Capítulo V- A partida
Parte II
Guilia em silêncio chegou a sua casa. Seus pais a estranharam, pois sempre estava feliz e os seus olhos demonstravam isso, no entanto tudo que tinha nos olhos da menina se chamava medo e saudade. Medo de ficar longe de alguém tão amado, saudade de alguém que faz falta. A menina dos lábios de mel foi abordada por sua mãe que apesar de saber da viagem de Arthur perguntou à filha o porquê do rosto vazio de alegria.
- Filha, o que houve? Arthur está bem?
- Nada! Não foi nada, mãe. O Arthur já foi ( procurando algo para prender sua atenção).
- Ah, Minha filha! Vai dar tudo certo e daqui a pouco ele virá te ver.
- Mamãe, bem na hora que nos encontramos o destino cruel e maldito nos direciona para lados opostos.
- Guilia querida (Suspirou e sorriu), a vida é assim, uns vão e outros chegam, mas você só precisa ter a consciência da importância e da marca que estas pessoas nos fizeram, assim a importância não caberá na distância e sim na pessoa.
A mãe abraçou a filha. Apertou-a e a acariciou como quando outrora aninhava aquele pequenino ser chorando por ter caído nos seus braços. Guilia por sua vez aproveitava o colo acolhedor para suportar a ausência do amado. E a noite chegou. O melhor e pior momento. A lembrança palpitava nesta circunstância, talvez por estar sozinha no quarto, só alimentada pela saudade. Foi aí que se lembrou da carta e resolveu lê-la.
...
Arthur não conseguiu descansar na viagem. A tensão da despedida ainda era muito forte. A carta já estava amassada de tanto que a colocava contra o peito, como se estivesse abraçando Guilia. A menina que o tornava feliz apenas com sua existência. Arthur amava Guilia e sabia que nunca tivera tamanho sentimento por ninguém. Ela o fazia melhor. Ele a fazia bem. Arthur sabia que era amado por sua doce menina e somente isso o deixava sorrir e relaxar. Resolveu abrir a carta, após horas de viagem e que o Guilia escreveu.
“Querido Arthur
A distância não põe fim ao amor. Os nossos momentos serão eternos enquanto viverem nos nossos corações. Eu sei que a cada novo luar aqui é um luar onde você está assim lembraremos-nos de nós, se é que isso é realmente preciso para lembrarmos. A esperança é sempre a mesma: a gente se vê em breve!
Com Apreço,
Guilia Fernandes.
p.s.: Mantenhamos contato. Seja por telefone, email ou carta. Não me esqueça.”
...
“Querida Guilia,
Você não sabe como foi difícil partir agora. Acostumei-me com tua presença que não sei se sou o mesmo longe de ti. Tudo aconteceu de forma tão intensa que sem intensidade não há vida para mim. O meu fechar de olhos será para encontrar você. A sua ternura e compreensão me fazem ser melhor. Eu sei que não será fácil estar longe por seis meses, acredite, estou sofrendo desde que soube da notícia. Mas voltarei. Espere por mim. Daqui a três meses tenho permissão de voltar ao Rio e ficar uma semana. Serei seu novamente, mesmo que por pouco tempo. Depois, volto para ficar. Ficar ao teu lado.
Guilia , eu vou te amar para sempre.
Com amor,
Arthur Braga.
p.s.: Escrevi uma carta, pois cartas unem mãos, unem nossas mãos”
Ela sorriu e toda a noite lia a carta. Na verdade a carta andava com ela para todo e qualquer lugar. A hora de dormir tinha o ritual: beijar a foto dos dois que ficava na cabeceira da cama, ler a carta e pensar nele até adormecer. Não foi fácil para Guilia. Ele fazia falta. Seus dias eram ocupados por seu estudo integral. Seus amigos a cercavam de carinho para em vão tentar suprir a ausência de Arthur. Alguns adoravam a distância dos dois, principalmente Eduardo.
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