quinta-feira, 21 de julho de 2011


VII- O Retorno

                Noites mal vividas e dormidas. A única coisa que realmente importava era o computador. Não importava o frio ou o calor, mantinha-se acordado à espera de uma mensagem. Enquanto esperava novas mensagens, as velhas eram lidas, uma a uma, como um rito sagrado. Arthur não suportava a distância do Brasil, a distância dos braços de Guilia. Todos os seus sonhos desde que chegou à Itália tinham como protagonista sua linda namorada. Fazia suas inúmeras atividades pertinentes ao trabalho e seu pensamento conectado ao da dona vitalícia de seus sonhos. No intervalo de cada palestra ou reunião, o bom rapaz mostrava sua saudade com palavras e as enviava a Guilia. À noite, escrevia cartas e mais cartas eletrônicas, ligava para ela mesmo que o fuso horário fosse diferente. Era necessário ouvi-la. E assim foram todos os dias longe de Guilia, até que chegou o dia de retornar, apresentar o trabalho feito e voltar para completá-lo. Havia chegado cor a sua vida novamente.
...
                 Época de prova. Guilia havia estudado bastante, todavia em nenhum segundo deixava Arthur fugir de diante dos olhos, do pensamento, do coração. Dedicava-se por ele. Fizera todas as provas com mais ânimo e vigor, porque Arthur, no dia seguinte, estava de volta ao Brasil.
                Foi uma noite longa. Não por pensar em seu desempenho na prova, pois sabia que era inteligente o suficiente para saber de sua aprovação. A noite era longa porque o amado chegaria cedo. Tanta foi a espera que não conseguia controlar a ansiedade de vê-lo. Isto fez com que a noite fosse infinita quanto os três meses. O dia amanheceu.
...
                Arthur retornava assim como tinha ido: apreensivo. Contudo agora era diferente. Ela ia de encontro aos braços da amada e não partiria destes. Em nenhum momento da viagem dormiu ou pensou outra coisa que não fosse o sorriso de sua menina. Imaginava como seria vê-la novamente. Pensava nos cabelos, no rosto em constante mudança, aquela postura doce, aquele olhar. Pensava nela. E foi pensando nela que o tempo passou ou congelou, pois longe ou perto via Guilia sempre a sua frente. E enfim desembarcou.
...
                Guilia o esperava bem ansiosa. Olhava todas as pessoas que chegavam e nenhuma tinha aquele sereno olhar que a conquistou. Até seu olhar encontrar Arthur no meio da multidão. Não se conteve. Correu e atravessou a área restrita apenas para os que desembarcam. Gritou por ele que no mesmo instante largou sua mala e livros e correu para abraçá-la. Emocionante. Beijaram-se e chorando Arthur pegou Guilia no colo e girava como se ali só existissem os dois. As pessoas ao redor sorriam, admirados, e por fim aplaudiram o grande gesto de amor que puderam contemplar. O casal sorria como se não ouvissem. E em meio lágrimas, Arthur decidiu falar.

                - Que saudade, meu amor (com as mãos no rosto de Guilia)!
                - Você não sabe o quanto!
                - Eu (desviava o olhar)...Eu te amo , Guilia! Te amo (gritava)!
                               Guilia sorria
                -E eu te amarei para sempre.

                Abraçaram-se e saíram do aeroporto aplaudidos. Felizes. Amados.

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