquos olhos de ternura
que o alimentava, mesmo sabendo que aquilo não era amor. Submetia-se a isso com
a certeza que isso já era o suficiente. Depressa, correu para o pé da escada e
lhe estendeu a mão. Guilia sorriu e seria aquele o sorriso que o levaria ao
êxtase, certo também que fora um sorriso de agradecimento pelo o lisonjeio, não
um sorriso apaixonado, admirado.
- Você é a aniversariante mais linda que já existiu na
história da humanidade.
- Obrigada, Dudu.
- É verdade! Você é a mulher mais linda e encantadora. Se eu
fosse seus pais não a deixaria sair de casa nunca. (gargalhou)
Guilia,
sem graça, sorriu. Luiza em defesa da amiga retrucou.
- É por isso que Deus não dá asas à cobra.
- Garota, o assunto não é com você. Tem de me perdoar se
você não é a minha escolhida, mesmo que você queira.
Enfurecida,
Luiza, sutilmente, disse:
- Desafortunada seria eu se um dia quisesse que um homem que
é um garoto me quisesse e eu, insanamente, gostasse disso. Ainda não me perdi
em desilusões, querido.
Eduardo
esboçou uma resposta, porém gentilmente Guilia os pediu para cessarem a briga
que era observada pelos convidados.
- Meus queridos, parem com isso! Estamos no pé da escada e
todos estão nos olhando. Não é de bom tom que façamos isso aqui.
- É por isso que você é uma princesa, disse Eduardo com
olhar apaixonado.
A
partir daquele momento, a encantadora menina sabia que sua noite não seria
fácil: Arthur distante em todos os aspectos, pessoas perguntando por ele, e,
Eduardo a espreitando por todos os lados. E assim foi por toda a noite.
Enquanto tentava se distanciar das pessoas, o jovem apaixonado ali estava. A
qualquer lugar que se pré-dispusesse a ir haveria um fiel acompanhante o qual
não era convidado, mas que ia assim mesmo.
Então, foi quando se preparavam para cortar o bolo, em meio
as fotos, que o celular de Guilia sinalizou uma mensagem, e, sim, era ele, era
uma mensagem de Arthur.
Seria tãããããããããoooooo mais fácil se ela gostasse do Dudu... Se bem que como saber se o amor puro não é mais do mesmo? Um amor puramente circunstancial!
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