domingo, 27 de maio de 2012

XI - Aniversário
parte I
Alguns dizem que o tempo cura qualquer coisa, mas às vezes a sensação que dá é que ele além de não aliviar, sacia ainda mais a dor latente no peito, como se fosse um suprimento ou alguma coisa parecida. Guila viu seus dias passarem lentamente ao passo que todas as tentativas de comunicação com Arthur foram vãs. Ligava desesperadamente, mandava e-mails e cartas, mas nenhumas dessas inúteis tentativas foram compreendidas. O que restava a pobre moça era esperar algum sinal chegar. Ao lado do telefone, esperando por algum sinal, passava noites a fio, na angústia do celular tocar ou nas atualizações da caixa do e-mail receber algum sinal daquele que um dia jurou amor eterno. Foram noites e dias sem dormir, sem comer direito, sem produzir uma música sequer. A grande inspiração havia se perdido, o grande amor da vida dela, do outro lado do oceano a esquecera por completo.
Enfim, o aniversário da menina Guilia havia chegado. Vinda de uma família um pouco tradicional, prezavam por dias que mereciam comemoração e fazia jus a data festiva. Porém, a aniversariante que outrora era cheia de vida, de brio, de sorrisos a exalar, esta só queria neste dia esquecer o mundo e correr para o mais longe que pudesse, a fim de se perder, perder-se do próprio corpo e alma, aliviar-se da dor que guardava, em silêncio, no peito. A única coisa que poderia alegrar o dia da pequena Guilia era um sinal vindo da Europa. Um sinal de vida, vida nela, vida de Arthur. Vida que chegou.
Os pais da adorável moça terminavam os preparativos da grandiosa festa, e, enquanto a euforia paternal acontecia ao arredores da casa, Guilia encontrava-se em seu quarto, ainda deitada, buscando a razão em si de Arthur ter sumido. Entre lamentações e questionamentos, sua grande amiga a interrompeu batendo a porta.
- Mãe, já vou! Já estou quase pronta!
- Não é sua mãe, não! É sua melhor amiga! Será que posso entrar? (rindo)
- Claro, Lu!
                Levantou-se, ajeitando os cabelos e abriu a porta. Luíza se assustou.
- Amiga, as pessoas estão chegando! Vá se aprontar!
- Não quero descer, amiga!
- O que houve? Aconteceu alguma coisa? Tenho ligado para você, mas não tem retornado, pensei que fosse a faculdade ou algo parecido!
- Não, amiga, pior que isso!
- O que foi? É o Arthur? Fala!!!
-  É, amiga, parte de mim não está mais aqui.
- Amiga, me diz, o que houve?!
                Em lágrimas, Guilia disse:
- Ele sumiu. Não me atende, não responde aos meus e-mails, minhas cartas ou mensagens. Ele simplesmente desapareceu. Liguei para empresa dele e ele tem ido trabalhar regularmente. Morrer ele não morreu. Eu que morri para ele, amiga. Eu que morri.
                Ajoelhou bem devagar e em prantos, a doce menina, falava:
- Eu não vou aguentar isso, Luiza. Não vou aguentar.

                Neste momento, Luiza mais que imediato agachou-se e abraçou a amiga sem falar nada. Há momentos que palavras não ajudam e momentos que dispensam comentários.

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