sexta-feira, 15 de julho de 2011

Capítulo VI - A Distância.

Eduardo era apaixonado desde pequeno por Guilia. As famílias eram amigas desde quando Eduardo nasceu. Ele estava no mesmo cursinho que Guilia para ficar mais próximo. Ele já era formado em arquitetura. Sua nobre família era de arquitetos, logo, ele saiu da faculdade bem empregado e com tempo disponível para fazer uma nova faculdade, ou melhor, tempo para ficar perto da menina. Mesmo com todo este esforço, jamais fora notado por ela. Considerava-o apenas um amigo de longa data. Isso o matava por dentro. Todos sabiam e notavam. Muitos foram os que disseram para desistir da idéia de conquistá-la, ainda mais quando Arthur entrou na vida dela. Só ele não percebia Guilia não iria se apaixonar por ele.
                Por saber desta cegueira de Eduardo, Luiza protegia a amiga se fazendo sempre presente. Ela sabia da paixão dele, da rejeição dela. Entretanto, ela não era o bastante para as investidas do galante rapaz. Investidas ao vento, é claro, pois Guilia não percebia. A fantástica menina só se importava com Arthur. O telefone sempre ligado, a internet sempre conectada. E tudo isto Luiza, sua grande amiga, observava e preocupada com a situação da amiga, cuidava desta e a perguntava sobre tudo, fazendo-a desabafar, já que a doce menina não falava acerca de seus sentimentos com ninguém, senão com ela.
                - Amiga você está bem não é? As provas estão chegando e você precisa estudar!
                - Lu, eu estou bem. Estou estudando. Só não consigo suportar esta distância. Por que é tão longe?
                - Gui! Ele vai voltar daqui a dois meses.
                               Guilia sorriu.
                - Mais dois meses de noites mal dormidas.
                - Guilia, você tem de pensar que ele voltará para ver você. Neste um mês longe,  ele não deixou de mandar mensagens, emails, telefonemas. Ele te ama. Então, ame-o coma esperança de vê-lo daqui a pouco.
                - Não é assim tão fácil, Luiza!
                - Não é! Eu sei que não. Mas eu sei que ele quer que você seja feliz  e realize seus objetivos. Ocupe seu tempo, estude! As provas estão próximas!
                Guilia abraçou a amiga. Ela estava certa. Mas, do que valia a razão quando é o coração que dói?  Eduardo assistiu à conversa das duas e na hora do abraço chegou mais perto.
                - Eu também quero um abraço ( com os braços já abertos)!
                               Luiza ironizou.
                - Tenho muitos, você quer apenas um?
                               Eduardo se irritou.
                - Não era com você, engraçadinha, que eu estava falando.
                Guilia conteve a amiga e entrou na conversa.
                - Oi, Eduardo! Como estão seus pais?
                - Com saudades das suas visitas, Guilia. Eu também estou.
                - Mande um abraço a eles e diga que qualquer dia eu passo para um café.
                - Digo. Pode deixar! E para me ver, quando aparecerá? Tem muito tempo que não estudamos juntos, não assistimos a um filme...
                               Luiza interrompeu.
                - Ela te vê todos os dias aqui. Com que intuito ela iria te visitar?
                               Eduardo ignorou. Guilia riu e respondeu.
                - Estou estudando muito e como comecei a namorar, meu tempo...
                               Eduardo não esperou a frase terminar.
                - Ele viajou e ficará longe. Agora você tem tempo para mim.
                - Meu tempo é dele, Dudu.
                               Eduardo ficou em silêncio. Pegou as suas coisas e saiu. Luiza gargalhou.
                - Amiga, mande-o pegar o restinho do rosto dele que ficou aqui no chão!
                - Luiza!!! Não fala assim ( riu). Ele acha que gosta de mim.
                -Acha, Guilia?! Ele é louco por você.
                - Não faço o tipo dele.
                - Você faz o tipo de qualquer homem, Guilia. É linda, inteligente, charmosa e sensata. Quem não vai te querer?
                               Guilia fez cócegas na amiga. Para ela só importava o amor de apenas um: Arthur Braga, o amor de sua vida. E para não perder o hábito, o tempo passou.



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