terça-feira, 5 de julho de 2011


Capítulo V- A partida
Parte I
                Arthur arrumava as malas e sua vontade de ficar impetrava. Não havia nexo em ir, não havia possibilidade de ficar. Era preciso. Era dolorido. Era partir o poema que fora partido e tornou-se inteiro. Era amor. O jovem rapaz decidiu escrever, não por email, uma carta com sua própria letra, com sentimento e cheiro, cheiro de saudade que já sentia de sua amada.
                Guilia não dormiu. Pensava em todos os momentos com Arthur e isso lhe doía o peito. Olhava para o céu e a lua era minguante, assim como a alegria que outrora tivera. Não chorou nem por um instante. Não era perda, era ausência, logo lágrima não poderia rolar. Não agora. Como Arthur, Guilia pegou um papel e pôs-se a escrever. E chegou, enfim, não o fim, a hora do vôo.
...
Foram juntos ao aeroporto. Abraçados e chorosos. Tristonhos. Guilia aninhava-se no peito de Arthur que a abraçava com muita força. Em todo o caminho permaneceram nesta mesma posição, contudo chegara o momento do embarque. Arthur seguiu todos os procedimentos para embarcar, enquanto Guilia o esperava. Após tudo feito, Arthur seguiu em direção a Guilia  para se despedir.
                - Guilia, é a hora!
                               Ela não piscava.
                - Eu sei Arthur! Eu sei!
                Os dois inclinaram a cabeça. Arthur se lembrou da carta.
                - Ah! Eu sei que deveria fazer algo melhor, mas escrevi algo a você para que possa ler e pensar em mim.
                               Guilia sorriu.
                - Eu também te escrevi.
                Trocaram bilhetes ou cartas, como queira nomear. O jovem beijou o papel. A bela menina o abraçou. Guardaram os papéis e trocaram beijos de súplicas. Era chegada a hora.
                - Minha linda (com as mãos no rosto de Guilia), promete que vai me escrever?
                - Claro que sim! Prometa-me!
                - Prometo amar você. Prometo doar cada pensamento a tua imagem. Prometo-me a você.
Abraçaram-se. Ali começava a segunda fase da relação: a ausência. A ausência física, que fique bem claro. Cada um seguiu seu caminho, dois caminhos novamente. Se cada pensamento encurtasse a distância estariam perto, mas novamente o destino agiu e rumou a vida dos amantes para lados opostos.

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